terça-feira, 23 de setembro de 2008

entre amigos

"Belo é - calar em comum,
Inda mais belo - rir em comum, -
Sob o lençol de seda do céu,
Debruçado para o musgo ou para um livro,
rir alto com os amigos
e mostrar uns aos outros dentes alvos.


nietzsche

sábado, 13 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

em tardes assim ...

... de coisas que saltam para o colo, com cheiro do passado, vestidas de praia e seus bandos de adolescência, de namoros envergonhados e espreitares em biquinis, de mesas abarrotadas de imperiais e bolsos vazios de dinheiro para mais, de motos que dançam por entre carros num grito pela liberdade de um asfalto inconsciente, de balizas de pedras, de lindas raparigas, de muros pejados de vagar em esperas por nada de especial, que não fosse o próximo amigo, a cara seguinte de um mundo secreto e só nosso, em tardes assim que me levam à rua e sua magia de universo sem igual, o nosso, o dos olivais, de tantos olivais, diferentes como só uma familia pode suportar e entender .. é em tardes assim que me faz sentido o ' preto e branco ' das quadradas fotografias da kodak que um dia desgraçadamente perdi ... Por isso, talvez por isso ...

... hoje venho como alguém a quem não apetece mesmo nada deixar morrer este espaço. E se ele se basta com tão pouco, um vir aqui de tempos a tempos, somos tantos, hoje hei-de ser eu a empurrar o écran um pouco mais para baixo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

restos de um velho verão



meia praia agosto 1981

(tomei o título de empréstimo)
. . .

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Olhar de novo.

Na minha rua, lá pela província, tudo era novo, como aqui, nos Olivais. Misturavam-se os campos, as quintinhas, os velhos solares, as ruas largas, muitas ainda por calcetar, existíamos logo depois dos bairros sociais, ali ao lado das moradias, ao lado do Liceu, ao lado do Colégio. E tudo isto, logo depois do burgo, do casco medieval, cinco minutos a pé quase em linha recta, passando pela mercearia do Sr. Pinto, do cinema S. Mamede e do café Óscar.
Na minha rua havia moradias, umas geminadas, outras não, um prédio de três andares com oito apartamentos, uma escola primária nova e uma casa rural onde vivia a velha leiteira que, todas as manhãs, distribuía o leite ainda morno e espesso que tanto me enjoava e que, pela tarde, soltava as vacas no pasto que se seguia ao fundo do meu quintal.
Nos jardins que por lá cresciam, havia cedros, azáleas, salva, roseiras e cravinas, mas também lá chegavam, com as brisas mornas da Primavera e do Verão, ou com os ventos e vendavais das outras estações, os cheiros da terra e do estrume, das matas e dos soutos, das vides e das fogueiras.
Na minha rua, havia mais rapazes do que raparigas, mais bicicletas do que bonecas. Um dos rapazes tinha um carro de pedais de lata vermelha (que sempre invejei por ser demasiado grande para nele andar) e a quase inexistência de outro tráfego, que não o das pachorrentas vacas a caminho do pasto, transformava-a em campos de bola e badmington, terreiro de duelos ou mares revoltos onde temerárias embarcações e arrojados piratas travavam a grande batalha naval. Era também onde se mostravam os canivetes, as caricas, as colecções de insectos ou de cromos, onde se trocavam risos de troça, berlindes, pequenos segredos. E, mais tarde, os discos de vinil, as cassetes, os bilhetes para os rapazes, os olhares, os assobios para as raparigas.

A minha rua era, afinal, como a vossa. Ao escrevê-lo aqui sei onde nos reconhecemos e o que nos distancia.


Este outro lugar que é o Olivesaria, mais não será do que uma das ruas onde nos vamos cruzando ao sabor e ritmo das vidas de cada um, nuns dias com o coração escancarado, noutros com o jeito do rufia, noutros ainda assim como se não passássemos, a fingir que estamos noutro lado.

Hoje, venho em jeito de desafio, hoje venho como alguém a quem não apetece mesmo nada deixar morrer este espaço. E se ele se basta com tão pouco, um vir aqui de tempos a tempos, somos tantos, hoje hei-de ser eu a empurrar o écran um pouco mais para baixo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

a quem possa interessar!


A tertúlia está de volta... dia 28 de Setembro, Fábrica Braço de Prata, sala Nietzsche, 15 horas, como de costume ! E o convidado é ....
Afonso Joaquim Sampaio e Paiva de Melo é um jornalista e escritor português.
Dos Olivais também ... !

