terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tirem as mãos dos Olivais II (1)


"Dos vinte anos que vivi nos Olivais-Sul, dois foram decisivos para o conhecer como bairro, como ecossistema comunicacional único. Foram os anos de 88 a 90 em que a minha actividade como animador teatral e sócio cultural veio dar um novo efeito de sentido ao conhecimento do bairro adquirido durante os dezoito anos anteriores. Foi por essa altura que me confrontei mais sériamente com o projecto do Centro Cívico e Social dos Olivais (hoje já construído e conhecido por Shopping dos Olivais), tentando perceber o efeito benéfico ou prejudicial das alterações a serem produzidas.

Principalmente porque, fosse qual fosse a avaliação, uma coisa era certa: as alterações seriam tão radicais como irreversíveis. Radicalidade e irreversibilidade que provém de uma fonte comum : gigantismo da intervenção e localização da mesma .

Sobre a localização, e porque o gigantismo salta aos olhos, o novo Centro Cívico e Social irá ser instalado num espaço antes ocupado por um Centro Comercial e Supermercado, por uma escola primária em situação provisória (há mais de vinte anos) e por um espaço devoluto ocupado por pequenas hortas e por um depósito de material.

É importante referir que o actual Centro Comercial (neste momento já não existe) foi um desenvolvimento de uma Grande Superfície que veio, gradualmente desde há vinte anos, a afectar a própria vida do bairro. Esta afectação manifestou-se no aumento da oferta de trabalho (a baixo preço e precário), na resposta de algumas economias familiares menos consistentes a este apelo ao consumismo que lhes era feito do outro lado da rua ( apelo que é também uma proposta de ocupação de tempos livres), na inevitável concorrência com o supermercado de bairro ( ele próprio forte concorrente da mercearia de bairro), no aumento de tráfego automóvel na zona e, finalmente, na centralização da vida quotidiana dos Olivais Sul.

Ocupo-me com tanto pormenor deste antigo espaço porque o novo Centro Cívico parece-me uma continuação pervertida e ampliada do discurso subjacente à construção da grande superfície de há vinte anos ( à qual foi adicionada um Centro Comercial) . E demonstra que a política de intervenção seguida hoje, em vez de analisar as alterações produzidas com a instalação do anterior Centro Comercial e de instruir orientações correctoras dos seus efeitos nefastos ( em vez de as pensar , apressadamente, como custos do progresso) , reafirmou e sublinhou o modelo anterior.



Com algumas diferenças substanciais. O Centro Comercial foi criado para satisfazer as necessidades da população do bairro e embora tenha produzido alterações de vulto neste ecossistema territorial e comunicacional - enfraquecendo-o- não o destruiu. Como sublinhou Paulo Varela Gomes (no Expresso de 22.5.93) a estrutura urbanística dos Olivais tinha, pela sua excelência, qualidades que se mostraram decisivas no enfrentamento desta e doutras agressões. Onde outros aglomerados populacionais sucumbiram, os Olivais mostraram possuir notável capacidade de recuperação .

Não totalmente, saliente-se. O bairro evidencia sequelas de alguns tratos de polé a que foi sujeito ao longo dos tempos: realojamentos (de vítimas de catástofes naturais) não acompanhados; destruição de parte substancial dos Olivais Velhos; construção e abandono durante anos a fio do imóvel onde mais tarde veio a ser instalada a super-esquadra; modo como foi implantada a referida grande superfície ou ainda, pela construção da nova igreja, um verdadeiro bunker desporporcionado e mal engendrado; abandono do pulmão do bairro, o Vale do Silêncio.

O novo Centro Cívico não é por isso um disparate pegado. É um rosário deles, tecidos, entretecidos, como uma malha de onde o bairro poderá não sair vivo. O mais grave disto tudo é que zurzir o pau de marmeleiro sobre tão megálomano atentado a este ecossistema territorial e comunicacional não equivale a construir um discurso nostálgico ou saudosista sobre os malefícios do futuro. Como se pode lêr no texto de P.V.G. - e como ambiciono que se conclua do meu - é apenas expôr algumas das mais elementares regras de bom-senso misturadas com outras tantas boas ideias sobre o espaço comunitário .

A primeira delas é a de que num determinado ecossistema comunitário as intervenções devem ter em conta os equilibrios anteriormente realizados . Depois, devem ser realizadas quando e como esse espaço carece delas. E por outro lado devem definitivamente perceber que uma construção urbanística é um organismo vivo e que todos os organismos vivos necessitam de se alimentar para sobreviverem. E que quanto maior é o organismo mais avassalador é o seu apetite.

