terça-feira, 22 de janeiro de 2008

o fim das hortas...

(1996-97)


...
(2007)

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É preciso não esquecer o que as hortas representaram para a economia doméstica de muitas famílias do bairro.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

o Poço da Morte

ou
A MORTE DAS HORTAS
De Abril 1993...











... a Março 1995.

Uma "morte" bem documentada!

Ainda a grande muralha de betão

Aquelas imagens que o Beira aqui colocou e essencialmente o título, dando-me conta de que afinal o meu percurso de vida me aproximou de uma visão comum sobre o espaço, sobre o lugar, sobre a forma como os habitamos, com pessoas que até aqui só conhecia por fora, deram um novo alento a esta ideia de pertencer a um blogue como a Olivesaria que, por vezes, se assemelha a um grande café virtual que reune os diferentes botecos de venda de tempo livre que se ocuparam das nossas adolescências comuns. E que nos revestiram a todos de um película, uma pele, multiresistente à erosão do esquecimento. Eu não sei de onde me vem esta pulsão para um sentimento comunitário face a estas oliveiras, a este linguarejar olivalense. Nem o sei medir ou qualificar. Só sei que por vezes me atrai, outras me afasta. Mimetizando assim a vivência que tinha com os cafés reais do bairro. Onde na mesma tarde podia ir de uma tremenda seca até a uma enorme aventura. Eram lugares de ócio, de vazio, mas também de febre, de febre azul, amarela, verde, lilás, arco-íris. E naquela altura não lhes havia alternativa. Quer dizer, crescemos assim. Podíamos mudar, chatearmo-nos de outro modo e de outra maneira, combatíamos com uma imaginação e denodo que já não temos hoje a grande instituição que nos acompanhou o crescimento, a seca, o tédio ( e que se limitava as mais das vezes ao tempo em que tinhamos de ir aos consultórios médicos) mas, enquanto adolescentes, estávamos presos a um estádio de desenvolvimento em que a liberdade era uma metáfora, uma utopia, um sonho. Agora já não é assim. Tenho quarenta e cinco anos e a única vez que apanhei uma seca nos últimos anos foi quando estive à espera de uma consulta no Centro de Saúde. E embora faça, com um sorriso nos lábios, muitas coisas que os meus dezoito anos achariam entediantes e insuportáveis, congratulo-me com tudo isso. É a minha vida, a vida que tenho para viver. E não é só isso, claro, já me perdi no que estava a dizer. É aliás por isso que muitas vezes evito cá vir. Sempre que cá venho começo a falar, a falar e depois perco-me. Eu estava a dizer que o post do Beira me relembrou de que há uma zona do pensamento onde eu me reconheço próximo de um sentimento comunitário com o Olival. É o rememoriar, o tal remurmurejar, isso é a seiva, mas há mais qualquer coisa: a ideia de que o trabalhar sobre uma determinada percepção do que foi viver nos Olivais possa ajudar ao próprio ofício de construirmos os lugares, os bairros, as próprias cidades. E de facto a metáfora da grande muralha é perfeita - e poupa-nos tantas palavras- para explicar porque e onde é que se foi longe de mais na ocupação volumétrica das antigas hortas, porque é que se foi longe de mais no negócio especulativo.

A Grande Muralha...



antes as hortas que tal sorte...

domingo, 20 de janeiro de 2008

draivimpe

bem que podias chegar-te à frente

... nem que fosse para mandar um piropo a uma qualquer feijoada ein?
Não foi bem nos Olivais, mas lembro-me da última vez que assisti a um concerto dos Xutos e Pontapés. Não tenho bela memória do evento todo -, mas Xutos são Xutos e lá avancei. Lembro-me, já bem trintão, de estar com um tipo chamado Hernâni (um "heavy", cabedal, correntes, alguma obesidade e farta cabeleira, para além da barba ainda maior do que a minha) ali à segunda fila, fazendo o X. A rapaziada à volta não percebia bem, nem a nossa diversão, nem o barulho em cima do palco - que a praga ainda não tinha levado a Zaida Lhongo, e ela é que aquecia. Lembro o espanto, no final, do Kalu "eh pá, estes tipos não gostam de rock?". Pois não ... mas também ninguém tinha perguntado a quem sabia.

