domingo, 21 de outubro de 2007

Da educação dos rapazes

Uma das razões porque insisto tantas vezes que sou um gajo-gaja é porque não me revejo, diria, abomino, a forma como nós rapazes vivemos a descoberta da nossa sexualidade e sempre desejei que pudéssemos ter aquela cumplicidade que, na maior parte dos casos, torna o ser gaja, o verdadeiro sexo forte. Falo por mim, claro. Sempre senti que nós começamos a perder a tesão pela vida logo ali, no início da efabulação sobre a ponta. No meu caso deveríamos estar entre 77 e 78 e eu teria assim, entre os quinze e os dezasseis anos. O Carlos, o Inácio, o Beto, o Zé Manel e eu fazíamos parte da mesma pandilha. Copiávamos olhares furtivos às raparigas, jogávamos matrecos, à bola. E falávamos das nossas proezas. O Carlos (dizia que) enchia frascos de yogurte com o sémen. E (dizia que) fazia sessões de tiro ao alvo com o irmão, em direcção ao espelho da casa de banho, os dois batendo segóvias, ou punhetas. Naquela altura ninguém se masturbava. Eu vivia aterrorizado. Primeiro nem sabia o que era uma punheta. Foi o Zé Manel, com quem tinha mais à vontade, porque já tinha ido a sua casa no Bairro do Cambodja, que me ensinou como se manipularia o pénis. Depois, mesmo depois de ter ido aos Restauradores comprar uma Revista Luxúria e de me ter fechado na casa de banho, a bater uma bela de uma iniciática punheta, só me saía um bocado de pó branco langonhento que nem a parte rasa do boião de yogurte cobria. Ainda, mais ou menos por essa altura, comecei a ser vítima dos rapazes da rua que me queriam fazer amostras. Como não era circuncisado o meu pénis ficava sempre encolhido e na altura da amostra, mais recolhido ficava. Saltavam todos em cima de mim. Todos queriam ver a minha picha. Queriam fazer dela um museu, uma exposição permanente. Só não me suicidei porque, por um lado, tinha vergonha de contar isto a alguém, e depois gostava tanto da vida que pensava sempre que no Verão seguinte a coisa passaria. E passou. Mas deixou marcas. Na ginástica não tomava banho sem antes ter o cuidado de arregaçar a cabeça do pénis, de modo a dar o ar de uma picha circuncisada. Evitava a água fria. Tomava banho num balneário cheio de gajos nus e a pensar nas gajas que fodiam nas revistas pornográficas esperando ganhar alguma protuberância muscular. Mas também não podia ser muito, senão passaria por paneleiro. E vivia aterrorizado pela imagem do dia em que me deitaria a primeira vez com uma mulher. Imaginava que ela iria fazer a mesma coisa do que as bestas dos rapazes. Mas não. As gajas são doces com o sexo de um homem. Tratam-no como se fosse o seu. Chupam-no, comem-no, trincam-no até. Com o correr dos tempos fiz das gajas os gajos que nunca tive. Foram elas que me ensinaram a saborear a maçã. Enquanto a companhia dos rapazes me tornou um gajo inseguro, cheio de medos, foi a primeira mulher com quem me deitei que começou a encher-me de mim. Lembro-me, eu termia. Dizia coisas absurdas como só os gajos acossados sabem dizer. Ela pôs-me a mão na boca. Disse-me, tás cheio de medo. E estava. Já a imaginava, meio gajo, a dizer, -Next! Fez tudo ao contrário. E de uma maneira tão doce que eu nunca saberia ou poderia sequer aspirar a saber antever. Disse-lhe, não te empates comigo. Fodo mal. Não disse fodo, é um efeito literário, na altura não se falava assim. Disse-lhe que era mau nisso. E foi então que se abriu diante de mim o espanto como tem sido sempre assim, desde esse primeiro dia até hoje, disse-me: - És bonito. És um homem muito bonito. Era terrível, quanto mais inseguro, mais bonito.Houve uma que percebendo que eu estava a ficar inseguro para fazer charme disse: - Esquece. Não és bonito por ser inseguro. Se fosses seguro serias bem mais bonito. E foderíamos melhor. És bonito porque me fazes desejar que seja dentro de ti que eu me esqueça de tudo, até de mim. Eram assim as mulheres. Cresceram ao contrário de nós. Aprenderam cedo a rir-se das façanhas, a partilhar fenómenos. E embora dissessem coisas surpreendentes, embora fosse ir ao fundo do mundo ficar a ouvi-las sobre a vespertina educação das raparigas, eram também excelentes ouvintes as mulheres que amei. E sossegavam-me apenas com um gesto de olhos, um manso gesto de olhos. Eu era desajeitado, quase nunca conseguia à primeira, mas elas eram meigas, carinhosas, devoradas longamente pelo devotado exercício de fazerem de mim um homem. O homem que as foderia. A paciência que uma mulher tem para antever num homem aquele que a vai comer é uma das coisas mais enigmáticas de todo o universo. A mim ensinaram-me tudo. A pôr e a retirar a cobra entre as pernas. A deixar-me ir na torrente de um gemido. A dizer palavrões, a gritar e a possuir-me. Talvez outros gajos tenham tido sempre e noutros lugares, a felicidade de terem aprendido o sexo entre rapazes. Eu, o único testemunho que posso dar, é a tristeza que, à distância de mais de vinte anos, ainda hoje consigo vislumbrar nas caras aterrorizadas dos putos que não podiam, nem sabiam, desmontar os relatos façanhudos de alguns de nós. E desejo que todos eles tenham tido a sorte, a bem aventurança, de terem aprendido com uma mulher a partirem o sexo em dois, metade macho, metade fêmea. Sempre tive inveja, uma inveja sem par, da educação das raparigas.



