segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

teria esta cidade ... ?

.... um bairro como o nosso ? Quer dizer ... nem maior nem mais pequeno, em tamanhos de gentes e sonhos, de coisas inacabadas, de pequenos muros e escadas onde se descobriram vidas, se perderam também, se deram abraços e viram partidas, muros altos, muros baixos, que se saltaram ou por onde nos quedámos num olhar feito de palavras inventadas, terra grande de tanta gente, de onde sairam pessoas que se via mesmo de onde vinham, onde se descobriram amores e desamores, se amou o cheiro e as ruas, as pracetas e cafés, sem saída nem hora de fecho, onde a liberdade entrou e se sentou, trazendo o céu e a morte, maquilhando meninices em loucas adolescências, agrupando e afastando na insinuante aventura da descoberta, com escolas de meninos de batas, de ruas velhas e escuras numa vida em armadilha, e outras novas, de olhares e desafio nas cumplicidades de quem sentia o sabor de um abraço, de um beijo nunca sonhado, de um amor sobressaltado por tanta vida em tanto dia, em tanto lugar nosso e de todos, onde estar-se, viver-se, ter e ter-se, era coisa de montanha e seus cumes, de mirada de mundos secretos, de lágrimas aprendidas e vencidas, ou fracas e acabadas em mares de importadas guerras da cidade grande . Pergunto-me se haveria então nesta cidade algo parecido com um bocado de terra que soubémos fazer nosso ....

domingo, 6 de janeiro de 2008

Ora então muito bom dia

Claustrofobia... azia?


Ultramar... canicular?


Oliva Alentejo Oliva!



SAM, sempre...

Redescoberta casual numa prateleira lá de casa.
Comprado na Feira do Livro de 1984.

SAM, Os Filhos de Viriato, Publicações D. Quixote, 1971







































































sábado, 5 de janeiro de 2008

dos olivais lá de longe

Há muito tempo o meu pai foi chamado para a “guerra”, pela terceira vez. Das outras duas vezes eu ainda não era nascido e ele ficara pela metrópole, mas desta feita convocavam-no para Angola. Nova Lisboa mais precisamente, uma bela cidade transformada em bastião militar no meio de África. Nenhum de nós percebia porque alguém queria tão insistentemente um capitão miliciano com um bigode bonacheirão e uma orla de seis filhos atrás. Quando em 1971 - um ano depois de ter partido - nos chamou para junto dele, percebemos finalmente que para além do fato verde e da boina que usava contrariada e desajeitadamente nada mais o ligava àquilo que lá longe se passava no mato. Fomos viver para uma cidade calma onde a guerra não entrava. Era um mundo diferente onde as águias pairavam rente à janela e em vez de galinhas se viam pacaças e macacos à beira da estrada e lá mais para dentro, diziam-nos, até leões. E haviam também uns gafanhotos gigantes com uns bizarros chifres esbranquiçados, quase do tamanho de uma mão adulta, que nós orgulhosamente guardávamos como troféus em frascos de vidro. Na escola pública onde então fiz a 3ª classe, a um quarteirão de distância, conheci as gentes de lá. Éramos apenas três europeus, talvez melhores alunos, não sei, sei que mais poupados às reguadas que tentávamos amenizar com mezinhas à base de rabo-de-cavalo e azeite que se conjuravam e aperfeiçoavam na nossa clandestinidade de vítimas. O mais velho da sala era quase homem, e dizia-se que teria colocado duas batatas nos hercúleos bíceps que todos os intervalos ostentava para grupos de admiradores embasbacados, no que sempre acreditei. O meu maior amigo era um africano com mais 3 anos que eu e que me ensinou a dar saltos mortais e me defendia sempre das emboscadas no recreio. Lembro-me que um dia saltei do telhado do refeitório e desde aí deixei de ser o “puto branco”. Com eles passei a demorar-me mais depois das aulas e foi assim que conheci a “outra parte” da cidade. Quase sempre pó, senzalas e uma enorme liberdade que eu não sabia explicar e que ia muito para além do “brincar na rua”. O ar era mole e húmido, e a terra parecia tocar o céu e espraiar-se indolente até ao infinito. Em frente do edifício onde morava havia uma igreja onde todos os domingos me confessava de andar à pancada com os meus irmãos e de lá saía sobriamente desculpado. Quase todos os adultos que conhecia da messe dos oficiais não me pareciam ter nada a ver com aquela guerra que se dizia travar-se lá mais para leste. Aí onde vivia haviam alguns miúdos brancos e mimados que estavam proibidos de sair das cercanias e que nos invejavam a liberdade que nos era dada. Deles, com eles, lembro-me vagamente e apenas das tardes que passávamos assoberbados de um rádio-amador com que nos maravilhávamos a escutar o mundo inteiro. Aos 8 anos, aquele parecia-me ser o sítio mais aprazível e de maior liberdade do mundo. Foi lá que me apercebi de como a terra era tão grande. Fiz lá a 3ª classe e depois voltei. Voltei como lá cheguei, sem guerra, ainda. Essas questões do mundo nunca me chegaram. Mas o mundo sim, a sua vastidão. A única coisa que verdadeiramente me marcou desse tempo foi ter de voltar a enfiar a minha vida (que se tinha tornado enorme) neste mundo pequeno e encafuado.

