domingo, 25 de janeiro de 2009

comércio nos olivais

comércio tradicional

Vendedores ambulantes asseguravam aos habitantes pioneiros,o abastecimento de bens alimentares.
João H. Goulart (Arq. Fotográfico Municipal de Lisboa)
in À Escala Humana,
João Pedro Silva Nunes
E não só, acrescento eu. Repare-se na Fascinante roulotte no canto inferior direito da foto…

comércio modernoSupermercado Pão de Açucar nos Olivais, Lisboa, 1977.
Vasques, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Sugerida por Marco Oliveira (João Belo III)


comércio... p'rá ressaca Farmácia na Rua Cidade de Quelimane
João H. Goulart (Arq. Fotográfico Municipal de Lisboa)
in À Escala Humana João Pedro Silva Nunes

por: Xai-Xai

sábado, 17 de janeiro de 2009

há bocados dos olivais ...





















... que chegam ao Algarve

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

fazer eco

... deste APELO

(aos participantes neste blog peço desculpa pelo abuso)

por

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

mar e rocha que podiam ser dos nossos‏

As horas voavam e, como sempre, Marilu seguia em passo apressado para não perder o 21, essa era sua sina, chegar sempre às últimas e perder a chance de agarrar lugar sentada, amanhã haveria de ser diferente, jurava com a mesma força e certeza de tal não acontecer. Chegado o autocarro à paragem, lá se arrastou com a carneirada em passo de pinguim, entrou por onde e como pôde, mais não desejou que qualquer coisa a que se agarrar com uma das mãos, que a outra serviria para lhe facultar a leitura para viagens como aquela, assim, quase sempre assim, fazia Marilu o percurso Av.de Berlim-Rossio que a havia de levar ao escritório. Naquela manhã, embrenhada que estava em leitura de conto de amor, levou tempo a aperceber-se que o inicialmente leve toque em partes suas, por trás bem se vê, se repetia numa cadência que não deixava margem para dúvidas, num crescendo de quantidade, qualidade e pressão, a coisa era propositada, invulgar e bem feita. Refeita do choque da descoberta que lhe distraía a leitura e, pior que isso, a trazia numa polvorosa húmida, que mais que preocupá-la a fazia engasgar em seco, deixou a coisa arrastar-se até ao ponto em que mais não, tal foi após ter gozado uma doce e violenta descarga eléctrica que lhe percorreu as entranhas e ecoou num gigante gemido interior de que não tinha memória em si. Sem aviso, que a coisa não era pública nem de requerer tais atenções, espetou uma cotovelada fortíssima no parceiro de trás, juntando à falta de aviso no gesto, a cirúrgica aplicação na força e local, como aprendera num prospecto de ginásio de Krav Maga, e que tomara por certo e seguro ser de uma inutilidade a toda a prova. Puro engano.
Alberto, Rocha de apelido, seguia sossegado em sua viagem, assistido pelo fiel parceiro de sempre, um lindíssimo Golden Retriever, com artes e conhecimentos de geografias citadinas, com lealdades e solidariedades tais que dele faziam um cão guia de truz! Foi pois como um raio que recebeu aquela descarga de cotovelo, que por pouco não o prostou de borco, dando-lhe que fazer nos dez minutos seguintes, qual fosse a tarefa de tentar reencontrar espaço para conseguir respirar, não ver era uma coisa, não meter ar ao bucho outra totalmente diferente e que não ia lá com cães-guia. O cão, esperto como só os cães das histórias sabem ser, apercebeu-se de imediato que o dono carecia de um amparo extra e, ainda que contrariado, viu chegar a hora de terminar suas focinhadas carinhosas pelo entremeio daqueles jeans com aroma a pecado e algum tesão. Chegou-se ao dono, que de imediato deu sinal de trela que a coisa era de estar sossegado e por ali, pois que alguém mal lhe queria, já que pelo menos a carteira não o era.
Chegada a viagem ao Rossio, vendo o personagem de bengala e cão ainda um pouco combalido, Marilu esqueceu pressas e correrias e cedeu uma mãozinha de solidariedade, ajudando-o a desenvencilhar-se por entre a turba formigueira e mais rápido chegar ao ar livre que lhe parecera o homem necessitar. Acabaram por dividir atenções um pouco mais, num café tomado no quiosque ao lado da paragem dos táxis, e onde nenhum dos dois resolveu trazer à colação as estranhas incidências na viagem acabada, limitando o assunto ao frio que fazia e a perguntas e palpites acerca da vinda da chuva ou não. O Golden, semi cabisbaixo, questionava-se se porventura sobraria para ele, tal era a capacidade detectivesca do Rocha seu dono, e palratória da moça cheirada, que ali sorvia o café por entre uma conversa sem nexo. Chegaram as despedidas, de alivio para uns e tristeza para outros e partiram, cada um a seu caminho, que a vida custa a ganhar.
No dia seguinte, Marilu, acometida que fôra por uma insónia que a não deixara dormir e a que não era alheia uma investida cadenciada em partes suas a que vinha dando pouco ou uso nenhum, saiu cedo cedinho de casa, chegando pela primeira vez à paragem a horas tais que à chegada do autocarro estava ali perto da frentinha da fila mesmo, o que veio a ter o nunca visto resultado de conseguir lugar sentada. Ainda mal refeita da conquista, subia o veículo os primeiros metros da longa subida até ao shopping, à esquerda o cemitério ficava para trás, olhou ao lado e não sem surpresa e o seu quê de emoção reencontrou o cego da véspera, já ele se apercebera que ela chegara, o cão também, que nisto de olfactos a coisa piava fino e o perfume dela não era coisa de passar despercebido, outros cheiros mais escondidos também não, dono e cão em sintonia.
- Desculpe, nem me apresentei ontem ... Maria de Lurdes, ou Marilu, mas os amigos chamam-me Mar, como se mar houvesse por estas terras de olivais ...
- Que prazer, Alberto, ou Beto, mas os amigos chamam-me Rocha ... e rochas olhe que sim, que as há, por entre oliveiras e muros aqui do sitio
- Engraçado ... fica-lhe bem . E o cão, o seu cão, como se chama?
- É o meu guia ... chama-se Mexilhão, era para ser Brisa, mas não quis confusão com o rio, o tejo, se me faço entender!
A viagem decorreu em animada cavaqueira, o Rossio chegou em três penadas quem diria, desta vez não houve incidentes, para tristeza de um e uma, gáudio de outro. O cão, esperto como só os cães das histórias sabem ser, sentiu algum remorso e leal desconforto ao perceber-se com novo papel no dito popular, substituída foda por culpa no momento de Mar bater no Rocha, e tudo por farejados cheiros nela ... em sonhos desejados, à evidência negados e afinal atreitos a finais de falta de ar colectivo!

