quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

themes & bloggers !!!


Por várias razões (e também bloguísticas) tenho andado fora daqui - alguma responsabilidade no silêncio que o Fulacunda lamenta. Mas há coisas penduradas: a discussão sobre o bairro que o João Belo animou - e discordo com o Fulacunda, acho perfeitamente actual falar sobre ... O problema é que o texto que ele aqui deixou é um tratado - de muita coisa, não só dos Olivais. Um tratado sociológico, político, de activismo cultural. Falar sobre ele exige tempo - está a faltar.


Depois há uma porrada no João Belo que não dei - sobre o "mandar bocas". Ou seja, sobre a censura de estilo, o espartilhar do registo de raciocínio. Aqui falta tempo mas acima de tudo dia de verve.


E há os Viveiros, que foram interrompidos.


Finalmente, como administrador. Onde estão os convidados para colaborarem? (Já nem falo de alguns caros co-bloguistas, expostos na coluna da esquerda, dos quais não há notícia)

Toponímia e Iconografia

Sobre esta entreposta e a sua, bem-humorada, acusação de neo-colonialismo à iconografia urbana que baseia a toponímia dos Olivais-Sul que o Beira tem vindo a apresentar (e em boa hora):

Nas minhas andanças tenho visitado alguns dos lugares agora evocados. Delas tenho bastantes registos fotográficos e, escassos, em postal ilustrado. Mas é por ter opinião exactamente inversa à do Fulacunda que aqui não as coloco, nem mesmo como adenda ao que o Beira vem fazendo.


Com efeito é exactamente esta iconografia apresentada que funda a toponímia olivalense, um conjunto de cidades coloniais (largas, arejadas, centradas num conjunto de edifícios públicos, rodeadas de zonas residenciais planas mais ou menos padronizadas) do qual são retiradas - enquanto objecto iconografável, público(ável) - as zonas residenciais da população africana (algumas, escassas, em alvenaria, os "bairros indígenas"; a maioria em material perecível - o "caniço", o "musseque"). E ainda mais, as próprias representações das populações urbanas centram-se nesta dicotomia, por um lado alguma presença humana dos europeus e dos seu artefactos (seja de lazer, seja de locomoção, seja de comércio) e o esvaziamento africano (à excepção de uma ou outra figura típica - o cipaio, o riquexó). Sobre esta dicotomia na concepção das urbes coloniais se houver algum arquitecto interessado há uns textos válidos do Arq. Miranda Guedes (Pancho). É pois não só um urbanismo baseado numa específica concepção do mundo e das relações entre as populações coexistentes (uma ideologia se se quiser) como também uma produção iconográfica dela emanada.


E é esse urbanismo e essa visão que está consagrada na toponímia olivalense. Foi essa realidade urbana, sociológica, política, transposta nestas imagens, que fundou a toponímia colonial dos bairros da capital imperial contemporâneos do efectivo esforço colonizador em África (pós 1950) e, inclusive, da mobilização das mentes em tempo de guerra - os "locais", consagrados no quotidiano residencial, nos Olivais-Sul; os "heróis caídos em combate", recordados no quotidiano residencial, nos Olivais-Norte.


É uma era da história do país. Colonial, e nessa condição perfeitamente coerente - a sua lembrança poderá ser historiográfica ou, como aqui, memorialista. Uma escorregadela neo-colonial seria, em meu entender, ilustrar a toponímia desse período com uma iconografia actual - claro que as cidades são as mesmas (ainda que muitas com nome diferente). Mas são também, sociologicamente outras. E, até, urbanisticamente outras. São, portanto, as mesmas mas também outras. Nesse sentido recuperá-las hoje para ilustrar o ontem, seria denegar uma ruptura naquela coerência ideológica, esquecer a história - inscrever uma coerência de projecto, uma teleologia, onde já não está.


Outra coisa, outro projecto, será o de "como será hoje aquela realidade?". Não as cidades que nomearam as nossas ruas, mas em que se vão transformando as cidades que nomearam as nossas (antigas - que também nós nos transformámos) ruas. Sabendo, de antemão, que as câmeras de hoje são menos centradas, o "olho-de-boi" mais livre, as urbes - já de si agora tão diferentes - muito diferentemente retratáveis.

