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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007



De súbito as coisas foram passando a memórias. Alguns andavam ufanos com isso. Ou se calhar em alguns dias andava-se ufano com isso. Tudo estava a ser possível. De quando em vez, por alturas do final do ano, em quase natal juntava-se a quase família, como se manos ou primos afastados, amantes ou cunhadas desavindas que fossem, simpatia ou (até) enfado mútuo. Era quase natal. E comia-se. O sempre anfitrião, gente de vespa verde, era ritualmente massacrado pela falta de qualidade das farófias, dos sonhos, do peru ou do bacalhau. Amuava - não percebia que na quase família se diz mal, sem cerimónia, ritualmente. Ou amuava - porque na quase família se amua, sem rebuço, ritualmente. Porque é direito.

Tenho saudades de uma noite de inverno lisboeta, fria, chuvosa, ventosa. E de nessas noites, dessas que parecem opressivas, ir comer mal à Rua João Pereira Rosa. De ser quase novo, com a quase família, já a trocar recordações.