Olhar de novo

Não devia vir assim com tão pouca inspiração e tão tarde. Mas é sempre tarde. Ou será sempre tarde, a adivinhar pelo tempo que vai e vem sem nenhum texto para animar a blogosfera do olival. Por isso, sigo em frente. Alguma ideia, tal como se fosse uma bolota, há-de cair no caminho para me ajudar a levar a conversa por diante. É um pouco a custo que venho aqui. Tal como naquele fim de férias dúbio em que já não era férias mas em que meio mundo ainda não tinha chegado à rua, era penoso vir até aos bancos, sentarmo-nos à espera que chegasse alguém, e começarmos a fazer rodar a girândola da troca de palavras. Depois haveria de vir um, outro, e lá ficávamos três a queixarmo-nos da malta que nunca mais vem, da seca que é agora. Não me apetece mesmo nada deixar morrer este espaço. E se ele se basta com tão pouco, um vir aqui de tempos a tempos, somos tantos, hoje hei-de ser eu a empurrar o écran um pouco mais para baixo. E se calhar até ponho foto. É isso, talvez ela me inspire. Já venho.
Nada. Não me inspirou nada. Esta pintura que deixámos ficar nos muros de Carvalhais, em S. Pedro do Sul, no Andanças, não me fez surgir nada. Um vazio macio, mas vazio. E agora tenho sono. Mais sono ainda. Espero que ela vos inspire. Amanhã a ver se volto cá mais cedo. Ou com menos sono. Ou com algo para dizer. É difícil. Ando mais para o lado do ouvir. Nas férias acontece-me sempre isto. Fico mais para o lado do ouvir. Os sons dos lugares. Os sons das pessoas. O que elas dizem. O barulho dos passos no chão. Não sei do que é mas sou assim, nos tempos de verão. Sabe-me bem a vida que me entra pelo lado do ouvido. Parece-me música. Se calhar é porque vou a sítios que me quebram a rotina. Não estou à espera e de repente há um sino a ecoar no vale. Ou os reclamistas de Teresina, apregoando tudo, picolé, candidatos, celulares, suco de caju. Vim com vontade de ir de novo. Não sei se vos acontece o mesmo. Ando ainda alguns dias no fim de férias a percorrer as ruas da minha cidade como se fossem ruas de uma cidade estranha. Os seus sons novos, inesperados. E mesmo aos meus vizinhos, aos meus amigos, ou aos colegas de todos os dias, hei-de surpreender com um olhar pausado, demorado, como se os estivesse a olhar pela primeira vez e a pensar de mim para mim o quão estranhos são.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

por um acaso inexplicável, esta apreciação vulgar resulta justa


"Sempre que alguém entra em discutir o carácter do povo português, pode adivinhar-se que, a certa altura da análise, dirá que uma das notáveis faculdades do nosso espírito é o excesso de imaginação."

sábado, 30 de agosto de 2008

Sapatos húmidos













Para secar o calçado húmido ou molhado, encher o seu interior com algodão em rama ou com papel. De seguida, esfregar com um pano e esperar que a humidade seja completamente absorvida. Em caso algum secar perto do lume.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ir a banhos...








já andava para contar esta história há algum tempo e agora embalado por esta imagem que roubei aqui achei que não devia deixar passar a oportunidade
nos idos de 82 estava eu acompanhado pelo A e pelo HP bem no meio deste largo, que era um pouco menos folclórico, a fazer rodar um espalhafatoso palito para rir quando apareceu o ZF acompanhado por uns maduros das avenidas novas
então por aqui? que é feito? não vos cheira a nada? acho que está por aqui alguém com uma broca! e nós lá continuavamos a rodar o dito palito, sim realmente também nos cheira a qualquer coisa! e o ZF lá continuou a tentar perceber de onde vinha o bizarro cheiro sem nunca se lembrar de olhar para o lado

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

alerta!!! que fazemos fizemos anos

Há 1 ano alguém declarava emocionadamente que:
Este projecto é um projecto muito bonito e que seguramente deixará marcas em todos nós. Foi com grande emoção que me envolvi nos primeiros passos da criação deste blogue. Vamos meus amigos, vamos todos de mãos dadas mostrar ao mundo o quão importante são as amizades de infância e as memórias que as preenchem. Viva nós! Vivam os olivais. E as azeitonas.”

E hoje é preciso tropeçar em
post alheio para ficar a saber que aqui a Xafarica teve há dois dias o seu primeiro aniversário!? Tudo isto é trágico, esta moleza, a verve calada, o silêncio trôpego, as memórias cabisbaixas, um passado que se refunde de novo. Quais azeitonas, de que oliveiras, se aqui, nós, já só mero azeite?!

domingo, 10 de agosto de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Paisagem com oliveiras



AS OLIVEIRAS
1889
Vincent van Gogh
. . .

Paisagem sem título: a Dona Morte

ao Beira, com um abraço








não sei de ferida mais profunda do que a perda de quem nos embalou. antes da Dona Morte me levar algumas das pessoas mais queridas ainda imaginava o seu retrato com alguma seriedade, solenidade até. agora vejo-a assim, em tons e traços infantis, vestida de saiote colorido, velha gaiteira, ceifando, ceifando sempre as vidas que temos para lhe dar.