sexta-feira, 21 de setembro de 2007

farnel !!!

Olivalenses estimados:

Se vierem a Londres tragam farnel, espalhem o odor a pastelinhos de bacalhau no Hyde Park, lambuzem os dedos de um franguito de churrasco em frente ao Buckingham . Agora, entrar num qualquer restaurante sem ser inventado pelos Americas .... NUNCA, ou NEVER como por aqui dizem!

Dois steackzinhos, duas colas e duas + duas bolas de gelado = 50 £, ou melhor ... 75 euros ! Querem em contos !!! QUINZE!!!!

Tragam farnel ! Nao eh proibido e os bifes sempre ficam a saber de onde somos !!!

GM


Av. Marechal Gomes da Costa
Junho 1983

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

É para os putos que não querem comer a sopa! *


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" O Ai-Ai era uma das alcunhas, porventura a mais generalizada de Ricardo Santos Carvalho, célebre reclamista e vendedor de esticolicas (rebuçados estreitos e compridos) que percorria Lisboa com os seus pregões. Era um homem delgado, franzino. A sua fraca compleição não o impedia de palmilhar Lisboa de uma ponta a outra, principalmente os bairros populares.
Um dos seus pregões mais conhecidos era o ´"É para os putos que não querem comer a sopa!" o que ajuda a compreender o perfil deste personagem castiço, dando-nos conta, quer da sua língua afiada, quer do modo como era considerado persona non grata por muitos pais que pretendiam evitar o contacto dos seus filhos com esta figura.

O certo é que ele , que vestia sempre de branco, arrastava atrás de si a miudagem, que tentava roubar-lhe os chupas e rebuçados. Assassinado, ao que consta vitima de um assalto que lhe foi fatal, e que terá rendido meia dúzia de tostões, o Ai-Ai não tinha paradeiro conhecido, embora alguns dos habitantes mais antigos ainda afiancem que ele vivia para os lados do Pote de Água (Rotunda do Aeroporto de Lisboa).

Há também a indicação de que ele participou numa revista no Teatro Apolo (a "Bolacha Americana", onde se representava a si próprio), que estreou nos primeiros dias que se seguiram ao armistício que, em Maio de 1945, assinalou o fim da 2ª Guerra Mundial, e onde tinha como parceiros de cena, entre outros, Costinha, Hermínia Silva e Carmencita.

Outro personagem, o Urié, também existe no bairro dos Olivais, em Lisboa. Há muito que trocou a árvore pelos autocarros, a Carris ofereceu-lhe uma farda (o seu passe vitalício). Também nunca mais foi visto a vender jornais (do dia anterior) na Rotunda do Aeroporto."



*[Em 1990, na sequência de um trabalho de animação teatral com um grupo de teatro da paróquia de Santa Maria dos Olivais, resultou um texto, "É para os Putos que não querem Comer a Sopa!", que venceu o 1º Premio de Textos de Teatro do 1º Concurso Cultura e Desenvolvimento, do Clube Português de Artes e Ideias e do Instituto da Juventude, cujo título glosava um dos pregões mais conhecidos do Ai-Ai. Do pórtico desse texto - com autorização do autor - retiro esta pequena informação sobre os personagens "reais" daquela peça.]

Rua

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Febre...



...de Sábado à Tardinha, no Brown's!

Primeiro a performance, digna de um Travolta.

Depois a desilusão de não levar a taça para casa.

. . .

Mas ainda restavam umas festas perto do PAV!

Bolhas de sabão

Saturar soda cáustica com ácido oleico. Diluir 2 g desta saturação em 8 dl de água destilada e deixar repousar 24 horas. Depois juntar 2,5 dl de glicerina e 2 ou 3 gotas de álcali. Logo que o líquido assente, decantar.
Gaijas giras


Passar pelos trabalhos do linho




terça-feira, 18 de setembro de 2007

IDEIAS DE RUA

Texto de Paulo Varela Gomes
publicado no jornal Blitz
(em duas partes, a 16 e 30 de Abril de 1985)



. . . VER O RESTO > > >
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Mexas

foto enviada por Lobita




Fazer uma mistura de pólvora com goma-laca e resina colofónica, diluídas em álcool. Mergulhar um fio grosso ou uma guita de algodão e deixar secar. A combustão será tanto mais rápida quanto menos resina tiver.






Kid


Aproveitando o enquadramento anterior, foto tirada mais ou menos no mesmo sítio.

foooo...


...foi este o desenho que inspirou o grafito, feito por desconhecido,
mesmo ao lado das escadas mais batidas da rua.

Há uns anos a boca de incêndio foi retirada e a rua perdeu um ícone!

Ficam as imagens.

