
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Olivais 4 ever

terça-feira, 25 de maio de 2010
Sons do bairro
No outro dia tirei meio dia de folga, para ir almoçar aos Olivais com a minha mãe e o meu irmão. Ela estava no curso de informática e eu aproveitei para dar uma volta pelo bairro. Bastou-me ouvir aquele sino para perceber que naqueles sinos meio mecânicos tinha ali uma história. Tenho o vício de contar histórias e as histórias que conto são isto: fragmentos de qualquer coisa que têm um princípio, um meio e um fim. Os sinos da igreja nova no meio de uma manhã no bairro para mim são uma história. O bairro do silêncio quieto e vazio, soprado pelo pouco vento que fazia, são também um fragmento narrativo. Tenho este vício. Lembro-me que um dia estava a trabalhar com as crianças no Bairro da Quinta da Calçada e estive entretido uma boa meia hora a inventar uma história a partir de um pequeno pau de madeira que escorria por um pequeno curso de água que a chuva improvisara. Tornou-se num barco. Transformou-se, como nós também nos transformamos com as histórias que contamos. Eu transformo-me pelo menos. E quanto mais as histórias são improváveis, mais me transformam. Por exemplo, aquela mulher que de repente entra na história pelo soar dos seus tacões, é uma pequena história que se cruza com as duas canadianas daquele homem que entra na farmácia. Ou com a bengala daquela mulher que sobe a rua. Quando os vi, pensei logo num reforço da história: e se eu fosse filmar o barulho da bengala? Ou das canadianas? Quando construímos personagens na Escola de Enfermagem há um pequeno exercício que costumo propôr: com os olhos fechados, vão ouvir o andar de cada uma das personagens que criaram. É um momento de uma grande simplicidade narrativa mas capaz de apaixonar aqueles aventureiros que comigo descobrem o território da criação de personagens. Por vezes, quando acabo as minhas aulas e conversamos sobre o trabalho feito, tenho o meu momento de verdadeira emoção: há um ou dois que descobrem o prazer de descobrir no outro uma história, de descobrir o outro enquanto história. Eu sei, este texto parece ter a doença daquela prosa muito excitada sobre objectos que do ponto de vista expressivo são uma verdadeira banalidade. O que é que isso interessa?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Fado da Olivesaria
E cá está. Não sei se foi por influência cinematográfica do Jorge António que também passou por aquela noite, o filme, mesmo sem orçamento, fez-se. Em MP4, que é o formato da maior parte dos telemóveis e depois baixando o Pazera Free MP4 to Avi Converter 1.2 para podermos trabalhar estes ficheiros no Windows Movie Maker que já vem com o Windows ( Atenção: Quando convertemos para Avi os ficheiros ficaram sem imagem, só com o som. Deve-se converter para a outra opção disponível, MPG. ) . O bloguer está a aceitar até 100 MB por filme, o que é uma margem muito confortável. Fica o desafio para todos. A escrita de palavras nem sempre é o melhor meio de nos reencontrarmos. Peçam as vossas identidades de volta. Timor, queremos ver o Big Ben! Bolama, dá-nos um pouco da ilha de Moçambique, por favor! Rapariga que veio da província, Beira, não nos emprestam um pouco desses lugares bucólicos com oliveiras, nespereiras, alecrim, para refrescarmos os olhos cansados do cimento cinzento?
Os blogues são como os gatos. Vadios e com muitas vidas. As nossas vidas. E nós precisamos de um lugar para nos encontrarmos. Para encontrarmos o bairro, as suas imagens, que nos habitam. Já depois de termos saído da Casa da Mariquinhas fomos encontrar o Barão dos Olivais que quase julgámos tratar-se da verdadeira identidade da misteriosa Maria Correia, pela simpatia com que falou deste espaço. Afinal há mais gente para quem este lugar ainda faz sentido. Vamos lá, malta! Este espaço precisa de nós tanto como nós precisamos dele. Lembram-se quando pela sorrelfa da noite entrávamos pela nossa própria casa como se fossemos assaltantes e íamos buscar as chaves do carro da família, ou comida ao frigorífico, ou cigarros do maço de tabaco dos nossos pais, e descíamos até ao muro da entrada dos nossos prédios para prolongarmos um pouco mais a alegria de estarmos uns com os outros? Vamos fazer isso novamente. Não tenham vergonha! Entrem à sucapa nos quartos dos vossos miúdos e "peçam-lhes emprestados" os telemóveis 3 G com máquina de fotografar e filmar e saiam para a rua para serem os repórteres da Olivesaria. Este pequeno vídeo é apenas uma brincadeira entre amigos que gostam de se rirem uns com os outros e de si mesmos. Há tanta coisa que se pode fazer para trazer para aqui o bairro ao vivo e a cores. Uma entrevista. Uma conversa. O fado da Olivesaria.
domingo, 7 de março de 2010
Quarto com vista para Santiago do Chile

