quarta-feira, 5 de março de 2008

domingo, 9 de março , às 15 horas !!





... na Fábrica Braço de Prata , sala Eduardo Prado Coelho ! A nossa Tertúlia às Voltas , com o RAP himself e ... nós, todos nós, para falar, ouvir e perguntar acerca de como se escreve humor em Portugal, visitando também a ' Boca do Inferno ' ...

Coisinha a não perder !!

Olivais! Independência ou Morte!

Ai, não gosto de começar nada assim com um lamento, mas é a santa verdade, o Fulacunda tem razão, este blogue parece a nossa rua em época de exames, e por isso hoje que importa, não vou almoçar, que se dane a beringela recheada que esmerei ontem, hoje fico aqui a escrever esta cartinha para os que estão longe, lá na terra do Olival cibernauta, blogueiro, um bairro imaginário onde agora nos encontramos, o primeiro tem de ser o Xai-Xai, devo-lhe um texto há quase um mês, ele fez as fotos da tertúlia do Zé Pedro e mandou-as para eu as completar com palavras, nem palavras, nem fotos, e é uma pena, a conversa foi boa, das melhores, envelhecer é uma arte, à distância de um mês é dificil encontrar ainda uma impressão, uma marca, algo que tenha ficado, a nossa vida, para que é que eu falo da nossa vida, porrâ, nunca mais falo da nossa vida, falo da minha vida, alguém me incumbiu de falar na nossa vida?, a partir de agora falo pela minha vida, e a minha vida é isto, sair de uma tertúlia como aquela e parece que tudo faz sentido, que aquilo que se falou é o mais importante, e, passado um mês, corro a mnemónica de amnésico que fiz, a giz, no quadro preto da minha alembradura e nada, nada, escarafuncho-a, nada, puxo mais um bocado, lembro-me do quê, lembro-me de nada, nem beringelas nem memórias nem texto, lembro-me de nada,



quer dizer, recordo-me de ver o Xai-Xai, a Xai-Xai, o Benguela, a Rua 3, o Fula e a Fula, a Inhanbane, lembro-me do prazer que isso me deu, disso lembro-me, do prazer, alembro-me muitas vezes do prazer, lembro-me dos nossos risos, lembro-me dos nossos risos na tarde, o sol a a entrar pela janela e os nossos risos, os nossos risos, sorrisos, o que nós crescemos entretanto, e aquele gajo também, o Zé Pedro, há agora sim, esta m. da memória começa a engrenar, lembro-me de uma epifania que guardei, já sei, era assim que eu ía começar o post, o texto, quando o Zé Pedro falou sobre os Olivais, em registo de rádio pópular, daqui em directo para a Olivesaria quais são as suas impressões como filho pródigo? , e o gajo a coçar-se, os Olivais dele são o mundo, de repente, a memória dele fez um brilharete naquela tarde de sol na
Fábrico do Braço de Prata, ele disse qualquer coisa àcerca das tribos, das guerras da secessão dos Olivais, dos escritos murais na Encarnação, Olivais Norte ou Morte, foi porreiro, o Zé Pedro ainda se lembrava do Olival, e é disso que eu me lembro também, quer dizer, agora que já me sosseguei e que posso tentar fazer com que o Xai-Xai me aceite isto por vez de um texto até me lembro de mais coisas, lembro-me da forma como entre Xutos e Pontapés o Zé Pedro disse que tinha de ir para casa praticar umas invenções que cria propôr ao bando, que, tal como se fosse um principiante, tinha de preparar muito bem as suas propostas porque senão elas não seriam devidamente apreciadas, que tinha até de ver o estado de humor dos companheiros para encontrar a melhor altura, gostei da humildade dele, não sei se foi chauvinismo mas pensei cá para os meus botões, é oliveira, lembro-me também da forma como foi difícil, como foi dificíl ser Xutos e Pontapés, como andaram pela estrada, e a gente a pensar que esles estavam defuntos e enterrados e os tipos a fazerem a sua caminhada no deserto até à entronização final, os senhores comendadores no dia de Camões, aquilo foi lindo de se ver, das coisas que eu me lembro, ai, repito, ai, não é lamento, é alcunha, e agora vou ali ao armário buscar as fotos do meu repórter de imagem, o Xai-Xai, ajunto-lhe este texto, e cá vai, em geito de desculpa rimada, Xai-Xai.

Alguém tinha reparado que esta senhora elegeu o Olivesaria, em tempos já idos, como um blog orgíaco? E agora ?...

terça-feira, 4 de março de 2008



À Escola vieram-lhe a chamar Eça de Queirós mas nós, que em Janeiro de 1977 a inaugurámos no meio do lamaçal - data tardia para o início de ano lectivo até nesses tempos revolucionários -, ficámos na trincheira dos Viveiros. Há tempos o já saudoso João Belo lembrou o lendário stôr Roxo, anos a fio presidente do conselho directivo. E então tentei lembrar o plantel dos professores de liceu que por lá tive. Sinal claro da balbúrdia desses tempos, a grande maioria varreu-se-me da memória. Se me recordo dos professores do "ciclo", passado no recato do Valsassina, os anos escolares seguintes estão na bruma. Lembro algumas personagens mas por questões acidentais - uma professora de matemática do 7º porque vizinha, uma de biologia do 9º porque lindíssima, um de português de um ano esquecido porque jovem barbudo e de cerrado sotaque do Porto - ainda assim um gajo porreiro -, quatro ou cinco personagens já meio confundidas porque vítimas privilegiadas das "malvadezas" daquele então. Sem ironia, um tipo olha para trás e vê que se divertiu (como não? se com aquela idade ...) mas por ali passou como por outro sítio qualquer teria passado.

