terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Para o joão verde que estava lá e, claro, não percebeu nada
Já nem música, eis o fim da noite meu amigo, meu caro amigo, meu querido amigo, meu frágil amigo, meu gordo amigo, aprende comigo, eu já veterano apesar de assim, de afinal tão novo … , direi daqui a esses todos anos que passarão, aprende comigo apesar de tão aqui oscilando neste banco alto, tudo isso amigo aprende comigo exactamente por tão navegando neste banco alto, aprende comigo companheiro mano – como agora não se diz, só noutro futuro noutros sítios o faremos – aprende comigo enquanto olhamos bem nos olhos estes últimos dos muitos whiskies de hoje, meu caro amigo, meu querido amigo, meu frágil amigo, meu gordo amigo, aprende comigo o que acabo de descobrir aqui mesmo e te partilho tão sentido o é, tão fundo me está a ser, este “foda-se não há nada, nada mesmo, no fundo das garrafas!!!!”, e bem que a isto podes sorrir, rir, abanar-me e até abraçar-me que sei agora de toda a certeza tida que nada há mesmo no fim dessas todas e tantas garrafas que vamos despejando. Certo é que me podes abandonar assim, eu por aqui de minha cabeça no meu ombro, tu aí baloiçando nestes corredores tentando provar-me outros fins, que me ficarei, olhando, se calhar até desvanecido, esta nova realidade da desesperança, sei desde hoje ter idade para tal, apesar de afinal tão novo …, di-lo-ei daqui a esses anos todos que passarão. Deixas-me tu e

ela, ali tão perto, avança para mim, sorriso holofote, encadeando-me o mundo como sempre o faz desde há tantos anos (sabê-lo-á?) (sabê-lo-ei?), se calhar até desde a primeira vez que a vi, ou talvez nem tanto, mas sinto-o tão bem dizê-lo assim, senti-lo senti-la tanto assim, todos os dias e todas as outras e todo o resto esmagando desde que do seu perfil em vermelho me enchi, e é ele um aroma liceu algo nada roxanne, apenas e tudo ela mesmo, enchendo-me desse tudo, o mundo rodando quando ela, e tão tanto que ainda depois, acolá de madrugada nas teclas, ele girará quando eu e ela,

e então o sorriso até sol avançando para mim e mais uma vez o de sempre “agora vamos para onde?” – coisa normal de dizer ao dono do (sempre me minto) único nosso carro ali, lenda fiat que estou fazendo – e eu, tentando regressar de onde nem sei bem, “não faço a mínima ideia” mas nos laivos de jovem cavalheiro que me imagino “onde queres ir?” e ela num, súbito, e enquanto oscila ombros, entre-riso, coisa do dizer-me do óbvio que afinal tudo isto já deverá ser, mas ainda assim sublinhando-o “não sei ..., contigo vou até ao fim do mundo!...”

e eu, aqui inundado pelo tudo naquilo que me chega abrupto, nunca o imaginando como afinal possível, recebendo assim um verdadeiro fundo de garrafa, todo ele, nem só encadeado mas mesmo vivendo-o, encantamento encantando-me … Mas logo resistindo, regressando-me ao que julgo ser, mas alguém mo terá dito?, ao que julgo dever ser o meu assim, saberei logo depois que é só aterrorizado, resmungá-lo-ei já a seguir mas ainda não, deixo-me ser um outro eu mesmo, mero tétrico, embrulhando medos nos sorrisos de um que se quer cínico: “ouve, não tenho gasolina para isso!”, cruzamento devastador do tudo que o que virá a seguir, e já o sei agora mesmo que falei, logo logo antes de lhe ouvir o de volta meneado bem silabado “és um filho da puta …”, esse mesmo que desde hoje, e tantos hojes depois continuará, sempre anda comigo, assim eu um menos eu. Um pouco-pouco eu.
(mpt, Agosto 2007)

1 comentário:

a rapariga que vinha da província disse...

assim um pouco tu. aqui, connosco.

(que bom)