sábado, 23 de janeiro de 2010
Pó, poeira, livros, Olivais

Tinha ido ao lançamento do caderno de memórias da Isabel Figueiredo. Na Pó dos Livros. De repente percebo que o dono da livraria era o Jaime, que eu não via há milhares de anos, desde os tempos em que habitámos o mesmo bairro (onde a palavra pó tinha outros significados que não aquelas partículas que se alojam nas páginas dos livros). Desde as festas da garagem do Johnny, ou da Vila Catió. A fotografia é reles, eu sei. Os combinados, nos telemóveis, fazem de conta de que são um pouco de tudo, não sendo quase nada daquilo que nós esperamos que eles sejam. Mas são o que temos para agarrarmos no real e o trazermos para aqui, dizendo, olhem, é o Jaime. E saudarmos - nós que vimos aqui apalavrarmos a nossa identidade - uma vida ao pé dos livros.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Intervalo para almoço

domingo, 25 de outubro de 2009
A menina do cão do fiat

segunda-feira, 27 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Olhar o rio
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Grande Tuga das Neves

terça-feira, 24 de março de 2009
Na frente ocidental nada de novo
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Chove e cá dentro as nossas moléculas
domingo, 4 de janeiro de 2009
Em busca do arco-íris
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Oa amigos
Apontamentos de Sevilha
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
3ª Cena
Urié parte o seu “carro” *
(Urié entra com a árvore. Acelera. Deixa o motor ir abaixo. Empurra a árvore)
Urié A-ora é q' é!(Empurrou novamente a árvore. Dá balanço. Movimentou a perna como se tivesse a dar ao pedal de uma motoreta. O motor começou a trabalhar. Rouxinol riu-se. Ele interrompeu o barulho e voltou-se para ela) Esta-ermo! Por ausa de i eixei o vum-vum i abacho! Nã osso alar e con-uzir ao memo empo! Hã!Hã! Ensas o ê?! O mo-mo -or é a-ui ( bateu com a palma da mão na garganta). É a-ui! A-ora empu- a co-igo! (Rouxinol empurrou-a a ele e ele empurrou o ramo. O motor começou a trabalhar) Vum-Vum! A-da! ‘Alta cá a entro! (Rouxinol sentou-se no ramo. Deram dois ou três passos e o ramo partiu-se) E-a! E-a! E-a! T-agou-se! Tá t-agado! Abes uanto ustou u-a áquina estas! Sto é u-a á-vo-e! Se ou a-ancar ais á-vo-es ó ale ou p-eso! Ou p-eso! O uarda á m' a-isou!(Rouxinol afastou-se, ele agarrou no ramo partido) O eu ca-o! (virou-se para Rouxinol) Ão abe o é um ca-o! Isica sê oisa gande! (Atirou o pau fora) Ma-ia da g-andeza! Ma-ia da g-andeza! Ma-ia de oisa g-ande ! (Deu de caras com um caixote de lixo, dos verdes, com rodinhas) Ó á! O á! (Correu para ele. Agarra na tampa. Fecha-a. Abre-a. Fecha-a) Tem ca-ô ! Tem ca-ô e o-ta ba-agens! Ganda ca-o! (Dançou desajeitadamente. Rouxinol que estava escondida apareceu e começou aos berros de alegria. Deitou o caixote do lixo no chão) G-anda omba! G-anda omba! A-ece memo um ca-o a sé-io! (Mirou-o, alargando os braços como se estivesse a tirar-lhe as medidas. Foi buscar um papel de jornal. Tirou uns pedaços e colou-os com cuspo na parte da frente do caixote simulando faróis) Té dá pá á-dá á oite! (Olhou para Rouxinol) Éres ár uma ólta! U-a g-anda ólta? (Rouxinol concorda e vai a entrar no carro) E-ra!E-ra! Nã ode er a-im! Em he er omo o inema! (Esticou-lhe o braço e com o maior dos cavalheirismos ela entrou para dentro. Depois fechou a tampa.) E-u-ra-te! ( Rouxinol não conseguiu estar lá dentro com o cheirete do caixote do lixo. Abre a tampa) À êm! É o eiro de er ovo! Ab-e a ca-ota!
