Coisa de pro-Natal, cotovelos no balcão do Arcadas (o velho Tó, claro está), tudo ao bolo-rei e na visita aos velhos pais, quando ainda os há, carregados dos remorsos de já não se ser a fonte de problemas diários lá em casa. E, na moda do agora, olivesando. Já agora sobre o que dizer, do como dizer. Do cuidado com os textos escabrosos, dizem-me e eu cabeceio na anuência. Das opiniões de cada um sobre o que fazer. Mas nisto pouco há a acrescentar - ali a castanha chama-se caju, e é cara e bafienta, daí que se comem tiras de milho empacotadas e a cerveja não tem gás. Como desenvolver com este ambiente? Gente com registo diferente ligada por um velho bairro, alguns copos por vezes, e isto chega e de que maneira. Um perora sobre se é ou não diferente "conversar" ou "comunicar". Ele acha que sim, mas come tiras de milho empacotadas e bebe cerveja com pouco gás - e com aquele frio todo. De que interessa o que pensa um gajo com estes modos, resmungo enfastiado com este vizinho apesar de ter que o aturar.
Como vamos para o Natal repetem-se as cervejas, agora de garrafa, as putas das tiras de milho, e até chegarão alguns whiskies, sem soda claro, e também gente relapsa a olivesar, que não têm o registo próprio e isso assim, dizem. Como se este existisse. Insisto, o que me fica deste pre-natal olivesado é o aquilo dos textos escabrosos, assustarmos colaboradores, ferirmos susceptibilidades, espantarmos leitores. Enfim, esta merda de ser conspícuo geracional. Eu estou inocente, até aqui já pus a Bíblia e não era in-natal. Nisto ficou tarde, a "pastelaria" já quer fechar. Daí que, poucos, vamos para os caracóis, miserável sobrevivência do que in illo tempore evoluíu de "Mete Nojo" a "Pinto". Os caracóis, caralho, onde um gajo vai acabar a sua única noite de natal olivesada ... Vá lá que por lá ainda haverá um ou outro Ponderosa para apoiar um Bonanza desvalido com a idade, que não há reino que seja imortal e aquilo agora é uma merda de uma república de velhos. Ainda olivamos ali. No caminho, ali ao saudoso D. Rafael, cumprido que já foi o segundo de silêncio pelo velho Carregal, ainda pergunto nada escabroso se por acaso não haverá alguma brachola, até há, mas alguém se esquecerá de a representar naquele durante.
Afinal hei-de sair, pudera, que os dos caracóis já querem zarpar, assim para o trôpego. As grades dos maias são ainda verdes, mas esses maias foram espantados de vez, e não sei porquê, a casa de brasileiro antes de o ser está abandonada como sempre o esteve quando era algo, e depois foi lá um gajo dizer que era admirador do james eduardo de cook e alvega e tirou-nos aquilo, como se fossemos alemães, e do aquilo tudo fez o nada de hoje. Com as pontas dos dedos corro o gradeado como tantas vezes o terei feito, mas desisto, olho aquele vazio agora soturno e regresso na via do meu fiat, que há coisas que não são mais do que coincidências. Oscilo, e percebo que olivesei o que posso olivesar. "As coisas foram mudando", mais ou menos cantava um gajo dos velhos tempos - olivesa pouco, rapaz, diria ele hoje, e se calhar não está sozinho nessas lérias. Avanço então para a Rua, há luz em casa da Timor, do Xavi também, mais nada, mas não assobio a ninguém, seria escabroso repito-me ácido.
Subo, pé ante pé, não vá acordar os meus pais - e é só no corredor que me lembro que tenho lá também mulher e filha (já!?!?, ganda bandeira). Foda-se, por esta não esperava. Meia volta, abanco na sala em saudades dos tempos da nossa datcha, e assalto a garrafeira do pai António, esvazio-lhe o whisky velho - com um sentimento de culpa apesar de ter sido eu a comprá-lo. Depois, bem depois, um briol do caralho, vou pé ante pé, e nada escabroso, tirar fotografias ...
Ofertado à comunidade por a guy once known as Drinô, depositada na Gruta do Venâncio.