«Ou será que Cesare Pavese tinha toda a razão quando disse: NADA É MAIS INABITÁVEL DO QUE O LUGAR ONDE FOMOS FELIZES?»
Bela frase da Maria.
Pegando nesta frase e transportando tudo para o que nela me faz entrar no mundo infantil na rua onde nasci (Rua Cidade de Bafatá, nº33) fico confuso.
Fui feliz naquela rua? Tão feliz que me seja insuportável lá voltar?
É verdade que passei naquela rua maravilhosos momentos, brincadeiras doidas de miúdos que passavam todo o tempo disponível na rua... e quando se está na rua e não há brinquedos o que se faz? Inventa-se... Essa vivência deu-me muita felicidade, muitos ensinamentos...
Mas também foi nessa rua que soube da morte do meu pai... foi nessa rua que chorei quando me morreu o cão que adorava, foi nessa rua que apanhei sustos tremendos, tiros nas janelas, assaltos, etc etc...
Foi nessa rua que tremi quando bandos de outros putos da rua, esses um «bocadinho» mais selvagens que nós, entravam por ali e nos roubavam as coisas...
Enfim, não diria que foi uma rua onde só vivi felicidade. Não! Vivi de tudo, felicidade, tristeza, amizade... Foi uma vida completa.
Talvez por isso, não se aplique ali a frase de Pavese, não é nada inabitável aquela rua.
Mas, se me perguntarem: «Gostavas de trocar a casa onde vives por uma vivenda na rua onde nasceste?»... confesso... Os Olivais já não me atraem... Gosto de lá ir ver uns amigos.
Tenho curiosidade em ir a sítios onde ía em puto... e pouco mais!
Rua 2, nº 33, Rua Cidade Bafatá!