(Deambulam pelo espaço. A luz dirige-se à casa na árvore, ao piso superior)
3ª cena (tradução) Urié
* Excerto da peça "É para os putos que não querem comer a sopa".
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Domingo de Novembro
- Esta foi a primeira escola onde eu andei quando viemos para Lisboa.
-E era assim?
- Não. Eram filas de barracões. Quando chegarmos a casa vou-te mostrar as fotografias da escola (no Olivesaria, claro!).
E continuamos a andar, enquanto lhe falo dos lugares onde brincava. As vivendas onde moravam os primos da Bafatá. Há uma espécie de passagem de testemunho que nem o é. Testemunho de quê? Eu tinha quase o tamanho dele, os Olivais eram enormes, o contraste com a paisagem campestre, aquele lugarejo de onde se avistava o grande convento, ele pergunta-me olhando o grande centro comercial,
isto tudo já cá estava também?
não, isto veio depois, olha, ainda estão a construir.
há pouco, quando saímos de casa passámos pelas tijoleiras, muitos carros parados à frente - onde estão os polidores de esquinas agora?, pergunto-me, era sempre com um pouco de receio que enchía o passo em direcção ao ezequiel - dei conta da quantidade de anos que vivemos entretanto, construimos as nossas casas, criámos os nossos filhos, eu durante muitos anos não envelheci, mantinha, apesar de algum cansaço, do desgaste do tabaco, aquela capacidade de fechar os olhos e de fazer um raccord directo a qualquer zona do passado, agora não, agora já não vou lá, falta-me o fôlego, sei que vivi por aqui mas isso é quase que uma história, uma ficção, que construí e conto a mim mesmo, ainda há pouco ao descer no elevador cruzei-me com a teresa do marco, abri o sorriso meio automaticamente e depois percebi quem era, eu já não a devia ver há uns vinte anos, não conheço nenhuma das pessoas que agora passeia cães na cidade João Belo e isso diz tudo, os donos dos cães são uma marca resiliente ao esquecimento, já ao dobrar das tijoleiras, cruzo-me com a mãe da margarida e do diogo, olá, boa noite, digo eu jovialmente, ela não me reconhece, sauda-me rapidamente, está escuro, apercebo-me que os olivais têm o tamanho da mobilidade e da segurança de cada um, para a minha mãe os olivais também são enormes, estou entre dois lugares, os olivais da minha mãe, da casa materna, e os olivais que eu vou mostrando ao meu filho enquanto lhe digo, olha era aqui que o pai fazia isto, ou aquilo. Não há luz no rés do chão da praceta aleixo-corte real, penso, antes de entrar no centro e de me apagar eu próprio na luminosidade forte do festim das lojas, do compra-compra.
sábado, 1 de novembro de 2008
Por esses Olivais adentro, vamos
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
A pasta escondida
O pretexto foi a grappa mas aquela pasta acabou por inadvertidamente tornar-se a estrela da noite. É que as paredes da casa denunciavam a arte, o traço, o olhar. Vasculhámos à procura de sinais, rastos da evidência de uma expressão mais própria. Ele, o artista, tímido - tão acanhado que é impossível denunciá-lo - lá condescendeu em abrir o espólio. E lá de dentro saltaram esboços, cores, formas mais ou menos acabadas que nos seduziam.