E ainda, que uma comunidade deve de qualquer modo ser envolvida nas alterações a serem feitas. E este envolvimento deve ser participativo. A comunidade deve sentir que tem voz e é escutada. Que os interesses maiores em jogo são os seus. É o bê-á-bá do desenvolvimento comunitário.



Bastaria o confronto com algumas destas questões tão essenciais como básicas - que ainda poderiam ser multiplicadas - para se compreender que os Olivais não vão ser destruidos pelo BigCenter que aí vem mas pela inconsciência daqueles que decidem o lugar - e o nome- das coisas (2). Inconscientes e felizes com o beneplácito da população (3) e com a conivência das instituições e organizações da comunidade que não querem perder o comboio, ou melhor, um lugarzinho nesta barca de Noé (4).

E se os Olivais necessitam de uma intervenção, que necessitam isso ninguém duvide, uma intervenção quase cirúrgica de revitalização do seu espaço, ela deveria ser dirigida para o descentramento do bairro (. Ou melhor, para a sua pluricentração (passe a expressão) . Antes de lançar um só tijolo averiguar da capacidade dos já existentes - mesmo que modificados- contribuirem para o restabelecimento do equilibrio comunicacional ( o que, por paradoxal que pareça, está a ser feito em alguns espaços).

Uma intervenção desta natureza, que obrigaria a voltar a pensar os Olivais como um todo e simultaneamente como um espaço fragmentado, privilegiaria a pequena cirurgia e teria de observar como as várias grandes artérias que atravessam o bairro foram estruturando diferentes espaços com problemas e necessidades tão diversos que não faz sentido propôr a big solução. Pequena cirurgia valorizando a rede de organizações, e associações, estimulando a frequência do espaço rua e dos espaços verdes, cultivando o amor e o humor, a cultura e o prazer.

Os exemplos seriam muitos mas de tal forma estranhos ao maior número de leitores que perderiam toda a eficácia. O que importa é salientar uma ciência da intervenção na comunidade que a propôe como ecossistema onde o território é estruturante da comunicação. Os espaços falam e condicionam a fala.

Onde esse peso discursivo dos espaços e das instalações (das mais perenes às mais irreversíveis) tem de ser integrado. Se virmos as coisas deste ponto de vista conseguiremos visualizar o Centro Cívico como uma fala amplificada, ensurdecedora de toda a comunicação anterior. Assemelhando-se aqueles abafadores gigantes ( os olho de Boi) com que os matulões de bairro roubavam os bilas, os pirolitos e as estrelinhas aos putos do berlinde. O Centro Cívico é um gigantesco Olho de Boi Comunicacional. Um Plátano enfiado dentro de um vaso. Pronto a quebrá-lo e a estender as suas raízes tentaculares absorvendo toda a comunicação em redor. O Centro Cívico e Comercial resolve os problemas dos Olivais na exacta medida em que os destrói.

Estamos a falar do que os Olivais precisam (e do modo como Lisboa precisa dos Olivais). O problema é que os Olivais não existem. Ou pelo menos, neste caso, não foram tidos em conta. O Centro Cívico e Comercial não é para os Olivais. É para a cidade. É para resolver os seus problemas (como se os seus problemas não fossem aumentar com a destruição deste ecossistema) (4).




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(1) Este texto foi escrito em 1993 e o seu titulo associava-se a um outro, "Tirem as mãos dos Olivais", de Paulo Varela Gomes, publicado no Expresso de 22.5.93. Republico-o agora (com anotações actualizadas e imagens retiradas do blogue Viver na Alta de Lisboa) porque o nosso Olival Virtual me parece ser uma boa oportunidade para discutir este tema. É claro que entretanto passaram-se catorze anos e muita coisa mudou, até mesmo no meu modo de pensar. Mas no essencial, mantenho-o como pontapé de entrada na discussão sobre a ideia de que nos Olivais - tal como é discutido aqui por Teresa Valsassina Heitor, - o atraso na construção do núcleo central (equipamentos culturais, serviços e outros) ter moldado negativamente o desenvolvimento do bairro .

(2) No jornal da Junta de Freguesia o seu Presidente proclamava em letras garrafais, "Maior do que as Amoreiras", para falar do Centro Cívico, mostrando, através deste embasbacamento pacóvio e saloio pelo tamanho do novo Centro, que os Olivais não tinham autarcas cujo sentido de responsabilidade pudessem tranquilizar o bairro de que a intervenção em causa seria o mais integrada possível.

