Quase os mesmos, mas ‘crescemos’, e agora tudo tem de ser previamente combinado, e a horas certas que isto já não dá tempo para ir ficando. Mas é bom ver que a nossa natureza permanece a mesma e que pouco depois já mergulhamos nas memórias, nos trejeitos subentendidos, das novas que algum nos traz dos meridianos que lhe são próximos, e rimos e gozamo-nos com a simplicidade com que sempre nos provocámos e tudo retorna ao que sempre foi.
Depois, claro, inevitavelmente, acabam por chegar as horas, as horas de nada, apenas as horas com que nos habituámos a emaranhar a nossa vida - e neste compromisso que nos leva a lamentar um já “não poder ficar mais tempo” não somos, é certo, a mesma coisa. Nem sabemos bem o que temos “lá” de tão importante para fazer, nem creio sequer que reflictamos nisso, que este “bem já está na hora” vem-nos de dentro, reflexivamente, do treino do dia-a-dia. Como se ficar por ali, a degustar amizades fosse quase ilícito na rotina do dia-a-dia. Como se a hora de partir já tivesse passado mesmo que nunca ali tivéssemos chegado com hora marcada.
Hoje, crescidos tanto, mantemos as mesmas conversas, mas já não sabemos estar, pelo menos o estar de ir ficando. Como se algo em nós nos empurrasse na pressa de voltarmos para a nossa vida adulta … talvez, quem sabe, temendo por ali querer ficar, assim, simplesmente sem nada que fazer, entre a malta da nossa criação, sem horas marcadas.






















