quarta-feira, 16 de julho de 2008

Aqui está, Fula!

Se é para abancar que se faça com um certo "je ne sais quoi"...
Abanquemos então!



segunda-feira, 14 de julho de 2008

a roda dos amigos


juntamo-nos em roda. lembro-me que tantas vezes foi assim. juntamo-nos em roda e ficamos ali de pé a passar a vez da palavra, da conversa. tiro a fotografia, sei que ficou mal, os pixels, sempre os pixels, alguém, mais à frente, há-de dizer, liga o flash, pá, eu faço de conta de que não percebo, gosto destas fotos de legibilidade reduzida, gosto do grão da noite, depois hei-de tirar uma ao grupo, a pose final, tem de ser, mas é sobre esta que eu vou pensando que gostaria de escrever um post. tenho-a na cabeça. os olhares. passaram-se trinta anos, todos nós já fizémos milhares de rodas, às vezes passávamos os charros nestas formaturas cívis, mas é sobre esta agora que eu vou pensando que trinta, vinte e tal anos depois, olhamos de maneira diferente. o tempo é em nós diferente. não sei mais do que isto, a diferença do tempo. é nela e não no substrato capilar que noto as grandes modificações. nestes vinte e tal anos andei por caminhos meus, e não fosse esta olivesaria virtual, nunca teria chegado aqui. às vezes falam-me de alguns nomes como se eu os tivesse conhecido sempre e eu faço que sim com a cabeça, gosto de fazer que sim com a cabeça, eu só me lembro dos nomes mais antigos. mas nada disso me causa estranheza, muito pelo contrário, a mim que a razão, o entendimento, o perceber, o perceber-me, eram cada vez mais verbos intransitivos, dou-me conta que quando estamos juntos há um perceber que me chega instantaneamente ao entendimento. olho para eles e começo a gostar de mim, de ouvir o meu nome. começo a gostar de ter vivido estes anos todos da minha vida, de ter vivido estes anos todos à minha maneira, e de essa minha maneira, como todas as maneiras de cada um que se chega à roda, nos aproximarem. há vinte e tal anos eu não saberia que as nossas vidas, os nossos tempos seriam capazes de olhar assim para o que as nossas vidas fizeram de nós.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

... na marginal !

... de Maputo, entro em noite quente, de graus e gentes moçambicanas, preparo-me para um repasto em bom no Zambi, ali na Marginal com vista de futuros e nostalgias, estou com colegas de longa data, dirijo-me à mesa e vem de lá, do canto ou de outro lugar, cara amiga, gente mais minha ainda, abraço interrompido décadas atrás, claro que te conheço Bolama, o PP continua avariado, os meus pais estão velhinhos, os teus também, prometo ligar quando voltar, para que me mostres então os Olivais dessa terra...

Abraço mesmo ....

quinta-feira, 3 de julho de 2008

FOTOGRAFIAS PARA A FESTA DOS OLIVAIS

Venho pedir a todos que me mandem fotografias antigas e talvez também mais recentes para podermos passar na nossa festa. podem também enviar outras coisas giras, como bilhetes de concertos, desenhos, etc. As fotografias aparecem sem nomes...

Aos senhores administradores peço autorização para tirar algumas fotos publicadas neste blog, posso?

Mandem tudo para: ruavilapery@gmail.com

A gerência agradece,

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Confirmação do perfil intelectual do Bolama