(3) E por outro lado, na discussão sobre o Centro, muitas organizações, de natureza cultural, recreativa e religiosa, esperavam ter acesso a este espaço e essa expectativa condicionou o debate existente.

(4) É curioso também de referir que um dos argumentos à época para a justificação do centro seria o de um hotel de apoio à Portela. É claro que hoje sabemos qual a discussão sobre o actual aeroporto.






segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A uma das autoras acho-a uma mulher girissima, ainda que só a conheça fragilmente de vista.
Ao livro não conheço, mas decerto que fará parte de uma estante olivográfica que se preze: "Olivais, Retrato de Um Bairro", de Helena Torres e Catarina Portas, Liscenter, 1995. Na internet nem uma imagem - alguém tem o livro para ajudar a colorir esta entrada?

Desculpem interromper o aprazível chat - um Percurso na freguesia de Santa Maria dos Olivais proposto pela Câmara Municipal de Lisboa (o qual, perdoem-me, seria mais indicado como proposta de convívio do Olivesaria do que um passeio até S. Pedro de Moel, mas enfim ...).

post repetido sem querer .. .mas já agora !!




Filha de Bafatense... olivalista de genes... anda a votos em video de culturas, terras e gentes.

Parece que vai bem classificada, mmmmm ,cheira-me a mãozinhas do pessoal do Olivamos ! Já vi posts com quase 200 comments, dá para almejar metade em votos para a nossa Olivalense ?



http://videos.sapo.pt/35EWolGMZH2IZV2cgDDQ

domingo, 18 de novembro de 2007

Para além dos Olivais

Um livro editado em 2000 pela Bedeteca de Lisboa, instalada no Palácio do Contador-Mor, situado na Rua Cidade do Lobito.

Projecto coordenado por Nuno Saraiva.


(design e ilustração da capa © Carlos Guerreiro)




(texto © João Paulo Cotrim)



(texto © Nuno Saraiva)



(© André Carrilho)



(© Pedro Cavalheiro)



(© Pedro Burgos)



(© Nuno Saraiva)


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Quem é que alinha numa Kartada?

A pedido do Fula Teresa, aqui fica o réptil:
Quem está a fim de alinhar?
O que é que preferem? À noite durante a semana ou num fds durante o dia?
Palmela, pista maior e mais larga, a 50 kms?
Campera, pista menor e mais estreita, a 25 kms?
Estrago à volta de 40 aérios, para 10 minutos de treinos e 35 de corrida!
Eu fico a beber umas jolas e a rir um bocadinho!

Ontem prometi...

... que partilhava isto!

Olivais Vivos: a Malta das Ideias


Na semana seguinte voltei à Quinta das Laranjeiras como prometido. E voltei já com uma animadora da equipa de rua. O grupo tinha aumentado. Sentámo-nos na relva em frente e eles apresentaram-me o plano de voo: íriamos para o lado norte, seguindo a linha do comboio. Desta vez traziam lanche para fazermos um pequeno piquenique.

E começámos a definir a alma do grupo: seríamos um grupo de aventuras. Todos os fins de semana íriamos descobrir um sitio novo na cidade. Nas primeiras duas semanas fomos a pé. Calhou-me também a vez de lhes mostrar os meus sítios. O Vale do Silêncio em primeiro lugar, tinha de ser. O mais importante era a sensação de sairmos, de uma aventura, de sermos um grupo e de podermos brincar e fazermos o que nos apetecesse (por vezes eu próprio fazia coisas disparatadas e inusitadas, mas que me apeteciam, como subir às árvores ou desatar a cantar ou a dançar no meio da rua). Ou de repararmos nas coisas, de sairmos da nossa ignorância de de preenchermos o mapa das nossas vivências com as novas descobertas. Estes miúdos não conheciam Lisboa. Não só os museus, os jardins, também os bairros antigos, e principalmente, esta sensação de passear na cidade. E eu aprendia nesses dias uma coisa decisiva para o meu trabalho de animador, a necessidade de me apartar das técnicas e de ser o João, o pequeno joão pé de feijão. É uma aprendizagem do teatro e da vida: a única coisa que de verdadeiramente luminoso podemos dar uns aos outros é a totalidade da nossa presença no mesmo espaço-tempo, sendo que o estarmos realmente presentes resulta de um trabalho laborioso de refinamento e decantação, de busca pessoal.

Depois escrevemos uma carta à Junta de Freguesia, donde o projecto emanava, e pedimos que nos apoiassem as deslocações. É claro que não passava de uma pequena estratégia para eles se comprometerem com a dificuldade de arranjar recursos. E assim a Junta passou a fornecer módulos. Um dos primeiros sitios onde fomos foi ao Jardim da Glubenkian, que eu conhecia de olhos fechados, por lá ter animado, há muitos anos, no Centro Artístico Infantil, a aventura no jardim, um jogo de pista.