Bafatá

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Em varejando bem

... lá acaba por nos cair nas mãos mais uma azeitona!















O Ricardo Cabral é autor de banda desenhada, ilustrador e tem um belíssimo blog (de onde foi extraída esta ilustração sobre lisboa) ... e aqui também*.

* acrescentado após alusão nos comentários deste post

Ainda que razoavelmente mais novo que a maioria dos frequentadores deste bairro, perdão, deste blog, será que alguém o conhece?

E vai mais um para a coluna dos links.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Em busca do arco-íris


Ao chegarmos à rotunda do relógio encontrámos, eu e o Apicultor, um arco-íris muito forte, quebrado em dois. Viemos encontrar uma das metades já dentro do bairro. Fez-nos bem este gesto de perseguir um arco-íris. Apetece-ne colocá-lo como expressão dos melhores desejos para o ano que começa.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

portões que vale a pena abrir...


© violeta figueiredo e pedro morais

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feliz Natal e abafadores translúcidos e sorridentes‏

Bom dia!

Falou-se várias vezes neste blogue, ultimamente, de berlindes, guelas, bilas e...abafadores, aqueles berlindes enormes que faziam já não sei o quê aos outros, mais maneirinhos. Pois há anos que eu não via um abafador. Os meus filhos tiveram berlindes, sacos enormes cheinhos de berlindes, mas, com os anos, todos foram desparecendo, levados pelo acaso e pelo esquecimento.Talvez um dia sejam encontrados debaixo do solo, por uma civilização qualquer que já não brinca com berlindes, e que se interrogará por que razão aquela civilização perdida terá construído objectos tais, redondos como planetas num microcosmo qualquer.