Eu tinha prometido uns posts atrás contar a minha versão da confirmação do Bolama como verdadeiro intelectual. Como de costume, estou com pouco tempo e tenho pressa pois é quase meia noite e esta história tem de ser hoje. Aqui fica uma versão abreviada: em 1985, um grupo de jovens olivalenses passou o mês de Agosto na Escócia, perto de Inverness, na senda de outros olivalenses idos em anos anteriores, como o Draivimpe e o Belizinho. Uma seca a trabalhar numa quinta de framboesas, nós na parte de selecção e empacotamento por sermos estudantes universitários e poupados assim ao muito pior trabalho da apanha. E a ouvir radio 1 o dia todo (aquela música do Angel ainda hoje me persegue). Estavamos acampados com o resto do pessoal e considerados excêntricos e finórios por termos três tendas, cozinharmos e tomarmos banho todos os dias (pelo menos as meninas). Acabado o mês de trabalho, tinhamos planeado arrancar (lindo verbo) até Barcelona, mas ainda tivemos tempo de ir passear a Inverness, onde eu tirei esta fotografia. Pois o Bolama desapareceu enquanto nós visitámos o castelo e as lojas, e procurávamos algum sítio onde beber café. Quando horas mais tarde nos re-encontrámos neste jardim, o Bolama tinha gasto o dinheiro quase todo a visitar os alfarrabistas e livrarias de Inverness - atentem em parte do espólio à direita da fotografia, por trás do A. E assim foi: o Bolama ficou pela Escócia na penúria, à procura de boleia para regressar mais os seus livros e com alguns dos nossos pertences que generosamente lhe deixámos, e nós apanhamos uma camioneta até Barcelona. Podem ver pela fotografia que estava bem feliz com a proeza. Beijos Bolama, espero que tenhas passado bem o dia.

a pedido de nobre e linda olivalense, divulgo:

CAROS AMIGOS DOS OLIVAIS!

Este é o ANO do nosso re-encontro À SÈRIA!
Pois é! A vida afasta-nos subtilmente do que tanto queremos, dando lugar a um eterno adiar das coisas que verdadeiramente nos dão gozo!
Proponho que todos avaliemos o número de vezes que nas úlltimas semanas ... meses ... ou anos, deixamos de fazer algo verdadeiramente FUN, por motivos profissionais ... pressão familiar, preguiça, cansaço, sono, ou...já grave, por razões que pura e simplesmente inventamos no nosso "admiravelmente complexo" subconsciente.
E que tal deixarmos de inventar desculpas esfarrapadas para não nos distrairmos ... Olha! Olha! Então nós, "Os Puros Olivalenses", quais eternos ciganitos, que enquanto míudos passávamos todo o santo dia (e noite) fora de casa ... a casita era só mesmo para comer e dormir (às vezes).

Vimos desafiá-los para O MAIOR ENCONTRO DE SEMPRE DE AMIGOS DOS OLIVAIS!
Pois é! Como imaginam, terá que ser uma coisa digna da nossa fibra e aventureirismo crónico!

Ahhh e desta vez tragam os vossos MARIDOS/MULHERES/NAMORADOS/AS, ETC!!!


OLIVAIS & FRIENDS - ON BOARD
FRIDAY NIGHT RIVER
· VAMOS JUNTAR O MAIOR NÚMERO DE SEMPRE DE AMIGOS DOS OLIVAIS ... de todas as ruas e lugares de encontro!! QUEREMOS SER 200!!!!
· ALINHEMOS NUMA AVENTURA DIGNA DA NOSSA FIBRA... ENTRAR PELO TEJO DENTRO, A BORDO DE UM VELEIRO MAGNÍFICO!
· JANTAR A BORDO e saborear o vento quente de VERÃO!
· RE-ENCONTRAR AMIGOS, NAMORADOS, NAMORADAS... RE-LEMBRAR a nossa eterna juventude, GARGALHAR até mais não poder!
· DANÇAR a céu aberto e no meio do nosso rio, ATÉ ÀS 02.OO H DA MANHÃ (de sábado)!
· Sorteio de prémio!

QUEREMOS QUE ESTA SEJA UMA NOITE DE VERÃO, VERDADEIRAMENTE INESQUECÍVEL!