Em seis anos de "ensino secundário" ficou-me o registo de três professores. Desse quase vazio a culpa, se é que isso existe (e um gajo quando passou pela profissão atira menos pedras), não seria de cada um deles mas acima de tudo daquela balbúrdia radical, do desarranjo de tudo aquilo. E também da parvoíce dos infantes, minha e não só, num estado pré-selvagem (como viria a criar o sô Rafael da mercearia ao Pinto, passados alguns anos). Lembro dois excelentes professores de História no 10º e no 11º - um era Aníbal Esteves, ali vizinho, vivendo num prédio que era moradia de uma Vespa Gorda. Do outro esqueci o nome (aqui mea culpa).

Mas ainda assim no meio daqueles Viveiros ainda deu para cruzar o professor que me foi o mais importante na vida. Um puto (teria para aí uns 21 anos) ainda estudante e que ensinava Filosofia. Brilhante, genial nas aulas. A ensinar o pessoal (era aquilo do Belo e dos pré-socráticos e outros gregos assim), a apaixonar as meninas claro, que as colegas andavam suspirosas pelos corredores, e a vir cá para fora ensinar-nos fintas de pés, enganando os candeeiros ali ao café Vitor (para não ser à porta da escola). Depois pôs-nos a dar aulas, "como na Universidade" aliciava ele e nisso não mentia - lá fui com o Miguel A. (Policlínica), com o Pedro P. (ao Tosta) e com o Fac. (Catió) dar uma aula sobre uns helénicos - uma catástrofe que ele aplaudiu. Depois pôs-me a dar uma aula sobre Heraclito, sozinho, preparei-me por aqui - tinha quinze anos! Correu-me bem, acho, acharam. Tínhamos todos aquela idade! Passado algum tempo conversávamos no pátio e ele, até surpreso depois dos testes, "estranho, vocês perceberam melhor o Parménides do que o Heraclito, costuma ser o contrário". "Pois, fui eu que dei a aula do Heraclito", disse até acabrunhado. "Nada disso, v. foi excelente" e eu, puto estúpido, logo a (re)inchar-me. Mas destas ingenuidades todas, até dele, um gajo só percebe quando vai para mais velho. Ao aproximar-se o fim do ano veio avisar, "ninguém chumba comigo" pois "vocês não têm idade para abstrair, só a partir dos dezasseis anos e mesmo assim ..." - platónico, estava-se mesmo a ver, ainda que ele também não tivesse os trinta anos recomendados. E o pessoal ainda assim, ou talvez por isso mesmo, a ir-se aos estudos - não muito, que não era recomendado perder a face de balda, claro. Depois desapareceu.

Dez anos depois, estava eu já doutorzito em entre-tropas, vi anunciada uma conferência do Prof. Nuno Nabais no Goethe. Lá fui eu, a ver o que lhe tinha acontecido. Lembro que entrei e assisti, era qualquer coisa como a presença de Kant em Nietzsche ou similar. Não percebi rigorosamente nada, para além das saudações. E nisso foi tamanha a angústia que me escapuli, a fazer-me esquecido do "dá-me licença ... V. foi meu professor em miudo" que talvez me tivesse levado até ali.

(ok, o post está longo, chato e isso, virá dizer o maitre Fulacunda. Mas apeteceu-me assim. Aguenta-te)
Gente que não era e era da Bolama.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Fonix!!! tanto tempo sem postas e vou meter uma logo à mesma Hora do bolama...
O post abaixo não é lamento pelo estado "festivo" em que vegeta o olivesaria ...

Terá sido a minha primeira ida ao Bairro Alto, coisa de tarde ainda, permitida pelos parcos 16 anitos. Ao Souk Club, que viria a pouco frequentar alguns anos depois. Festa de liceu, introdutória às zonas festivas, um Bairro Alto então ainda das putéfias alfacinhas e dos fados de turistas, a dar-se a matinées enquanto esperava outras - e mais lucrativas - ondas que não tardariam a chegar. Organização da malta dos Viveiros, o diligente Charrinho - já aqui anteriormente evocado, que o era de vero nome - e um tal de Nelson, de que não me sobrou memória.

Em tudo isto, na escolha do estado, do lugar, do clima e do divertimento, domina um instinto de conservação que mais claramente se explica como instinto de auto-defesa...



Anos que pareciam então infindos. E também imaginativos. Foram-no. Mas talvez não tão infindos como o desejaríamos, como o sentíamos. E, decerto, não tão diversos como o aparentavam - algumas navalhas iam-se repetindo ...

domingo, 2 de março de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

À Escala Humana


lisboa: arquitectura e urbanismo

À ESCALA HUMANA
PLANEAMENTO URBANO E ARQUITECTURA DE HABITAÇÃO
EM OLIVAIS SUL (LISBOA, 1959-1969)
JOÃO PEDRO SILVA NUNES

Uma edição da
Câmara Municipal de Lisboa
Direcção Municipal de Cultura
Departamento de Património Cultural

Depósito Legal: 257 981 07
ISBN: 978-972-8543-08-2
Tiragem: 1000 exemplares

O lançamento do livro foi a 11 de Junho de 2007.

segue então a coisa já muito mais organizada


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Mais uma carinha laroca


Tinha prometido a outra senhora.