quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Natal no Roma


Fim! Soava por aí, nisso das famílias já descendentes. Tudo apertava nas quadras, as festas natalícias então ainda mais, apelando ao jovial responsável entre filhozes e filhotes. Renitentes, alguns defendiam-se como podiam, e não era muito. Em véspera de Natal combatiam como se em Estalinegrado, tasca a tasca, copo a copo. Caindo a tarde ao ocaso fechava-se o Pinto, já barris e garrafas meio cheios ou vazios, corriam, no lesto de já trôpegos ao "Tó" talvez já Arcadas para mais uns "por favor ..., temos que fechar". E aí, astro-rei já mergulhado, fugiam, atrasando consoadas e adulteses, refugiando-se no último palco

umas rodadas valentes ao café Roma, frequência só desse dia, fingindo ali a verdadeira festa, sem criancinhas, essas pestes, sem pai natal, sem farófias, que os doces eram etílicos, os palavrões muitos e as zangas e amuos, essas de qualquer família que se preze, ali ausentes tal como as tralhas das prendas da obrigação

e os empregados já, do hábito do ano-a-ano, num "estávamos a ver que não vinham este ano". Copo a copo lá iam eles desistindo, rabo entre perna saindo rumo à respeitabilidade. Um dia o Roma, feito fronteira de um olivalismo afinal imperialista, fechou. E algo se quebrou.

o fula já teve 19 anos...



terça-feira, 15 de janeiro de 2008

afinal havia outra ....



... e eu sem nada saber ... postava !

Ei-lo aqui, moço enfastiado com fumo de cigarro alheio sobrevivente à sanha persecutória do novo ano ! Ei-lo ou ei-los, que se juntam quais Oliveiras solidárias e que mais ao lado usufruiram ainda de outros postadores do Olivesaria encartados, investidos até !!

Ei-lo pois em seu esplendor e calça de ganga !!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eras eram em que já se lhes cresciam as memórias, vaidades passeadas. Mas ainda livres, sem requebros e enleios das parcas exposições públicas que as teclas iriam deixar imaginar. Livres, sem medos - pelo menos quando de líquidos se faziam as forças. Um dia viriam a blogar, mais medrosos do seu nariz. Nesses tempos ainda não ... apenas seguiam

brasuca, vésperas de alguma partida

e foi assim .... a tertulia !

... do melhor. A tal de Tertulia, onde o ponto de partida era falar sobre um livro, edições e palavras em mundos de blogues. Por lá vi Oliveiras, por lá tive essa sorte. Umas que falaram, outras que abrilhantaram a coisa com a sua presença. Uma saiu escondida neste documento relembrador do evento, está ali para o canto direito, reconheçam-lhe os jeans ...

Já está marcada a próxima ... presentes Oliveira ilustre & sua irmã, que lhe escreveu e editou uma biografia. Oliveiras nortenhas, mas nossas. Zé Pedro dos Xutos e Helena Reis ...

domingo,10 de fevereiro, 15 horas, fábrica braço prata, sala eduardo prado coelho ...

Bute lá pessoal ??

Mais uma foto para ...

... juntar ao post aí debaixo

agora!!!
e nisto um dos que estava no banco detrás tapava de imediato os olhos ao barão enquanto o que seguia no lugar do pendura puxava então pelo travão de mão.

agora!!!
e lá se ia repetindo a cena, com o carro a andar de pandeiro para o lado em que estivesse voltado e pelos mais inoportunos caminhos. (coisa de sobredosagem nas inalações dos "vapores e fumos exóticos" certamente)

Mas nunca se despistou. Do que me lembro houve apenas um furo. Um bom carro portanto.


albufeira ... around 1970 !


Fula .. esta a foto de que te falei ontem na ' Tortura ' .... eram os tempos de férias no Inatel ! Vês-te por lá, ou algum mano/a ? Eu ando por ali com cabelos desgrenhados, educação hippie me parece pois !

Estádio da Luz, Portugal-Austrália (1-0), campeonato do mundo de futebol, 1991. Uma revolução sociológica no Portugal de então, as mulheres deixaram de ficar ao tricot aos carros, ali a encherem as tardes na 2ª circular enquanto os (seus) homens, mine emborcada e coratos no goto, viam a bola - e os putos, nós, passando a espreitar aquelas caniches rotundas fechadas no automóvel. Bem ... sempre passeavam.
Então, apanhando a boleia do futebol júnior e do "sucesso queiroziano" de Riad, elas invadiram os campos da bola - e, claro, os olivais estavam à cabeça do movimento. (Atente-se na excelência da camisola do adepto à direita)

domingo, 13 de janeiro de 2008

Antipiréticos






Carnaval na Oura em 84. O Fula estava lá de férias e nós apanhamos boleia do Barão, que cravou o R5, à prima (que já apareceu neste blog e casou à pouco tempo), e arrancámos para o Sul.