Preço: 37€ por Olivalense (incluindo uma refeição volante à base de salgadinhos, bebidas durante a mesma e 4 bebidas durante o resto da noite, sorteio de prémio e muita animação…)

Se alinharem, respondam rápido (até 10 de Julho), pois há que avançar com a reserva do barco. Este preço é garantido para 200 amigos on "board"!

mercesp.machado@gmail.com

Abreijos,

Minta Pinto Machado
Vasco Valença de Sousa

terça-feira, 1 de julho de 2008

... e já lá vão ...

... quase duas semanas de imperiais e caracóis, mesmo a coisa encalorada a pedir tão gelada bebida e lenta companhia, creio chegada a hora de a modorra desaconchegar e, a custo que ainda, reaparecer aqui no canto, debitar histórias, de nostalgia ou polémica, seja, venham comentários anónimos em barda, respostas abrilhantadas com desdizeres polvilhados com perdoáveis e sentidos, logo publicáveis, palavrões, coisa nossa, coisa em voga, no passado e no sempre presente bater de pé .... mas porra, venham de lá, todos ou um só, com post que puxe ao teclar, já não se aguenta este calor e ainda por cima dar aqui um salto, a este muro ou visão dele e não ver ninguém, não ler ninguém, nem Belo e sua escrita de me deixar sentado, nem Fula e ' enquetes ' ou cabras de histórias tão bem arrancadas ao passado, melhor passadas ao papel, Bolamas, Bengas, Manafás, o mundo , todo o mundo , o nosso, meu e só meu quando por aqui me sento e Olivaizo com gosto e saudade ....

Dassssssssss.... voltem, por favor se quiserem, mas voltem, car..... opsssssssss !!!

sexta-feira, 20 de junho de 2008


Amanhã não sabemos...




quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Futebol e a Cidade - Lisboa