Pois um destes dias, nas arrumações que sempre faço antes do Natal, e enqunato procurava algo de completamente diferente, talvez a chave de um armário ou uma lanterna, deparo-me, no meio de um monte de coisas sem nome nem destino, ao fundo de uma pequena gaveta, com um...abafador. Sozinho, sem maneirinhos à volta para «abafar», isolado no tempo e no espaço, ali estava ele, verde, translúcido, enorme, solitário, lindo!.... Ocorreu-me imediatamente o que Jung andou a dizer sobre a sincronicidade, ou seja, a possibilidade de não existirem acasos, de não haver coincidências, mas sim um entrelaçamento, como se estuda na física quântica, de factos e acontecimentos encadeados que levam a um único destino, sempre. Ali estava um abafador dos velhos tempos, piscando-me o olho, sorridente e feliz por ter sido encontrado. Sorri também. Ei-lo! Há anos que não falava nem em berlindes nem em abafadores e ei-lo ali, de repente, poucos dias depois de ter relido alguns dos textos aqui no blogue sobre o Tempo dos Berlindes. Guardei-o, desta vez num lugar especial. E, daqui a uns anos, quando de novo abrir a caixa em que o guardei, lembrar-me-ei de certeza da razão por que o fiz. Algo vaga, mas que talvez tenha a ver com isto: o passado está sempre presente, de uma maneira ou de outra, infiltrado em tudo o que fazemos e dizemos. Bom ou mau, é o que somos agora: presentes do passado num futuro que com estes se entrelaça. E, como falamos de presentes e estamos em época deles, aproveito para desejar a todos um Bom Natal, com tantas coisas boas e que vos tragam tanta felicidade como um dia este «abafador» trouxe a alguém. Um Natal lindo, verde, translúcido, que «abafe» todas as tristezas e faça resplandecer o espírito de todos os meninos, de todas as meninas, de qualquer idade.

FELIZ NATAL!

por Maria Correia


Nota editorial: Esta contribuição havia sido enviada para os bastidores deste blogue, pela sua autora, com a antecipação suficiente ao dia natalício a que faz referência. Só a inépcia desta equipa de administradores do blog, que apesar de serem muitos não servem de muito para a unica função que têm a cumprir: editar, e muito menos em época de rabanadas, impediu a sua publicação atempada. Não obstante, e porque este texto evoca muito para além do natal, acreditamos que não perderá oportunidade mesmo que com esta lamentada edição tardia. À autora, as nossas desculpas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

apenas para manifestar o desejo

do melhor natal possível
para todos os olivalenses e suas famílias,

e pronto, para o resto da humanidade também, vá lá.


(espaço reservado a um boneco alusivo que um dia um de nós aqui há-de deixar)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

estória (comprida) na esquadra dos olivais

"O Sr. Guarda já terminou? Muito bem! O tribunal sentencia o réu em pena de prisão, remissível em coima no valor de 15.500$00."

Esta sentença, ouvia-a eu da boca de um meritíssimo juiz no Palácio de Justiça de Lisboa no dia 14 de Junho de 1984.

Tudo começou a meio da manhã dessa quinta-feira quando saí de casa na minha Vespa amarela (fiel companhia que ainda hoje mantenho), para uma recolha de agriões em casa de fornecedor amigo e que por mero acaso não estava em casa. No caminho de retorno encontrei, um Novo Redondo bom e velho parceiro de muitas horas olivalenses e sesimbrenses.
“Bute aí, levo-te a casa” – convidei eu.

Junto à paragem do 21 próximo da igreja, a tal que o Fula incluiu em roteiro turístico proposto a uma “Intrusa” que por aqui passou, o percurso foi interrompido por uma arreliadora sirene que se declarou, atraída pela ausência de capacete do amigo Novo Redondo.
Acontece que por má fortuna minha, não foi a única ausência que captou a atenção do Xô Guarda que nos interpelou. Interessou-se igualmente pelo facto de eu estar a conduzir uma mota de 125 c.c. sem estar para tal habilitado, isto é: “… não tem carta de condução???”
Ouvi então a primeira sentença do dia: “Todos para a esquadra… e já!”
A firmeza autoritária de um fardado, só encontra paralelo na cobardia da sua versão civil, testemunhei eu na minha passagem pela instituição militar.