Queques e ciganada

No outro dia, meio a brincar, ao falar dos Radar, disse que a partir daquele momento tinha, mentalmente, deixado de pensar neles como queques. A Rapariga que Veio da Província, também a brincar, pediu-me que explicasse. Ontem, ao ir aos Olivais, estava a olhar a Rua Cidade João Belo, o muro entre o 89 e o 88, e de repente comecei a povoar-me de imagens antigas.
Os prédios da Rua Cidade João Belo - aliás como todos os Olivais, por alguma razão a natureza interclassista dos Olivais é um même - eram um enclave entre as tijoleiras dos prédios em frente e as tijoleiras dos prédios detrás. Das tijoleiras em frente separavam-nos apenas uns cem metros de terreno. Víamos-los a olho nu, todos os dias. Ouvíamos os gritos da mãe do Abílio que quando se zangava punha o bairro todo em alvoroço. Víamos os irmãos mais velhos dos ciganos que conhecíamos. Os mais novos eram os mais perigosos porque atrás deles apareciam logo os calmeirões a defender a honra dos irmãos contra estes copileites que acham que podem tudo.

[Quando a coisa chegava à honra não havia nada a fazer. Assim o soube o Vitor, um cigano dos prédios em frente que me dava estalos, pontapés e eu nada, mas que no santo dia em que pegou numa daquelas flores que se assopravam e ficavam despidas, e me disse, o teu pai é careca, compreendeu que a honra de um copileite era tal e qual como a de um cigano, dei-lhe tantos pontapés antes de ele poder sequer abrir a boca de espanto e quando a abriu ainda levou com uma pedra da calçada no estômago, foi o meu tempo de glória na rua, depois esqueci-me claro, voltei a ser o mesmo copileite que era, excepto quando o pessoal do 88 e 89 se cansava da vida que levavam e me inventavam a mim cigano. ]


Nós nunca atravessávamos a fronteira imaginária que dividia estes continentes anões. Nós éramos os betos, eles eram a ciganada, que tinham vindo com as enxurradas das várias cheias de sessenta. O único que tinha licença de convivência era o Nilo - sem provocar debandadas gerais, do género, lá vêm os ciganos - um rapaz gago que tinha sido adoptado pelo João Cerejeiro.

Nem todos os ciganos eram iguais.


Os da frente eram ciganos doces. Eram uma ameaça sempre presente, mas estavam sempre à vista, não nos supreendiam, eram a nossa guerra fria. Piores eram os das tijoleiras de trás. Havia uma família de muitos irmãos, como os Jacós do Gordo - é curioso como esquecia os nomes, eles cresceram comigo e aterrorizaram muitos dos meus dias - que eram terríveis. Mesmo os mais pequenos assustavam. Eram uns pequenos bandidos. Desciam as escadas ao pé da igreja nova e de repente tinhamos de fugir para dentro dos prédios. E depois havia os tipos que nos metiam tanto medo como o homem do saco nas histórias de adormecer: a ciganada da aldeia dos macacos e do cambodja (Bairro do Relógio).

Fora estes universos bem delimitados em que os queques e os ciganos eram quase sempre os mesmos, embora com intrusões, lembro-me que fui colega na escola de um João que morava nas tijoleiras detrás e por isso comecei a temer apenas os tipos das tijoleiras detrás das tijoleiras detrás, e, ainda mais tarde - tal como o Fulacunda, o Kitos, o Chico Belchior e a namorada do tenista - fomos colegas do Subtil, do Ambrósio, e aí passei a ter uma ideia menos fantasmagórica do Cambodja, moravam lá tipos decentes e que até vestiam e cheiravam à beto (estávamos na altura do Aramis e do Paco Rabane), mas dizia eu, fora destes universos, ser queque era uma questão relativa.

Eu tinha vindo também da província e por isso quando aterrei na Rua Cidade João Belo a lista de favoritos já estava constituída. O meu irmão, já em Mafra era a mesma coisa, tinha sempre lugar cativo na bancada dos betos. Eu não. Eu era dos putos vadios, da chinchada aos figos no seminário, dos espianços no Quartel de Mafra aos namoricos das filhas dos oficiais, dos clubes do moinho velho e das lutas tribais nas tardes imensas no Rio Cego, sempre protegido nas brigas por ser o filho da senhora professora, mas um pivete endiabrado. Nasceu comigo, com a minha cor e confesso, nunca me amargou mais do que a conta. Lembro-me de quando o João Cerejeiro se virou para o meu irmão e lhe perguntou, virando-se para mim:


- Ele é teu irmão?

E o meu irmão a anuir com a cabeça e o João a responder:

- Parece cigano.


E parecia. Tinha a tez morena, na Damião de Góis chamavam-me o Yazalde, e logo aí me apercebi que ser queque não era uma condição, era um estado de espírito. Eu era meio aciganado para alguns tipos e era beto quando, numa qualquer esquina ouvia o temerário,

- Queque, bolsos!