"Poderia começar por qualquer outra. Esta é uma cidade de encanto, como de encanto são todas as que reúnem gentes com vida, que criam sua alma e seus encantos guardam, fazem sua e dos seus a história de uma vida, de uma vida com histórias. De futebol também!
Começo por ela porque a esta cidade pertenço, é minha e dela sou, por mais que viva fora ou morra longe!
Nos idos de sessenta, década que me viu chegar e por onde passeei os anos da minha infância e escola primária, o panorama do futebol em Lisboa, como aliás no resto do País, via nascer, explodir e ganhar contornos de mito um senhor chamado Eusébio da Silva Ferreira. Todo o endeusamento o ‘ Pantera Negra ‘ justificou, oferecendo títulos, golos inimagináveis, fotos de uma vida, ‘ petardos ‘ que seriam sua imagem de marca, culminando com um conto de fadas tornado realidade quando em Julho de 1966 e depois de facturar por duas vezes ao Deus Brasil, nos oitavos-de-final do Mundial de Inglaterra, pegou em si mesmo e numa nação atropelada três vezes por uma espécie de David norte coreano, transformando uma inevitabilidade noutra inevitabilidade: 0-3 em 5-3, quatro golos do Rei.
Tudo isto fez com que nas escolas primárias de toda a cidade, no crucial momento de ouvir o coração e jurar o amor eterno, houvesse uma alternativa à magia dos ‘ Cinco Violinos ‘ que tanta alma haviam vestido de verde e branco no final da década de quarenta. Um pouco antes, em 1946, três senhores com os nomes Capela ( guarda-redes), Vasco e Feliciano - à história passados como ‘ as três torres de Belém’- haviam puxado para as cores da ‘ religião ‘ azul e sua Cruz de Cristo, uma série de crentes em dia de votos eternos. Eternos porque .... de Clube NUNCA se muda !
Explica este intróito um pouco das movimentações dos ‘ alfacinhas ‘ em dia de missa e romaria ao estádio. E se a ida à igreja manteve inalteráveis os seus horários, os tempos modernos de imposições e horários televisivos tornou inviável a saída directa de uma para outra devoção. Separando no tempo os acontecimentos de cada tribo e sua cor, transformou um espaço de romarias simultâneas num de peregrinações dispersas por um período que pode ir da noite de 6ª feira até à de 2ª. Em Lisboa e no ‘seu’ futebol, passámos a ver os magotes de gente em comunhão e irmandade com o mesmo emblema, a encher o trajecto até ao estádio, local de culto, com bandeiras, cachecóis - os mais precavidos com a almofadinha para ter um conforto extra no lugar onde sentados iam em busca do seu quinhão de felicidade extra semanal - sem se cruzar e ou dividir cânticos e vivas de apoio.
Desde sempre, de então e até hoje, sentem as sete colinas correr nas suas veias almas de azul e amarelo a circular na Tapadinha do eterno Atlético, de grenat na banda Oriental e seu histórico COL - onde a concentração se faz em tascos com alma e à frente de uma imperial se impõem tácticas e previsões. Pelos lados do Restelo os apaniguados têm garantida uma ida aos pastéis e um estádio com uma paisagem de poesia. Nos bairros daqui e dali, em campos da bola onde habitam clubes de gente imensa e de trabalho, de Palma a Camarate, da Musgueira a Campo de Ourique e outros tantos mais, enchem-se as tardes de cores e credos vários, ganha-se palmo a palmo a sobrevivência ou uma subida de divisão. Por ironia, numa Circular prevista para poucas paragens e estacionamentos, acontece o encontro e paixão de dois emblemas que não se esgotam nem por ali, nem pelas fronteiras do País. O verde e o encarnado da própria bandeira, dividem-se em dois mundos de paixão inigualável no País. Quando se encontram, entende-se a força e profundidade de um termo que qualquer miúdo entende : o derbie !! Um Benfica – Sporting é um momento da mais pura paixão em Lisboa. No País. Nas ex-colónias. No mundo. Onde há gente portuguesa !! Lisboa torna-se assim mais Lisboa !"
[Um texto (catrapiscado de A Jornada) de João Pais, mais conhecido por Jan Jan, portanto, oliveira. Para além disso é também um texto sobre as memórias, as memórias dos bairros e do futebol.E o que a mim - apaixonado pelo pontapé na bola nos tempos da minha juventude mas feroz crítico do peso que o futebol tem em todas as esferas da nossa vida politica e cultural - me dizem as memórias dos jogos de futebol que assisti nas manhãs de domingo, no campo da Almada Negreiros ou no Pote de Água!!!]

quarta-feira, 18 de junho de 2008

a dobradinha

Ao fundo da rua espraiam-se bólides de madeira, quase duas dezenas. Estão pintados de todas as cores e imitam os carros do Fittipaldi, do Stewart, do Cevert, do Ickks com um rigor quase ‘veneratório’. Em redor deles há uma multidão de miúdos e graúdos tão tumultuosa como as que se vêm nas grelhas de partida das corridas que ali se imitam. Há razões para isso. Estes carrinhos de esferas são especiais e enchem o olho de todos os que se habituaram a vê-los apenas como uma tábua. Têm dimensões regulamentadas, inspecções técnicas rigorosas, cargas escondidas para dar lastro, ailerons, bancos e asas, segredos na lubrificação dos rolamentos, mas sobretudo são um primor para os olhos, assim todos aperaltados no início da Rua 5, debruçando-se sobre a descida que os fará competir. Já todo o bairro por ali sabe que em fim-de-semana de grande prémio haverá corrida de carrinhos de esferas no domingo pela manhã e por isso ali se juntam entusiasticamente para admirar a competição .