Chegados ao posto, fomos intimados a aguardar, nos característicos bancos de “sumápau” que decoram as esquadras. Nesta altura já se tinha atenuado o receio que revistassem a Vespa e me fosse pedida justificação para a existência de uma balança na “mala” da viatura. Em boa verdade, tudo é possível na cabeça de um polícia, incluindo não entender que é perfeitamente normal andar a passear pelos Olivais com uma balança, “debaixo do braço”.
Enquanto isso, o “nosso” polícia ia entrando e saindo da esquadra sem demonstrar grande pressa em iniciar a tramitação processual. De tal modo, que me convenci da intenção do agente em nos “pregar uma grande seca”, e em seguida mandar-nos em paz para o afago do lar, para onde ele iria igualmente quando terminasse o seu turno a meio da tarde.

Aqui chegados, convém lembrar que o tal dia 14 de Junho de 1984, não era, futebolisticamente falando, um dia qualquer. Nesse dia, a selecção nacional jogava com a Alemanha Federal (ou Ocidental como também era conhecida), o primeiro jogo da fase final do Campeonato da Europa, campeonato esse onde nunca tínhamos participado e que apenas encontrava importância análoga no Campeonato do Mundo em 1966(!). Certamente que estaria nesse acontecimento a explicação para o facto do polícia não pretender avançar com situações que poderiam muito bem desaguar em trabalho extraordinário.

Tudo se encaminhava para um fim feliz como no mais feérico dos contos, quando o Novo Redondo desta estória resolveu na melhor tradição olivalense, questionar o cumprimento das regras de boa conduta policial afixadas em quadro na parede do “estabelecimento”.

“O polícia apresenta-se sempre bem ataviado”
Sonora risada e comentário pouco abonatório.
“O polícia dirige-se educadamente aos cidadãos” sonora risada e comentário pouco abonatório.
E foram-se sucedendo as sonoras risadas e os comentários pouco abonatórios.
De tal modo que o sub-chefe de serviço, furioso e agastado com as observações, aproveitou uma ausência do polícia responsável pela detenção, e comunicou com o Tribunal de Polícia na Av. Marquês da Fronteira informando que se iria apresentar para julgamento um “meliante” que conduzia sem carta de condução.
E assim mesmo sucedeu.
O Novo Redondo foi mandado em paz para casa e após séria discussão entre o sub-chefe e o polícia da detenção lá foi este, contrariado e mais aborrecido que um deputado em dia de plenário na A.R. acompanhar-me ao julgamento no Palácio de Justiça de Lisboa.

No percurso, afinámos a estratégia para que tudo se desenrolasse de forma célere e limpa, pelo menos para o meu cadastro.

Arribei ao Palácio acreditando que o depoimento favorável do representante da autoridade, aliado a duas ou três lágrimas de crocodilo, me fariam passar incólume na sentença judicial.

AZAR o meu…
O meritíssimo de serviço, partilhava do nosso gosto pelo futebol e tanto assim era que já tinha recolhido a casa deixando o contacto telefónico para a eventualidade de algum “fora-da-lei” aparecer mas certamente convicto que tal não iria suceder.
AZAR o dele… e o meu!

Obviamente que quando o telefone tocou e foi informado de que havia “trabalho”, a minha condenação ficou garantida. E com toda a razão, acrescento eu. Não se interrompe impunemente a pacatez caseira de um juiz de serviço ao Tribunal de Polícia no Palácio de Justiça.

O julgamento foi rápido e no melhor estilo antes de ser já o era, fazendo lembrar Guantanamo.

Cumprimos todos a nossa missão:
Eu ofereci comoventes, intensas e sentidas gotas lacrimejares que réptil algum seria capaz de igualar;
O Xô Guarda enalteceu todas as minhas qualidades humanas, fina educação, trato irrepreensível e todos os encómios que a inspiração proveniente da vontade de ir assistir ao jogo rapidamente, lhe fornecia;
O Sr. Dr. Juiz, foi ligeiro e assertivo:
"O Sr. Guarda já terminou? Muito bem! O tribunal sentencia o réu em pena de prisão, remissível em coima no valor de 15.500$00."