Gradualmente fomos fazendo cada vez mais coisas. Inclusivé um jornal. O que nos permitiu adoptarmos uma atitude mais relacional com quem encontrávamos, fazendo entrevistas. Os grupos são o grande espaço de crescimento mas é preciso abri-los, torná-los abertos. Muitas vezes quando saíamos eu sentia que eles queriam ir contra a tentação de ficarem no seu pequeno grupo, de não se confrontarem com os outros. Quando faziam aqueles amigos ocasionais - e as crianças e os adolescentes são pródigos a fazer amigos da minima actividade em comum - chegava sempre um momento complicado, que era o de dizerem de onde vinham. E aí, tantas vezes que isso aconteceu, ao dizerem-no, adoptavam uma posição agressiva, fechavam-se. O mais interessante para mim - e a partir de certa altura a pretexto de querem que eu fosse falar com os pais para que estes os deixassem ir, o que eles queriam era introduzirem-me nas suas casas, nos seus problemas, nas suas vidas - é que eles sabiam, principalmente os mais velhos, que havia um circulo vicioso a pender sobre os seus caminhos e que estas pequenas oportunidades eram muito importantes para eles. O grupo começou a ser um lugar onde também falávamos deles próprios.

E tal como na Olivesaria, o nome da malta das ideias surgiu do delfim do grupo. Para ele era lógico que se aquilo que nos unia era termos ideias para sair do bairro, deveríamos ser a Malta das Ideias. Um deles fez o símbolo, o logotipo do grupo. Fizemos fotocópias com o símbolo no canto superior esquerdo e passámos a ter folhas timbradas. Numa delas pedimos um espaço. Nova pequena estratégia, claro: a possibilidade de termos um espaço tinha surgido com o aproximar do Outono e com o eu ter levado para a assembleia do projecto a pergunta, e agora, onde nos encontramos?.

E foi-nos cedido um barracão. E tintas, e trinchas. Fomos nós que escolhemos a cor e que pintámos. E começámos a ter rotinas de organização do espaço. Não tinhamos luz eléctrica, funcionávamos com velas, o que dava um ar mais engraçado às nossas reuniões. A mim fazia-me lembrar os clubes da minha infância, em Mafra, quando ocupávamos moinhos abandonados e faziamos grupos decalcados das experiências dos Sete.

O projecto entretanto tinha-se tornado a coqueluche dos Olivais Vivo, para o qual também muito tinha contribuído a sua presença na televisão, num programa sobre o Contigo Vais Longe. Meses mais tarde, em pleno crescimento da Malta das Ideias, depois de um fim de semana em S. Francisco da Serra (onde eu tinha alugado uma pequena casa de campismo de habitação) em que delineámos a programação para os próximos seis meses, o projecto Olivais Vivo termina de forma abrupta por causa de irregularidades financeiras detectadas na gestão do projecto e arrasta consigo o cancelamento de todos os seus projectos.

olivalense a votos ....




Filha de Bafatense... olivalista de genes... anda a votos em video de culturas, terras e gentes.
Dá para dar ? Uma mão, um voto, um olivalismo !!



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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Olivais Vivos: intervir na Quinta das Laranjeiras