Após uma semana de treinos cronometrados ganham a primeira linha da partida os carrinhos de esferas vermelhos - são Ferraris. No da esquerda estou eu, embora receie que isso não se repare bem. Aceno folgadamente aos meus irmãos, mais novos. O outro, o mais velho, está atrás de mim na grelha e por isso vou-me virando para trás em claras provocações com a cabeça. Todos temos capacetes feitos dos barris de Skip onde recortámos a x-acto a viseira e cujo topo abaulámos, e que depois pintámos na cor dos originais. O meu é vermelho e branco, como o do Arturo Merzario. Está calor e sinto-me distante do mundo com a visão assim estreitada pelo capacete e o cheiro do cartão misturado com o odor químico a lavado dos restos de detergente. Naqueles breves momentos antes da partida ainda me pergunto se os meus pais, e os pais dos outros, ali na beira do passeio, saberão reconhecer-me assim tão equipado, logo ali, na pole position. Depois de pretender garantir uma boa largada essa é seguramente a minha segunda preocupação.

Aproxima-se a hora e fixo-me na bandeira que vai agora sendo levantada pelo Jaime, cinco, quatro - será que pus demasiado petróleo nos rolamentos? - três, dois - e tinha de ser logo hoje que a minha mãe haveria de descobrir que tinha ido ao óleo da máquina de costura - partida! Podem dar-se 3 impulsos apenas, e é importante não esquecer, senão será a desqualificação. Esta é a parte mais perigosa. Fixamos a mão no alcatrão e esticamos com quanta força tivermos o braço para dar embalo o carro. O primeiro já está - o alcatrão está morno, e enquanto preparo novo impulso exulto por me ver livre das temíveis pisadelas que os rolamentos fazem nos dedos. Segundo impulso. Sinto de súbito um impacto por trás e isso faz-me perder eficácia no momento em que me ia esticar. Três, rápido que há que recuperar. Passam-me o Chico, meu companheiro de equipa e o João, transformado em Ronnie Peterson. Atrás houve ‘molhada’ e presumo que já não seguimos todos.

A pista é desenhada a giz ao longo da rua de alcatrão que desce até às vivendas de lá debaixo. Ziguezagueia em toda a sua largura e aproveita cada obstáculo da forma mais escrupulosa possível. A próxima curva à direita é das piores, quase gancho, e devemos evitar derrapar os carros pois isso faz-nos perder muita velocidade. O João discute com o irmão o topo da corrida, logo ali ganhando-me alguma distância, e agora sobem os dois pela rampa do passeio da casa dos sabbo para descerem na outra à frente da casa do carlitos e voltarem ao alcatrão. Agora é a minha vez e sinto bem a vibração do empedrado. Mantenho-me em terceiro. Segundo!, segundo!, o João foi desqualificado. Em cada curva há um fiscal de corrida – os nossos irmãos mais novos – que deverá levantar a bandeirola se algum de nós cortar os limites da pista. O João já foi! Entretanto sou abalroado por trás, o Nica pois claro, quem poderia ser mais! O carro derrapa, demasiado, demasiado, reequilibro-o ainda com o peso do meu corpo, em contrabrecagem, mas levo outro toque e sou empurrado para a berma da estrada. Parado. Passa um, passam dois, controlo a raiva e preparo o empurrão – nestas circunstâncias cada concorrente pode dar apenas um impulso para ganhar velocidade.

Mais de meia corrida e entramos agora na parte mais rápida. O Chico vai ganhar, viva! O Nica e o Miguel disputam ferozmente o segundo lugar - de cabeças baixas como se isso os ajudasse a cortar o vento, um imitando a trajectória do outro - mesmo antes de entrar na longa recta que os levará até à meta. O meu impulso foi bom e nesse embalo vou aos poucos recuperando distância. Já quase resignado a um lugar fora do pódio, não deixo ainda assim de reparar, orgulhoso, que algum público vai puxando por mim. E depois o imprevisto acontece! Os dois na minha frente engalfinharam-se nos eixos de trás, e acho que o Nica partiu mesmo a travessa de madeira do lado esquerdo. O Miguel acabou por dar um peão completo, mas controlou-o, forçou a derrapagem e conseguiu manter-se em pista, e vai agora recuperando a velocidade com embalos do corpo. Eu venho atrás, mas mais rápido, de lá detrás, já menos atrás, já só atrás. O Chico cortou a meta, levantou-se como uma mola do Ferrari e incita-me agora nestes metros finais. Zzzzzzzzz, quase em cima da meta, perante extasiados aplausos, consigo assegurar o segundo lugar e fazer a dobradinha. Foi a melhor corrida da época … e sem sequer usar o dispendioso óleo da Singer (uma novidade estimada, máquina de costura eléctrica já) da minha mãe.