(Pois bolama, são coisas minhas de há muito tempo, mas acho que ainda consigo perceber essa alguma 'claustrofobia' que transportas quando te levas de novo de volta. E bem sei: a falta de longitude não tem de ser interpretada apenas num ponto de vista 'geográfico')

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Desejo-nos a todos um Funtástico 2008!!!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A nossa vida era fantástica!


(para quem de direito!)

Relembrando o passado:

Jantar em Vila Pery.

Passagem de Ano no Rio de Janeiro.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Parabéns Benguela




quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

ou quando a noite chegar!



© pampam

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Quando a noite cai...




Olivais Sul, 24 de Dezembro de 2007.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Oliveira de Natal

Algumas luas atrás acordei com uma oliveira plantada na sala. Não acontece todos os dias, ou melhor, nunca me tinha acontecido. Quis sabê-la toda, sem pausas. O diabo da urgência. Olhei-a de frente e pareceu-me conhecida. Cheirei-a e reconheci-lhe o perfume. De sentido em sentido… abracei-a.
Convidou-me a sentar e abriu um velho livro, de cor e odor azeitonados. Era meu e já não me lembrava. Ofereci-lhe incontáveis serões de memória que me transportaram às fundações de mim. E dos outros que comigo dividiram o ferro e o cimento.
Um dia ofereceu-me papel e lápis, perguntei-lhe pela borracha e explicou-me que se deve deixar correr o fio das palavras directamente do coração, sem emendas, sem verniz nem camuflagem. Sábio conselho que nos deixa nus no meio da praça. Expostos, mas totalmente NÓS. Ao desafio disse sim e lá fui contando àquela oliveira de longos ramos pretos, algumas das nossas estórias, outras vezes revivi os muros e as escadas onde até o nada era tudo, falei-lhe das homenagens à flor da pele a velhos amigos com camarote vitalício dentro de nós.
Não é um livro acabado, apenas está escrito até metade, o resto são páginas em branco que escreverei com novas estórias. As páginas em branco dos livros são o futuro, não se devem usar para voltar a escrever o passado.
E os dias na companhia da oliveira continuavam. De costas aninhadas no seu tronco, abrigava-me na sua copa e dividíamos estórias e segredos. Contou-me que um dia se enamorou por uma nuvem. Da transumância das nuvens sobreveio um olhar, uma nuvem parou e olhou-a de um modo diferente do habitual. Tinha a sensação que a olhava debaixo da pele. Nunca nada se fixara nela assim. Estavam neste estado de flutuação quando apareceu o vento. Dominador e zeloso da ordem das coisas, apontou à nuvem o seu caminho. Nesse dia, a oliveira entendeu que, ao contrário das pessoas, nunca poderá escolher o seu caminho.
Um dia, aproximou-me dela e contou-me um segredo. Tinha vindo para o Natal. Amiga do pinheiro que enfeita os natais em minha casa, pediu-lhe para que a deixasse substituí-lo. E assim, neste Natal, é a oliveira de longos ramos pretos que com as suas azeitonas multicor, nos faz companhia e protege as ofertas que a seus pés se abrigam.

A todos um bom Natal! Hoe! Hoe! Hoe!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Atão, coméqué?

Beijos e Abraços e Boas Festas!



Depois deste momento grandioso e pela última vez, volto a este assunto.



Quem quiser alinhar numa cena destas (12 Jan 2008/12h00), só precisa confirmar a sua presença, aqui ou noutro sítio qualquer que eu chegue lá.


Inté, com muita e boa onda!

Celestino


© Marcel Marlier, casterman

Uma outra imagem do Celestino.
( aqui imortalizado nas aventuras da Anita )

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Outono nos Olivais



A escultura do Sam



Imagem: Intrusa

A Quinta Pedagógica (pelo olhar de uma Intrusa)