Ser queque era por isso relativo. E claro, à medida que crescíamos eu cada vez me importava menos com isso. Ainda tentei levar a coisa a sério, com calça de fazenda à boca de sino, lois, lewis strauss e wrangler de ganga, sapato italiano ou de vela, pullower da woolmark à cintura, camisa azul, e claro, odores de Aramis, Paco Rabanne, mas como era o irmão do meio tinha de herdar a roupa do meu irmão mais velho e por isso eu estava condenado a ser sempre um beto fora de estação. Além disso eu nessa altura começava a estar completamente apaixonado pela leitura e todo o dinheiro que tinha era para correr à D. Isaura e à Belazé (confesso, aqui entrava também uma platonia acesa e conturbada pela Carolina, uma colega de escola que era filha ou sobrinha da dona)a comprar o último exemplar do meu Somerset Maughan na Colecção Dois Mundos e Livros do Brazil.
E, já não sei porque cargas de água, houve uma altura, ainda o prédio da rampa não estava construído, entrámos em batalhas campais com os prédios altos que descem o principio da lourenço marques do lado esquerdo. Eram guerras que nos ocupavam toda a tarde e que envolviam os três prédios da rua cidade João Belo. Já nem sei porque motivo foram, talvez fosse por uma disputa territorial de uma espécie de maracangalho que havia ali ao pé, só sei que foi coisa de uma semana, não mais. Mas nesse entretanto nós também provocámos o mesmo sentimento de insegurança nos putos dessa correnteza de prédios. As incursões eram sempre por nossa conta, os outros só queriam era estar sossegados. E confesso, só mais tarde, quando a ciganada dos prédios detrás - já sei, eram o Samuel e o seu bando - nos encurralou dentro do nosso reduto é que eu percebi que as brincadeiras com os prédios do outro lado da rampa não tinham tido assim tanta piada.

Ao chegar ao fim do texto percebo que este novo léxico urbano, copileite, ciganada, betinhos, queques, foi uma enxertia na linguagem que me ocorreu quando cheguei aos Olivais (eu sei, este post é grande mas agora só escrevo para a próxima semana!).

sábado, 15 de setembro de 2007

Munique


Lembro-me de uma noite com o Lobito, o Paulo Franco e o Gonçalo Marcelo, acabámos a noite na Cervejaria Munique (ainda), no Areeiro. Quando resolvemos voltar para casa, ninguém tinha carro, fomos para a paragem do 19 junto às bombas da BP. Já estavamos fartos de esperar, por uma questão de principio não se gastava dinheiro em taxis, aparece uma motinha que para ao nosso lado. Era o Nuno Pais com a sua casal de duas velocidades, tinha estado no Pote e voltava a casa. Depois de alguma negociação, para escolhermos os lugares (a boleia em si nunca esteve em causa), lá nos organizamos. O Paulo (o mais forte) no lugar do condutor, o Gonçalo (o 2º mais forte) à pendura, o Nuno Pais em cima do depósito a conduzir, o Lobito aos ombros do Paulo e eu (o 2º mais leve), em cima do farol traseiro com as mãos nos ombros do GM. E não é que o raio da mota nos levou até aos Olivais. Custou um pouco a fazer a subida do Relógio, à mota e a mim também. O Gonçalo teve de me agarrar as mãos que já não tinha força para me segurar. E pensar que o Nuno queria subir pelo Valsassina, que ela aguentava, subia tudo! Tá bem tá!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Maroc

Pessoal da Rua


Pencas, Xavier, Gravato e Lemos
(© Sandro, c. 1978)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

GIL AUTO STORY

1. Marcador: Iluminárias.

"Ui, do que malembram. Essa Zunlera verde alface, lembras-te moçâmedes, era o meio de transporte de vários ...simultaneamente. Recordo com alguma angústia o pessoal abancado em casa, já não sei de quem, em armação de pera, e a sair à noite, os três em cima de uma 50. O lobito na frente, um de nós nas mudanças, e o outro a cair do banco. Só que aquilo, apesar de ser uma 50 e alancar com os 3, não andava bem de luzes. E então era ver-nos a fazer as estradas do algarve, noite fora, e eu de lanterna na mão a alumiar o caminho: "olha lá, isto aqui já não me parece estrada", "então aponta mais para o chão", "fod****"

2. Marcador: Polícia de Segurança Pública

"estavas naquela vez em que vinhamos do summertime tb 3 na mota roubada às tantas da manhã e fomos mandados parar por um polícia ainda mais bêbado que nós? e o gajo a dizer que tinha de passar multa por não levarmos capacete mas que não sabia como o poderia fazer aos três, já que o código só previa duas pessoas por mota?
Quase ia acabando a beber umas jolas connosco ... "


3. Marcador: Rotunda do Relógio
"Este, volta e meia, tinha alguns episódios caricatos, como o de cair a matrícula... fomos para a praia, comigo no lugar do morto (uma das mais belas expressões da língua de Camões), de matrícula em riste, à espera de ter que a exibir em qualquer altura a um qualquer agente da autoridade - mas o que é certo é que em plena rotunda do relógio, na altura sem semáforos e cheia de polícias a controlar as asneiras alheias, lá passámos nós e eu de matrícula nas mãos e braços esticados para fora do carro para que se visse bem... "

[retirado daqui e dali]