sábado, 20 de outubro de 2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007


© pampam (d'après serge clerc)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E a Red Light


E o Bairro


VIVA O FAVAIOS


Reviver o Passado

Um destes dias, não há muito tempo, tinha eu ido dar uma voltinha até ao Reino dos Bafatenses, lá onde o nosso Bafatá é Rei e Senhor, quando me deparei como uma foto que me deixou tão cheia de saudades... era um dos ícones da minha adolescência – era a imagem de tudo o que eu achava o máximo. Lindo, rebelde, um certo ar perigoso... charmosíssimo... e completamente “passado daqueles cornos”, enfim tinha tudo para ser “o” ideal daquela altura. Quanto pior, melhor... depois mudei de convicções, mas naquela altura era exactamente isto. E quanto piores e mais descabeladas fossem as coisas que eu inventava, arquitectava e fazia, mais integrada me sentia – era uma onda “muita maluca” – éramos totalmente irresponsáveis e só não morremos todos, várias vezes, porque não era nada a altura para isso – ía cortar a ganza toda!!!

Ora, aquela foto personalizava toda essa altura. O ar dele, a pose, o ar blasé (embora tivesse algum estudo...) Fiquei alguns dias a pensar nisto; sonhei imenso e revivi momentos únicos. E cheguei mesmo à conclusão de que era uma pessoa da qual me tinha esquecido. Como é que era possível? Não sabia nada dele, onde andava, o que fazia. Não é que me tivesse dado especialmente com ele, éramos só da mesma “seita” e os nossos amigos eram os mesmos. Mas eu gostava dele.
Revivi a toda a sua atitude – imagem, para mim, de uma época (soou um bocado piroso, não foi?) nos últimos dias... quando, de repente, saído do nada, vinha eu (hoje) com as crias a passar pelo Pinto/Cheira-Mal/Mete-Nojo/etc/ quando vou cumprimentar algumas das pessoas que ali estão na esplanada, e como já era lusco-fusco e nessa altura todos os gatos são pardos, não vi metade...e oiço: “Já viste quem está ali?”... Ele há coisas do caraças; Ali está ele, igual...igual... até o ar era o mesmo. Irra, tinham-se passado 20 anos. Ok, mais uns cabelos brancos... quem não tem??? Um abraço apertado! Que bom que foi vê-lo. Falámos 10 minutos. Até pode ser que voltem a passar mais 20 anos. Foi bom!

uma pequena brincadeira


olivais sul ... have a coffee around !!

óbvia ...


evidente ...

cruzadistica !



E agora, para distrair a maralha, um desenho do Sandro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Estampilhas (cola)

Dissolver em 3 l de água morna, igual quantidade de dextrina. Deixar arrefecer e juntar 3 dl de álcool e 20 g de ácido acético. Agitar para clarear.





© álvaro rosendo

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Óleo de cânfora


Com as azeitonas fazer o azeite para depois dissolver em banho-maria, 5 partes de azeite e 1 parte de cânfora.

O Dramático de Cascais




segunda-feira, 15 de outubro de 2007

o prometido é de vidro...à timor

do antanho vinílico saiu, sem critério, uma lista olivalense por bela sugestão da timor:
dedicada à família leal...

álbuns inteiros
como quem faz o caminho do quartel dos sapadores bombeiros ao baptista russo

the motels – little robbers
neil young - live rust
fleetwood mac – rumors
peter frampton – frampton comes alive
meola, mc laughlin, lucia – friday night in san francisco
cheap trick - live at budokan


artistas
todos eles putativos representantes de portugal no festival da eurovisão

clash
yes
asia
ub40
deep purple
pink floyd
genesis
beatles
rolling stones
bob marley
santana
bob seager
frank zappa

de tão curta na medida, fica a gota incandescente....