Nota: Sinceramente não sei se alguma vez chegámos a fazer a dobradinha, mas confirmo que estes dois pilotos da Ferrari foram os vencedores absolutos dos dois campeonatos que se realizaram entre as épocas de 1974 e 1975. O feito é ainda mais assinalável já que éramos os irmãos mais novos em corrida do tipo do Tyrrel e do tipo do Lótus JPS. Muito mais novos aliás. Quase 2 anos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

lembro-me ...

... da rua 4 zona nascente antes de ser alcatroada, das carrinhas da escola, da manhã do 25 de abril e como gritámos que não havia escola nesse dia, lembro-me dos muros e como espreitávamos os decotes das raparigas, das festas nas garagens, lembro-me de épicos derbies contra ruas de longe, de comprar sg's a 5$60 e piratas a dois ou cinco tostões, lembro o caminho a pé até ao d. dinis, da judite e sua incomparável beleza, do pão de açucar supermercado depois pingo doce centro comercial, lembro os guimós e seus perigos, a piscina dos olivais, dos grandes e dos pequenos, a malta das outras ruas, as motas, as ganzas, destas lembro pouco, era mais menino da bola, das bebedeiras, estas lembro melhor, ou melhor não lembro melhor se calhar, lembro de quem esqueci no tempo, da Tosta e sua inauguração, foi do meu Pai o café, trabalhou lá mais tarde um empregado a quem pedia as empadas de encanto, era meu Pai esse empregado, lembro o Tó e a sua rua, o Cheira e as tardes onde começávamos sem perceber a crescer para a nossa saída, lembro tudo e de tudo, lembro a minha vida e de onde sou.

Sou de duas coisas, assim sabe quem me conhece, sou do Benfica e sou dos OLIVAIS. E lembro-me ... de como foi tudo, lembro também com quem dividi os primeiros tempos dos Diabos Vermelhos, Facadas e Paleta, como iria esquecer ? ...

Tenho andado meio arredio ... mas fiquem sabendo ... todos os dias me lembro ... de onde SOU !!

Os pais dos nossos amigos




Ao ler Um chá, pelas cinco da madrugada, ao estremecer diante desta evocação que um filho, um amigo, faz da memória de seu pai apercebi-me, da importância que tiveram para mim os pais dos meus amigos mais próximos e da forma como, sem o saber, fui completando neles a ânsia de referências, de modelos e até do sentimento de protecção que, enquanto cria, precisava . Foram bastantes. Lembro-me das mães lá da rua: a do Xai-Xai, a da Mocha, a do Marco. Dou-me conta de que, excepto a Arlete - mas a Arlete foi essencialmente uma amiga que muitas das vezes esqueciamos ser a mãe do Pedro - nos primeiros tempos as principais referências eram as mães e depois, na juventude tardia, os pais. O pai do Zé, o Maestro Oliveira. O Manuel Alpiarça. O Costa Malheiro, que me fez lembrar - pelo à vontade com que se dava connosco - o meu tio Joca. Entre todos eles este homem franzino, com "esse ar de principe da Baviera", que recordo de tantas conversas e de tantas vezes.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Léxicos olivalenses: "Achandrar"


Achandrar ou axandrar - termo frequentemente utilizado para ilustrar a intenção de moderar comportamentos e/ou opiniões

Exemplo de aplicação: “anda aqui muita palavra à solta, agora vou-me é achandrar uma beca

quarta-feira, 11 de junho de 2008

...


o tipo da música