P.S (1). Esta estória teve um final tântrico. Apenas terminou 13 meses depois quando paguei a última prestação da coima. Tinha terminado a tropa e estando impedido de voltar a estudar por ter atingido o limite parental de 3 anos escolares chumbados, encontrava-me na situação de desempregado sem capacidade financeira para pagar a multa.
A solução mais natural foi solicitar um empréstimo aos meus progenitores. Para minha grande surpresa resolveram dar-me uma lição.
“Estás sem dinheiro? Não tens rendimentos? Explica isso ao juiz e pede para pagares em suaves prestações” E assim foi, pedido apresentado, deferimento conseguido e após a liquidação da primeira prestação de 3.500$00, dirigi-me invariavelmente, no início dos doze meses seguintes à C.G.D. do Palácio da Justiça com as respectivas guias preenchidas, pagar os 1.000$00 acordados.
Não sei bem porquê, tornei-me averso a multas e foram muitas poucas as que tive até hoje.

P.S. (2) Portugal empatou 0-0 com a Alemanha Federal. 5 anos depois deixou de ser Federal porque alguém se encostou a um muro que por lá havia, derrubou-o e ficou vazio um mastro na sede da ONU.

xai-xai

actualização de links (*)






Na coluna da esquerda foram suprimidos da secção "oliveiras por aí espalhadas" três blog's de autores com origens olivalenses que há um tempo significativo nada editam, a saber: "a memória inventada", "colheita de 63" e "antigamente". Estes blog's, porque continuam disponíveis, transitarão então para uma nova secção a que chamámos "oliveiras em pousio" para que assim os distingamos daqueles que continuam com uma actividade de edição regular.

Não se retiraram ainda desse espaço outros blog's que neste momento se encontram com declarações de encerramento por se levantarem duvidas sobre a efectiva irreversibilidade dessa determinação, já que os seus veteranos autores são várias vezes reincidentes nesta intenção de mortalidade dos seus blog's. É o caso do "apenas+1", sete vezes autodeclarado defunto e do "ma-schamba" que, senão tantas, outras muitas vezes se (re)encerrou também. Vigiaremos de perto os humores desses sítios antes da excisão final.

Entretanto têm sido acrescentados novos links a blogs de olivalenses sempre que estes nos forem notados, como foram recentemente os casos do "nuno fonseca (illustration)" e do "os amigos de alex". Aproveitamos para fazer um apelo a quem souber de outros blog's que por essa condição devam ser aqui divulgados que façam o favor de nos informar.


(*) ou Elos - de acordo com a ortodoxia do léxico português veementemente defendida pelo saudoso Bolama