(releio isto, a virgular - ficou assim com um toque doutoral. Desculpar-me-ão, já hei-de escrever um post cheio de palavrões a ver se recupero algum crédito)

Bafatá (Guiné)


(clicar para ampliar)



Interessante a arquitectura de influência árabe desta localidade.
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(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes às ruas do nosso bairro)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


© JER

Província (Portugal)















(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes aos bloguistas deste "bairro")

entreposta

[Esta posta de texto tem por único intuito intervalar a série de georetratos que aqui se têm vindo a reproduzir. Pois se é cada vez mais calada a natureza deste blog, não é menos verdade que o têm pincelado de avivados tons neocoloniais (não haviam fotos mais recentes beira?) estas tão etimológicas fotos … E agora, abafando este berreiro (tão impróprio como uma alheira num prato de salmão) para de novo respeitar o cerimonioso silêncio, e ainda assim, arrisco-me a deixar o mote para prossecução desta série retratista com o seguinte desafio: venham de lá então as vistas aéreas do maracangalha]

Lourenço Marques (Moçambique)


© google_maps...(clicar para ampliar)



Lourenço Marques é a antiga designação da actual cidade de Maputo, capital de Moçambique, tendo sido capital da então colónia portuguesa entre 1898 e 1975.
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(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes às ruas do nosso bairro)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Lobita


Benguela...

... cargueiro construído em 1946.

Lobito (Angola)


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(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes às ruas do nosso bairro)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Bolama (Guiné)



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(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes às ruas do nosso bairro)

Beira (Moçambique)


© google_maps...(clicar para ampliar)





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(sempre tive a curiosidade de saber qual seria o aspecto visual das localidades que deram os nomes às ruas do nosso bairro)

ir ficando

Ontem, encontrámo-nos, um punhado de amigos, tudo malta desta criação. Eramos apenas uma meia dúzia mas não exagero se disser que acumulávamos quase duzentos anos de amizade. Tínhamos ali concorrido à mesma hora, com o mesmo motivo. Claro, tudo hoje, para nós homens adultos, tem de trazer um motivo que nos transporte para algum lado. Confirmo que somos capazes de desfiar conversas com a mesma desordem e liberdade com que sempre o fizemos, mas para que estas emerjam é preciso sempre um motivo, algo que se combine, que hoje só nos juntamos porque assim nos aprazámos – e nisto tão diferente d’aquele “ir ter com o pessoal” que integrava os dias de modo quase inconsciente.

Quase os mesmos, mas ‘crescemos’, e agora tudo tem de ser previamente combinado, e a horas certas que isto já não dá tempo para ir ficando. Mas é bom ver que a nossa natureza permanece a mesma e que pouco depois já mergulhamos nas memórias, nos trejeitos subentendidos, das novas que algum nos traz dos meridianos que lhe são próximos, e rimos e gozamo-nos com a simplicidade com que sempre nos provocámos e tudo retorna ao que sempre foi.

Depois, claro, inevitavelmente, acabam por chegar as horas, as horas de nada, apenas as horas com que nos habituámos a emaranhar a nossa vida - e neste compromisso que nos leva a lamentar um já “não poder ficar mais tempo” não somos, é certo, a mesma coisa. Nem sabemos bem o que temos “lá” de tão importante para fazer, nem creio sequer que reflictamos nisso, que este “bem já está na hora” vem-nos de dentro, reflexivamente, do treino do dia-a-dia. Como se ficar por ali, a degustar amizades fosse quase ilícito na rotina do dia-a-dia. Como se a hora de partir já tivesse passado mesmo que nunca ali tivéssemos chegado com hora marcada.

Hoje, crescidos tanto, mantemos as mesmas conversas, mas já não sabemos estar, pelo menos o estar de ir ficando. Como se algo em nós nos empurrasse na pressa de voltarmos para a nossa vida adulta … talvez, quem sabe, temendo por ali querer ficar, assim, simplesmente sem nada que fazer, entre a malta da nossa criação, sem horas marcadas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

na outra ponta de 2ª circular...

... dois oliveiras comemoram 35 anos de amizade.