terça-feira, 7 de outubro de 2008

vizinhos

domingo, 5 de outubro de 2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Limpeza de material de desenho

Para limpar borrachas, réguas e todo o material de desenho, utilizar tetracloreto de carbono.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

a janela aberta

...até hoje, a minha varanda, e será sempre a minha varanda, ficou por fechar, ela que estava sempre aberta qualquer que fosse a hora do dia e da noite à espera de um assobio ou qualquer outro código de acesso

sábado, 27 de setembro de 2008

A minha varanda


De cada vez que vou a casa da minha mãe divirto-me com a pequena floresta que o meu irmão construiu na nossa varanda. Plantas que trouxe de todos os lados, pedras disto e daquilo, lembranças de lugares. É lá o lugar do café, do cigarro, do pequeno ritual de instalação no dia novo. A minha mãe também gosta muito de lá se sentar e de saborear um fim de tarde. Sempre tivémos uma relação muito especial com a varanda. Os meus pais conseguiram resistir à grande tentação de fechar as varandas que começou a sacudir Lisboa a partir de certa altura. Ou então encontraram grande resistência familiar nessa operação. Tinhamos vindo de Mafra, do campo, do espaço amplo. O mais que os costumes domésticos permitiram foi o fecho da varanda traseira do quarto dos meus pais, e mesmo aí com o argumento de que o meu pai não fumaria tanto pela casa fora se pudesse limitar-se ao seu pequeno "escritório". Muitas vezes ao deambular pelos corredores da casa perco-me nos meus próprios labirintos interiores. Ali naquela varanda recupero um pouco da minha identidade. É quase como se eu me reconhecesse ali, fazendo parte dos meus, pelo apego que todos em comum partilhamos pelo espaço de fora, pela aragem fria, pelo ar mais alegre. Seria mesmo capaz de jurar que ali, diante daquela luz tépida falamos melhor, conversamos melhor, saboreamos melhor essa ideia de que uma família é mais do que um lugar de onde se vem, um sitio para onde se vai.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Uma fileira de prédios, uma rua, escadas onde se emparelham crianças. Um estádio com relvado de cimento, tardes poeirentas, joelhos esfolados, heróis e ciganos que roubam bolas. O bairro a ficar mais comprido e novas escadas, mais gente. Corridas e calores tensos de fim de tarde. Já bandos de miúdos, já se escolhem amizades. Sobem risos e berros cortando o zumbido das horas que passam sem nada fazer. Motas, namoradas, façanhas e regressos gloriosos. Mortes. A vida a crescer, a fazer-se valer. Coisas que se contam em conversas preguiçosas pelo fim das noites entre cigarros, ganzas e grandes amizades. Desfiam-se licenciaturas, artes e outros jeitos que cada um inventa a fazer o seu futuro. Partem dali muitas estradas e os fins de tarde são agora mais distraídos. Já só por acaso as escadas os juntam, barbudos, até carecas, quase sempre de passagem. A cidade de fora cresce, engole-os, uns não voltam, nem tão-pouco se despedem – de quem afinal? outros mais tarde retornam sem avisar. A vida esticou-se e partiu-se em muitos pedaços diferentes e os miúdos, crescidos, ficaram distantes. Visitas de fins-de-semana, bicas, histórias e reencontros rápidos, quase só acenos.

Uma fileira de prédios, uma rua. Escadas. Ouvem-se risos. Alguém na pressa do passar espanta-se de ouvir ali crianças. Mas não. Naquelas escadas já não. Hoje em escada alguma. Haverá outros pousos, pensa. Haverá? Depois vira ao fundo no cruzamento e pára. Um semáforo! Nenhum outro carro pousou perto dele e ninguém lhe viu a interrogação, dentro de si, envelhecer.

domingo ..... 15 horas


.... andarão oliveiras por lá ? Pela Fábrica Braço de Prata...?


A coisa gira em torno do homem Afonso de Melo.... Colva, tigres laranja sombra. Palavras, muitas, escritas e arrumadas de um jeito encantador ...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

entre amigos

"Belo é - calar em comum,
Inda mais belo - rir em comum, -
Sob o lençol de seda do céu,
Debruçado para o musgo ou para um livro,
rir alto com os amigos
e mostrar uns aos outros dentes alvos.


nietzsche

sábado, 13 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

em tardes assim ...

... de coisas que saltam para o colo, com cheiro do passado, vestidas de praia e seus bandos de adolescência, de namoros envergonhados e espreitares em biquinis, de mesas abarrotadas de imperiais e bolsos vazios de dinheiro para mais, de motos que dançam por entre carros num grito pela liberdade de um asfalto inconsciente, de balizas de pedras, de lindas raparigas, de muros pejados de vagar em esperas por nada de especial, que não fosse o próximo amigo, a cara seguinte de um mundo secreto e só nosso, em tardes assim que me levam à rua e sua magia de universo sem igual, o nosso, o dos olivais, de tantos olivais, diferentes como só uma familia pode suportar e entender .. é em tardes assim que me faz sentido o ' preto e branco ' das quadradas fotografias da kodak que um dia desgraçadamente perdi ... Por isso, talvez por isso ...

... hoje venho como alguém a quem não apetece mesmo nada deixar morrer este espaço. E se ele se basta com tão pouco, um vir aqui de tempos a tempos, somos tantos, hoje hei-de ser eu a empurrar o écran um pouco mais para baixo.