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Oa amigos

Haverei de escrever sobre isto, os amigos, penso enquanto o carro roda a alta velocidade na direcção Sevilha-Lisboa. Desta vez vamos por baixo, pelo sul, um caminho que eu fiz a primeira vez imaginariamente, quando resolvia o itinerário de uma personagem, a Esmeralda, que durante alguns anos fez a sua travessia do inferno pelos bares de alterne à beira da estrada, entre Huelva e Granada. É o Xai-Xai que conduz. Pelo espelho retrovisor olho-o e vou-me divertindo a tentar descobrir o meu amigo de primeira adolescência. Tinha o cabelo mais comprido, eu sei. Era mais doce também, éramos todos. Ainda não tinhamos tantos tiques, tantos trejeitos, tantos gestos repetidos. Mas parece-me o mesmo, pelo menos fisicamente, pelo menos no pequeno recorte de gente que um espelho retrovisor é capaz de fazer. O seu cabelo escuro, sem entradas nem madeixas brancas ajuda. É claro que mais tarde, quando ele puser os óculos eu vou pensar, ele vai ser o que, de todos, vai ficar mais parecido com o seu pai, mas agora, sem lentes, naquele pedaço de rosto, parece-me tão igual ao que ele era. Ao seu lado está a C. a sua mulher e ao meu lado a D., a minha namorada, e elas, sem sequer precisarem de abrir a boca contam de nós a história que falta mas naquele momento em que o olho é como se a mim mesmo se me visse naquilo que eu também fui e cuja narrativa fui esquecendo. Quando vejo nele, quando consigo ver nele o Xai-Xai de há trinta anos, e porque não me vejo a mim senão através desta projecção, é também a mim que me vejo, há trinta anos. Vou assim, de Sevilha a Lisboa numa viagem que é mais do que isso, uma peregrinação pelas minhas memórias, por memórias que eu não sabia existirem. O leite nido com nesquik arranjado pela Urânia, a empregada do Xai. Aqueles lanches latagões do ZAC que queria crescer, ser forte e robusto. Os fins de tarde, até, do andar debaixo algum dos meus irmãos me virem chamar para jantar - e eu hoje já sei o que o meu filho passa quando eu tenho de interromper as suas brincadeiras com os amigos para o chamar para jantar - e dos quais já não recordo nada senão esse sentimento de conforto que tinha. O pai do Xai que chegava e que trazia sempre fato e gravata e uma mala preta de negócios. As escavações de fósseis no termo do prédio. As tardes de futebol. A certa altura eu e o Xai declinamos em voz alta os nomes das equipas, dos craques. Não tenho nostalgia pelos lugares perdidos e a infância será sempre um lugar perdido. Tenho algum desconsolo porque por vezes me parece que o céu era mais azul, que o sol e o próprio tempo fiavam de outra maneira, mas não tenho nostalgia. E o mais curioso de tudo isto: ao olhar os objectivos deste blogue, o destravar do rememorejar, poder-se-ía pensar que o que verdadeiramente nos une é uma espécie de regresso ao passado. E não é, descubro naquele recorte de rosto que o espelho retrovisor consegue capturar, como já o tinha intuído no bem estar com que me sentava àquelas mesas de pinchos e tapas, aquilo que verdadeiramente nos une, e o Fula disse-o dois ou três posts abaixo, é a percepção daquilo que nunca saberíamos entender há cerca de trinta anos: que a diferença pode aproximar. Vejo-me neles, neste pequeno grupo de ciclistas para a fotografia das ruas de Sevilha, no gosto de acamaradar, de descobrir, de partilhar. A diferença e o tempo trataram-nos bem, entretanto.

Apontamentos de Sevilha

A certa altura os nossos passos levaram-nos àquela igreja, da qual já não recordo o nome, que tinha um monumental altar, todo encrastado em talha, do chão até ao tecto. Era monumental. Espalhámo-nos pela ala lateral para não interferirmos com o ofício religioso que decorria. Na zona central da igreja, no púlpito, um padre falava aos seus fiéis, muito poucos. Aliás a dimensão do espaço, o gigantismo da sua construção, da pedra, da talha e de todos os ornamentos que mais pareciam fazer desaparecer a pequena legião de paroquianos que escutavam o sermão, já de si introduzia uma nota dissonante: o padre perorava sobre o peso dos objectos na nossa vida, da manifestação apoteótica do material, e fazia-o num lugar que era por si próprio a exaltação e a exarcerbação da ostentação e da conversão das paisagens imateriais ao domínio do objecto, da matéria.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

é só varejar a blogosfera

... e é vê-las cair !

mais uma azeitona,
mais um testemunho

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

que os destinos são apenas o território onde nos juntamos aos que connosco lá chegam


Este fim-de-semana fomos a Sevilha. Dia 1 de Dezembro (essa exaltação pátria do tareão com que despachámos aquela malta e enviámos o outro da varanda abaixo) não se afigura ser um dia muito oportuno para ir a terras de Espanha, mas a verdade é que lá os dias não estavam tão ásperos - pelo menos não choviam vendavais como retratavam as notícias que nos chegavam daqui de longe.

Sevilha é Sevilha e não haverá muito para acrescentar às tapas, ao tablao e à giralda que todos certamente já conhecemos. O que varia em Sevilha serão as companhias com que, de cada vez, a desfrutamos. Desta vez fomos com malta da nossa criação, todos gente daqui também, deste blog, pela mesma condição.

Esta Sevilha foi das melhores. Comentávamos os dois, eu e a minha olivalense, que nunca gente tão diferente parecerá tão igual. O Bengas espirrou um pouco, o Belo guia que nem um louco, o Xai não levava as notas de viagem completas mas, ainda assim, talvez pelas nossas companhias femininas, sublimes, passámos uns dias maravilhosos.









































por Fulacunda

artphoto (c) XaiXai