Já o projecto Olivais Vivo tinha algum tempo de desenvolvimento, foi sugerido que fossêmos a uma zona problemática. Até aí tinhamos andado por zonas mais ou menos amenas, Vale do Silêncio, Largo das Mamas, Largo do Ferrador, Largo na Rua Cidade da Beira, desta vez sugeriram-nos uma intervenção na Quinta das Laranjeiras, numa zona dominada por dealers e consumidores. Reunimos o quartel-general das expressões e do desporto, íriamos todos em conjunto. Começámos por uma pequena animação - as velhotas diriam, uma pequena palhaçada - e depois fomos tentando pegar os jovens para o trabalho connosco. A certa altura percebo que não posso continuar ali. Das varandas há olhares hostis, a medirem-nos, a ver se temos medo, se amedrontam estes doutores da mula russa. O chão está cheio de seringas, os dealers estão com ar desconfiado, tudo aquilo me deprime. Tenho de fugir e o mais rapidamente possível. Como sempre, faço-me de tonto, olho para uma pequena abertura entre os prédios, vejo uma espécie de descampado, pergunto para um grupo de miúdos que estavam ali (entre o medo da chacota que vinha das janelas e das varandas para o pátio e a fuga à realidade que aqueles tipos esquisitos pareciam poder porporcionar) :
- Aquilo vai dar aonde?
Os miúdos ficam orgulhosos. Aquilo é o bairro deles, o ponto de fuga para a zona oriental, para os contentores, para o brincar vadio à beira rio.
- E vai-se por ali? - insisto, com o meu ar de deslumbrado.
- É já ali embaixo.
Afasto-me, na direcção do caminho, sei que vêm atrás de mim. Faço sinal a uma das animadoras da equipa de rua, ela percebe que eu saio com eles. Já estamos fora do pátio, dos olhares trocistas, das vidas rodadas num vira-destinos que quase nunca cai para o lado do sol.
- E pode-se ir a pé?
Passam a ser eles a explicar. Eu já sinto o cheiro da terra, da folhagem, o rio ao fundo reorganiza-me, a partir de agora, há medida que os passos nos afastam da zona mais tensa do bairro também mando eu:
- E se escolhessemos cada um o nosso personagem?
- Um quê?
- Quando eu era puto tinha um grupo de aventuras e todos tinhamos um nome de guerra...
- Claro, eu sou o...
E começaram aí a escolher o nome. Ainda não tinhamos chegado aos contentores, já tinhamos uma canção e um grito comum.
- Podemos fazer uma bandeira, João?
Claro que podemos, podemos fazer tudo. E fazemos quase tudo. Eu troco brincadeiras antigas, atirar pedras ao rio, escondermo-nos, com outras, que eles me trazem, subir aos contentores, dizer palavrões, gritar. E ao fim de uma hora e tanto voltamos. Eles inventam cada vez mais promenores sobre o grupo. Eu sinto-me feliz, muito feliz. Não fiz nenhuma das actividades de expressão dramática que deveria ter feito, mas tinha conquistado o grupo:
- Voltas, João?
- Só volto se vocês me mostrarem um sitio giro.
E marcámos logo ali um novo encontro. Ainda não sabíamos mas tinha nascido ali a Malta das Ideias.

Olivais Vivos: animar o Vale do Silêncio


imagem:josé soudo

No princípio dos anos noventa surgiu nos Olivais um projecto vinculado ao Contigo Vais Longe, o Olivais Vivo, que tinha várias componentes: animação desportiva e animação da área das expressões (dança, expressão musical e dramática) e algumas características distintivas, entre as quais uma equipa de rua, que apoiava o trabalho dos animadores das várias áreas, investindo na relação e na informação. Fui chamado a colaborar na área da expressão dramática embora, dada a dinâmica criada, tivéssemos todos nós participação num colectivo que integrava todas as valências do projecto e em que era discutida muita da estratégia seguida. O Olivais Vivo acabou por ter um final diferente do previsto (irregularidades financeiras imputadas à vereadora responsável pela coordenação do mesmo levou à alteração abrupta do modelo que estava a ser seguido), e independentemente do constante processo de análise crítica que fazíamos, funcionou para mim como um espaço de experimentação de práticas de animação que ainda hoje valorizo, como por exemplo, a da articulação entre actividades de rua (grande parte delas no Vale do Silêncio) e actividades em espaço fechado (ateliês, prática desportiva, ginásios, escolas). E mais do que isso, um regresso aos Olivais, local do qual eu estava, por causa da minha actividade profissional, muito afastado, acabando também por ser nessa altura que desenvolvo, com o grupo de teatro da paróquia, um projecto teatral a partir de vivências e histórias dos olivais. Para além de ter sido aqui que, através do projecto Malta das Ideias, a minha intervenção deu um salto qualitativo muito grande (eu nesta altura ainda estava muito preso à minha afirmação profissional, era actor, animador de expressão dramática, e precisava que essa distinção técnica marcasse as minhas relações não só com a entidade que me pagava, o que até seria natural, mas também com o grupo). Creio que foi muito por estar a trabalhar em casa que eu senti um outro tipo de apelo e ligação e é assim que a partir do projecto Malta das Ideias percebi realmente o que é que realmente queria andar a fazer pelo território da animação sócio cultural.

and today, 15th of November

HAPPY BIRTHDAY LOURENÇO MARQUES !!!!!


Ilustre Olivalista & a very good friend !!!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

FAZ DE CONTA

Ora aqui jaz um blogue onde o dito cujo só postou uma vez porque se esqueceu da password e jamais lá conseguiu entrar… nunca mais quis nada com a net.

É só style!!


Mais gaiijos giros, ou com pinta, sei lá... os dois são casados com Oliveiras!!