Antes, ali ao fantástico Mercado do Peixe, ofereci (passe a falta de humildade de o dizer agora) um grande jantarada. O Vitorino (afinal um gajo porreiro) fez uma bela massada de peixe, eu e a Isabel R. carregámos os vinhos. Os Xutos todos juntos à mesa, nítida banda rock. O resto a misturar-se, um pouco no "quem és tu?" um outro "como é que é isto tudo?", uma conversa porreira com o Sérgio Godinho sobre o onde estávamos - óptimo, alguém com interesse pelo onde vai. O Juca santomense, noutro registo, a oferecer discos, a cair no goto à gente ...
Acabados os tintos, assim para o meio-marados, que era o que se arranjava por ali, avançámos para uma "festa privada", que é a maneira de dizer que o Andrea não estava, ido a Itália a ver a família, e assim a Nice, a "Princesa de Pemba", para aí a miúda mais bonita de Maputo e já o era em Pemba, sacana, carregou-nos lá para casa, a sermos quais teenagers, acho, ainda que a cortar-me a ser como antes.
Daquela tenebrosa semana foi o melhor. Não digo mais ainda porque eram tempos fantásticos ...

nos Olivais havia oliveiras que davam marmelos

Sempre te desejei… total.
Mas não totalmente… nua?
De alguma parte… sim.
Mas não de todas.

Algumas quero.
De opacos mas sedosos panos…
Escondidas.

Recônditos sítios a explorar…
Preconceitos a despir…
Pecados a consumar.
Virgem! Assim te quero.

Experiente é como te desejo.
Para te despir…
No acto amoroso de te tapar,
Aos olhos cobiçados dos demais…
Demónios infernais,
Estupores que me habitam

sábado, 19 de janeiro de 2008

Radar Kadafi - Eu sei que nao sou sincero

Mandaram-me isto e acho que fizeram bem...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Do "rock" alguém(uns) deverá(ão) continuar a falar. Muitas mãos cheias de memórias, as de cada um, algumas entrecruzadas, outras dessas do cada um como cada qual. Uma pré-matinée - coisa de liceal veterano, a já poder entrar antes da hora -, casa ainda vazia, um Style Council inteiro a tocar é, talvez, a mais viva dos tempos iniciais

Mas assim para agora, outros que avancem, que para mim é dia de recordar uma noite de 31 de Julho, "escort" de uma "mais velha", a sermos coro de disco. Heróicos os tempos, a noite.
Timor nesse teu "nunca é demais ir recordando" recordei-me de um tipo que "comemorou" o dia dos quarenta anos assim:



Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
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José Cabral [foto] /

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

nunca é demais ir recordando ....




... já está marcada a próxima tertulia, no mesmo local, Fábrica Braço de Prata, sala Eduardo Prado Coelho, desta feita. Quando ? Domingo, 10 de Fevereiro às 15 horas do costume . Com quem ? Connosco à volta de duas Oliveiras, uma biografia e histórias de rock..

Helena Reis, a autora, Zé Pedro, o Roqueiro ..

wrong words

A paixão que mantive com a minha namorada mais gira durou apenas 3 meses. Um dia deambulávamos pela Av. Roma e cruzámo-nos acidentalmente com uma turba de olivalenses. Depois de trocadas efusivas saudações - acompanhadas devidamente com as bocas foleiras da ocasião – recuperei de novo a compostura que por breves momentos me abandonara e retrocedi para junto dela que se afastara uns passos, claramente acabrunhada com o tumulto. Já ao longe seguíamos os dois em passadas gémeas e ainda se ouvia a algazarra que ficara para trás. O resto da tarde passava-se então como de costume, passarinhando por lugares de ocasião (não queirais saber tudo) a desfiar conversas distraídas até que, ocasionalmente, fez-me ela saber da sua apreciação: que tinha achado o pessoal com um bocado mau aspecto.
Nunca mais a vi.

Templos Modernos




( bem gostaria de ter conseguido fotografar um cão preso a uma das oliveiras ;-(

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008