sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"A promessa do Olival"





Tudo começou com Songs from a Room um álbum do Leonard Cohen que andava a dar cabo da cabeça ao John Lennon dos Dustra. Uma tarde, daquelas tardes ocas que nós aviávamos ali no Tó e que se preenchiam de imperiais, ganzas e bocas - conversas de muro dizemos nós agora aqui no blogue - o nosso Lennon atirou para o ar que havia um disco bestial de um cantor completamente fora, lá seguimos para os prédios do posto da Caixa, era por lá que, espalhados por aqui e por ali, moravam os Dustra. Não sei se foi para casa do Lennon, acho que fomos. Foi uma tarde memorável. Eu pelo menos lembro-me dela. Ou recordo-me da que se lhe seguiu, já no entusiasmo destas audições públicas. Um dos do grupo traz uma proposta envolta em grande secretismo. Uma cena marada dos cornos, foi assim que ele a apresentou e isso naquele altura era salvo conduto para um imediato bora, ainda estão aí à espera de quê?!, e lá fomos todos, para casa do Homem da Flauta Transversal. Chegamos lá e o impulsionador da audição diz que tem de ser um ambiente muito especial que a coisa não é para menos. Apagam-se as luzes e deitamo-nos no chão. E eu a pensar cá para os meus botões, se calhar se fumasse uma ganza não estava para aqui a pensar no que isto vai dar, eu era o careta, o Obélix das ganzas, tinha caído dentro do caldeirão quando era puto, adiante.
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9 comentários:

Fulacunda disse...

a tua história é tentacular JB. quero eu dizer que para onde quer que te voltes a contar uma parte dela, à sempre outros que no fim com ela seguem. e gosto muito de te as ouvir contar. porque sempre achei que as coisas se percebem não apenas pelo que contam mas também como se contam. as duas em ti convergem.

bafata disse...

Ainda não percebi o que mais me deixa de boca à banda nos teus posts ... se a p .... da beleza das histórias, se o modo de cinco tiros no porta aviões como as escreves e contas !
Dassss. JB vai escrever assim bem lá longe ! Tão bem mesmo !!

Inhambane disse...

Engraçada a coincidencia... eu a combinar um jantar cá em casa com o Abilio, rosinha e outros tantos para amanhã e dou com a cara dele aqui...

Olha se quiseres vir, estás convidado JB, cada um tras alguma coisa para comer e beber, toca-se, ouve-se musica, conversa-se etc....

Os restantes elementos do blog tb podem vir, podemos é ter de comer em pé pois minha casa é relativamente pequena e o terraço com este frio é impossivel

Anónimo disse...

amanhã estou com o meu filho e já tinha uma coisa combinada. mas dá um abraço a essa malta fadanga que nomeaste.

:)

JB

Xai Xai disse...

o fula tocou no ponto que torna a presença do jb neste espaço absolutamente indispensável (que exagero, experimenta ir embora que nós continuamos!)
a perfeita simbiose entre forma e conteúdo.
provavelmente alimentam-se mutuamente;
provavelmente não existe bela escrita sem bela ideia.

nestes exemplos que nos vai trazendo, verifico a capacidade de fazer germinar em aparentemente áridas vidas, percursos e desejos que de tão espontâneos se tornam pujantes e criativos.

bafata disse...

ena xai, estás a dar-lhe bem ...

joão belo disse...

xai em duplo, desculpa lá a provocação pública mas já que estamos em época de salamaleques e elogios e como já sou fã do teu contar, venham de lá umas histórias daquelas que me falaste e outras, olha, lembras-te dos campeonatos de atletismo (meia légua à volta da escola de nampula, cem metros desde cá de cima ( e como aperfeiçoávamos o principio da corrida, cortando o vento), lançamento do dardo (canas, ehehehe) e do martelo (pedras), estas úlitmas no relvado minorca em frente ao 89.

Lembras-te?

E por acaso terás memória de uma célebre invenção, "as fugas", pelo bairro inteiro?

joão belo disse...

e das sessões de fumo que fazíamos na casa das máquinas? e da intercepção que fazíamos com aqueles aparelhos rudimentares de comunicação (creio que dos irmãos do 6 ESQ do 88) e que uma vez apanhámos mensagens do aeroporto, o que motivou até que a polícia viesse rondar os prédios...

estórias perdidas ou não....?

mamadu sissé disse...

Grande John B. Good,

Na meu múnus farto-me de escrever, mas muito terra a terra, porque não se pode inventar nem mostrar dotes.

A tua arte de escrevinhar é estupendaça. Se fosses uma gaja ...

Mais do que a história do futuro, permito-me realçar a convivência do silêncio entre amigos, a ouvir um disco, a ver televisão, a fumar uma ganza, numa qualquer tarde lá para trás...

Quantas e quantas vezes, nos perdemos num momento com os amigos, a sentir a eloquência do silêncio ou de um disco ...

Um abraço