O Barão tirou muitas fotos. Tirou umas espectaculares numa piscina que terminava sem borda, no lado virado para o mar. Tirada de um certo ângulo, parecia que estávamos a andar na água.

Eu estava completamente entupido com uma constipação, andava todo agasalhado e creio que tive alguma febre.
Sempre cheios de boas ideias, iniciamos o tratamento completo assim que a viagem começou. Tratamento com vapores e fumos exóticos, em ambientes fechados, para todos. Tentámos várias vezes, mesmo já no Algarve tentámos sítios diferentes, mesmo ao ar livre, inclusivamente o Fula juntou-se a nós para dar a sua contribuição.

A única conclusão a que chegámos foi que o tratamento melhorou, em larga escala, a nossa percepção em aspectos como os cheiros, as cores, o apetite, a própria percepção do tempo mas acima de tudo, a capacidade de um entendimento sem necessidade de muitas palavras. Mas não contribuiu em nada para melhorar a constipação.

Estes dias acabaram em beleza. Jantámos em casa do Fula com os pais e foi uma célebre e dramática noite em que consegui por ambos a chorar à mesa. Disse tanta parvoíce e fiz tantas palhaçadas, que o pai Fulacunda já não conseguia comer. Grande noite.

Eu gosto é do Verão...





Verão de 82 em Albufeira, naquela fase em que acordávamos na praia todos babados. Basta olhar para as nossas expressões para ver que estávamos em universos alternativos.
A fotografia foi tirada pela Lobita.

sábado, 12 de janeiro de 2008

... a um cão. (1994-2007)



Douro




sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Notas (fotográficas) sobre o povoamento dos Olivais


No outro dia fui ver um espectáculo ao teatro da Malaposta e encontrei lá esta exposição. O post tinha ficado adiado, como tantas outras coisas.
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Última Hora

Resolução nº 180/77, de 22 de Julho de 1977, transcrita no Diário da República, 22 Julho 1977 (núm. 168): Determina a cessação da intervenção do Estado na Draivimpe - Centro Técnico de Reparações, S. A. R. L.
Atendendo a esta recente disposição legal nada obsta, caro Draivimpe, a que encetes de imediato a tua participação, de pleno direito, nesta instituição colectiva de iniciativa privada sem fins lucrativos.

Os professores

Ao descer para o metro cruzo-me com um rosto que me parece familiar. Ele também me reconhece.

-Professor Roxo! Viva!

Está reformado, entregue à sua vidinha, que o relógio segue em frente. Trocamos duas ou três palavras, foi meu professor de latim, ubi societas ibi ius, onde está a sociedade aí está o direito, mala burra est, a maçã é vermelha, rosae, rosis, rosa, foi o que me ficou desse ano e meio às voltas com o latim, mais os atrasos na vida, mas isso quem sabe, se não vai por um lado encaminha-se por outro, o professor Roxo, sempre com um ascético casaco de napa preto, olhos cavados, presidente do conselho directivo, era o Roxo, o maestro dos nossos Viveiros.
Esqueço-me dele e começo a lembrar-me dos outros professores. Daquele professor de matemática que inventava jogos para que a ciência dos números se nos tornasse mais familiar, da professora Noémia, a professora de história, que era terna e meiga e paciente e doce, do Bacelar, o professor Bacelar, que ficou um amigo para a vida, ainda o encontrei por aí, o Gadoche, o Rui Dias José e o Afonso Praça, e muito especialmente aquele professor que já não me lembro do nome mas que nos colocou por dentro da febre de escrever. As suas propostas de redacções entusiasmavam-nos. Havia uma rapariga, a Luísa, a quem ele descobriu uma veia poética e que dizia, há-de ser escritora. Liamos os textos dela em voz alta, eram textos sensíveis, poéticos, falavam sobre a mulher, e a pouco e pouco todos nós alimentávamos a vontade de passarmos pelo quadro de honra daquele professor apaixonado pelas letras que nos lia o que diz molero?, como nos falava de Irene Lisboa, José Gomes Ferreira, Aquilino, Garret, e que principalmente, nos tornava nos personagens principais da nossa vida. Sorrio ao passar do tempo: comecei a escrever por inveja da Luísa. E às vezes quando por aqui alguém se detém no que eu escrevo, lembro-me do trabalhoso percurso que nesse ano fiz até merecer, numa redacção, um bom deste professor meio careca, baixinho, e que mudou tão radicalmente a minha relação com a vida.
Alguns anos depois os velhos deuses recuaram, refugiando-se em recônditos outros bairros, desiludidos de tanta aceitação daquela nova crença, a Adultez, que tão lesta se espalhava. Aqui e ali alguns templos iam subsistindo, cada vez mais vagos de fiéis. E mesmo estes, um a um, se iam, até envergonhadamente, rendendo ao novo Senhor.

Aqui fica a homenagem ao último dos sacerdotes pagãos, guardião de velhas crenças, até oráculo de quem ainda acorria aos velhos chamamentos dos pomares divinos: