domingo, 16 de março de 2008

Febre de sábado à noite





A senha, por favor?


Bijagós

é o que são esses, ditas personagens dos Olivais, festejando a ausência de outros, combinando-se à revelia. Sim, coisa ampla, até de Timor chegou o T. - uma vergonha, coisa do apelo e agravo recusado.

Bijagós!!

sexta-feira, 14 de março de 2008


"Quem quer festa, sua-lhe a testa."

quinta-feira, 13 de março de 2008

A Barca de Ulisses











"Pedra que rola, não cria musgo."

quarta-feira, 12 de março de 2008


"A pedra e a palavra,
não se recolhe depois de deitada"

terça-feira, 11 de março de 2008


parabéns, Maracangalha!
(temos saudades tuas e das tuas fotos noir et blanc...)

Quem ao seu amigo dá seu lugar, não o quer de si afastar.

Queixa-se o fula de estar a ser só ele o "malhado" pela vozearia festiva que a data apregoa: "que isto assim não pode ser… fomos os dois que nos metemos nisto, a ideia e tal… está na altura de te chegares à frente e dizeres qualquer coisinha no que diz respeito à festarola… que é para não ser só eu a levar na tola… é só no Fula, só Fula e tu aí caladinho!"

(desde já solidarizo as pancadas por ele recebidas no toutiço… solidário apenas, essas estão dadas, estão dadas… aguente-se à bronca!)

E assim sendo, ele farto de apanhar, aqui estou eu agora de peito feito para distribuir alvitras bujardas nas cachamorras que me/nos tentarem alcançar…

segunda-feira, 10 de março de 2008


© pedro morais

a galeria virtual de uma oliveira genuína!

as oliveiras também caem

lá partiu mais um olivalense da bloga. tenho pena. eram azeitonas de excelente degustação.


e acabou por ser ...







... uma boa tarde de domingo, uma boa Tertúlia, à volta de um livro, de uma pessoa como nós, que ouviu, falou e certamente aprendeu algo de volta, coisas à volta de escrever e falar, de fazer rir também. Riu-se por ali, ouviram-se histórias e ideias à volta de um Ricardo que, como todos por ali, foi pelas palavras fora, o João Belo e o Xai deram um toque de oratória Olivesaria a uma tarde com a liberdade e o gozo de se viver um bocado à nossa maneira. Não complico mais ... foi bom e pronto. OBRIGADO a todos os que por lá passaram ...

Em Abril há mais, sábado -dia 12, 15 horas, Carlos Vale Ferraz !!!

domingo, 9 de março de 2008

das festas, dos amigos, e do trabalho que ambos dão

Fui pretensamente ‘empurrado’ para fazer anúncio da festa. Um breve textito em jeito de apito final e talvez juntando umas palavras aqui e ali para aclarar a ideia de que se pretende apenas criar uma oportunidade para nos podermos encontrar, beber um copo, lançar conversas, rir e dançar. Nada disto precisa ser um apelo muito virtuoso, bem sei, que ou se vai ou não se irá. Mas acreditem, quando olhei para o texto que tinha acabado de escrever (ainda bem que a tempo me ocorreu nele pausar), fiquei impressionado com o tom e os significados pretensiosos que giravam em volta de um mero convite desta natureza, como se para essa circunstância me visse obrigado a declarar a amizade como um laço místico e exigente, uma série tortuosa de explicações que ninguém pediu. A amizade não é nada disso, não pode ser. Nas velhas amizades as palavras já pouco importam, dispensam-se até se ninguém para delas estiver com pachorra de fazer uso. As amizades têm de ser sítios onde nós possamos descansar, onde possamos falar do que quisermos, se quisermos, mas sobretudo têm de ser espaços honestos, vozeirados anos a fio, onde até os próprios silêncios sabem falar … as amizades são coisas simples e se fossem textos nunca seriam longos e justificados como aquele que em bom tempo acabei por apagar ou como este agora parece querer vir a tornar-se. Deixemo-nos de grandes prosápias, que aqui o que importa é que venham, que os amigos venham, e que os outros que também vierem amigos se tornem.



Data: 15 de Março, já se sabe, pela meia-noite ou assim

Local: Fábrica do Braço de Prata

Bar aberto ... e 10 euricos (porque 'vinho tirado é vinho bebido' e as uvas estão pela hora da morte)


Ah, e por favor não deixem de ir ali ao lado esquerdo assinalar se pretendem ir. É anónimo não traz qualquer compromisso e ajuda a logística. A comissão organizadora agradece.

Onde vivo bastas vezes bons e mais velhos amigos (desses que, afinal, se fazem em todas as idades, vou-o descobrindo agora já não disso céptico) narram-me algumas das suas antigas andanças, recordadas em noites assim tornadas como se blogs colectivos à volta das mesas, quando galinhas, caranguejos, camarões e piripiris já se deglutiram e nos alargamos nas aguardentes, às vezes vínicolas mas mais das cerealíferas. Contam-me essas histórias acontecidas enquanto eu e os meus andávamos nas coisas que aqui temos vindo a recordar, dos idos do maracangalha aos atrevimentos do Bairro Alto.

São histórias que sobrevivem, pertenceram a tempos de utopias, muita boa-vontade, quilos de ingenuidade, outros tantos de arrogância, abnegação extraordinária, malfeitorias muitas, desgraças imensas digo-as no fim, sem esquecer o que de bom também delas brotou. Algumas que adoro reouvir são as daqueles que calcorrearam matos longínquos apresentando cinema ambulante a gente que nem fotografia conhecia. Aldeia a aldeia, noite após noite, dessas de dormir na esteira, montando gerador e ecrã - esse a quem as pessoas iam espreitar por detrás procurando por lá aquela estranha gente que ali as visitava. Aldeias essas onde comecei a surgir vinte anos depois, elas talvez não tão diferentes assim.

Iam então crentes da necessidade de partilhar algo, de introduzir o "cinema", e de que isso em muito melhoraria mentes e prazeres alheios. No início desses tempos carregavam os "documentários de notícias" (lembram-se de que também os tínhamos na 1ª parte do cinema?, ainda que coisa muito "Estado Novo", depois deixados cair pela expansão da TV), muito revolucionárias então, mensagens de contrutores de nações. E ainda filmes que consideravam adequados, de diálogo fácil para a gente que presumiam ir encontrar e que tanto desconheciam. Filmes para gerar o apreço ao cinema que procuravam criar, partilhar. Jovens então, logo escolheram as fitas de Chaplin, certos que o riso ternurento, até poético, do Charlot cativaria pelo mato fora as atenções virgens de tudo aquilo. Com a vantagem de ser mudo - prescindindo da leitura de legendas em gente analfabeta ou de dobragens em gente que não entendia português.





O que me contam do que ali os espantou foi a total adesão, até timorata no susto com tanto movimento julgado real, espantada com a origem de tais seres afinal não ali, não por detrás dos "panos". Mas uma adesão inesperada, uma adesão sem riso, uma total adesão solidária, pesadamente silenciosa, de silêncios até entrecortados por lamentos com todas aquelas desventuras, dores e falhas do Chaplin de sorriso triste. Aquela população virgem de imagens gravadas, até da sua notícia, logo ali companheiros, comentando lamentando os sofrimentos do pobre Charlot, feito, ainda que num mundo dali tão diferente e desconhecido, imagem própria. E também felizes pelos fins acontecidos, pelo continuar bamboleante, afinal não vencido do homem - ali não personagem.


Gosto dessas histórias, porque me lembram esse campo dito "mato" que sempre me faz falta. Porque me sublinham a incompreensão que sempre me acontece quando lá. Mas mais do que tudo porque me recordam o meu pai António contando-me de quando viu pela primeira vez "A Quimera de Ouro", nos anos 30 ou talvez inícios de 40, em dias de Carnaval no Porto. Cinema cheio, gente jovem e feliz, carnavalando na ida ao cinema, nesse então sinónimo de dia de festa, barulhenta do dia e da idade - essa gente já do cinema sonoro, mas que ainda viram o Valentino e esses. E que, contou o pai António, correndo o filme, logo, logo, o cinema se calou, agora nada carnavalesco, absorto mas nada rindo do tal "filme cómico", também esmagada e solidária com as aventuras titubeantes do garimpeiro infortunado.

Reagindo ao trágico disfarçado de cómico? Talvez nem tanto, mais me parece que percebendo a angústia cantada em cómico - tal como tantos anos depois longe longe aconteceria com gente afinal não tão diferente. Pois não tanto o trágico que, abrupto, interrompe, mas essa angústia que continua porque faz sempre parte. Que, assim, faz continuar.

É preciso ser Chaplin para tal provocar? Não, nem mesmo pertencer à galeria dos imortais, Tati e esses. Aqui o João Belo já recordou o Sam (e que grande post, aquele que narrava a tortuosa oferta do título de livro) - e lembro-o recriado pelo Mário Viegas na TV. Gargalhávamos? Sim, às vezes. Mas era muito mais do que isso.

Explicar, isto do como comunicar para além dos códigos abissalmente diferentes? Do como o aparente afinal é esquecido e se partilha o verdadeiro? - não faço a mínima ideia.

Mas lembro as histórias e pergunto-me agora do que é o celebrar gutural (que o JB descobre abaixo, nos putos da fnac ritualizando na comunhão do riso alvar) em torno dos badarós?

E encolho os ombros, não o porquê do nosso (auto)badorizar, mas sim o para quê dele - porque um qualquer gajo conta anedotas, ou é anunciante, ou é giro, ou escreveu O Meu Pipi (alguém consegue reler O Meu Pipi?), ou é político que (às vezes) pensa como nós? Ou porquê badorizar os outros, dizendo-os ignorantes, povo, riso estúpido bom para ele, como se "povo" assim seja? Quando afinal, diz-nos a história (pelo menos esta história) nada disso é verdade, badorizamo-nos, badorizamos, por mera decisão. Preconceituosa, ignorante.

Porquê o nosso (auto)badorizar? Talvez uma tralha brotada da nossa actual obrigação de ser feliz ("Seja feliz", diz o locutor televisivo na despedida, às vezes "irónico" no "Faça o favor de ser feliz"), coisa da confusão, de nem percebendo como isso do ser "feliz" se vem procurando com alegretices. Roucas, rápidas. Incompetentes. De grosseiras.

Tudo isto só mesmo para amputar a tal angústia partilhada, partilhável, como se coisa má. Só mesmo para, assim, sermos menos qualquer coisa. (Mesmo que na Fábrica do Braço de Prata afinal da "cultura", afinal no que é o chic pensante lisboeta desse algum hoje. Palco nada refúgio do badaroísmo. Palco selvagem. Porque muito longe do mato? Não. A pergunte é mesmo "por que é que muito longe do mato"?)

sexta-feira, 7 de março de 2008

O teu riso tão bonito, caramba! (ou, dizem que é uma espécie de humor)

Toda esta conversa sobre o RAP e os Gatos fez-me lembrar uma conversa que tive há uns anos com o Miguel Viterbo, um dos fundadores das Produções Fictícias, projecto empresarial que assinou muito do melhor humor que por cá se fez e que, para além de ter sustentado (através dos textos do Nuno Artur Silva) uma reviravolta no trabalho do Herman, também foi a base de onde partiram cómicos como o Luis Filipe Borges ou os próprios Gatos. Falavámos de uma caracteristica que os distinguiu, o de não serem actores e de interpretarem os seus textos, o Miguel defendia que isso era uma mais valia, embora reconhecesse que para isso ser uma mais valia tinha de estar enquadrado numa produção rasca, em que um cenário minimalista e a fazer de conta que era um cenário, se impunha. Eu não muito entusiasmado com o valor acrescentado que isso podia trazer contei-lhe uma pequena história que tinha presenciado uns dias atrás na FNAC. Passava um DVD dos Gatos. Vejo um adolescente, a olhar aquilo, com cara de anteontem já a sentir-se estúpido de não conseguir achar piada aos gatos. A seguir junta-se um par de adolescentes. Os dois olham para o êcran. A rapariga ri-se num determinado gag. O seu par olha-a com um sorriso. O outro jovem mira-os, aos dois, a ver se também podia entrar. O riso dos outros dois já estava afinado. Riam-se nas entradas certas. Começavam a repetir pinhal e a rirem-se, eu diria, estupidamente. Foi nesta fase que o outro adolescente se sentiu suficientemente à vontade para entrar. Entrou. Juntaram-se mais duas ou três pessoas. No final a aclamação, eles já estavam de pé: os gajos são geniais.
E eu gostava de pensar nisto mais a sério, para além dos Gatos ou do próprio RAP. Sou daquelas pessoas que acredito que o humor desempenha uma função social tremenda. Lembro-me de há vinte e tal anos, no fim das escadarias da Esbal, ter apresentado uma performance, Às vezes danados!, e que terminava desta forma ingénua e pueril: "que me interessa que tenha havido um Hitler ou um Estaline se em cada época eu tiver um Charlot para, através do riso, os ridicularizar". Era uma profissão de fé na arte e não se estranhe isso de um jovem de vinte anos que estava rodeado de jovens que ferviam na experiência artística. É claro que hoje já não assinaria uma frase daquelas mas guardo dela esta incondicional adesão ao humor.
O humor como forma de respiração de uma vida, de uma vida outra. Ver nas coisas outras coisas nas mesmíssimas coisas. É quase que um treino. Há uns anos o Acert e a Barraca organizaram em Tondela uma homenagem ao Raul Solnado. Pegaram numa data de amigos e conhecidos e lá levaram uma camioneta cheia de gente para bater palmas ao grande cómico. A coisa foi bonita, com aquela amizade farta e militante e a organização arranjou mesmo um hotel no sopé da montanha para passarmos a noite. De manhã íamos a sair já depois de tomarmos o pequeno almoço e quando já íamos a transpôr a porta do hotel o Raul Solnado chama-nos com ar de puto:
- É pá, já viram o papa a mijar para o muro das lamentações?
E faz-nos voltar atrás claro. Olhamos a capa do DN e lá está de facto o Papa, em frente ao muro das lamentações. Só que a sua postura curvada, a sua mão saíndo do hábito em direcção ao muro dava a entender que o Papa estava de facto a urinar para o muro. E foi de tal forma forte essa imagem que nos olhámos como se, nos primeiros instantes, fosse isso que acontecia. É claro que aí já o Solnado tinha desmanchado a sua atitude e com ar de puto reguila imitado o Pessa, e esta, hem!, mas o que me ficou desta situação é o poder de sugestão que tem estre trabalho de desconstrução da realidade. Lembro-me que quando cheguei a Lisboa fui comprar o jornal e guardei durante muito tempo essa imagem. E surpreendia-me ainda com o poder da sugestão do cómico. Nunca mais consegui ver o Papa numa simples posição defronte do muro das lamentações.
Quando penso na situação de humor em Portugal ocorre-me muito essa imagem. E não é só os Gatos, insisto. Falta ao humor em Portugal este golpe de asa de quererem fazer da nossa vida uma outra vida. A proliferação do chamado stand-up comedy a um género asséptico em que plateias riem nos momentos certos é um sintoma disso. Com excepção do Pedro Tochas, e - esse porque é um actor muito humilde, trabalhador, expressivo, que faz uma magnífica gestão da sua carreira - a maior parte do trabalho deste género em Portugal é deprimente. Os chamados programas de humor como Batanetes, Malucos do Riso, eram sustentados por recolha de anedotários, de colecções de piadas, servidas a rol, a metro. Lembro-me de um dia estar com um amigo actor que me confessou que nessa semana tinha tido de fazer uma mesma anedota em dois programas de estações televisivas diferentes.
E os exemplos sucedem-se. É quase como se cada novo programa de humor fosse mais uma pedra na tese de que o humor em Portugal - excepção honrosa para o Contra-Informação - está moribundo. O Sempre em Pé, que sucedeu à Revolta dos Pastéis de Nata ( e que pelo menos foi uma tentativa honesta e trabalhadeira de fazer um programa de humor diferente e que em certa parte, conseguiu) é uma tristeza. Se um tipo tiver amigos que por lá passam tem de tomar anti-depressivos para não ficar com uma dor de alma só de pensar, o que é que eu lhes digo quando os encontrar na rua?, é que mesmo com a justificação que a vida está má, que um tipo se não aparece esquece, há buracos onde se a gente por lá se mete quase nunca de lá sai.
Há uma coisa engraçada que se passou com o fenómeno Gatos e com as piadas deles. Eu creio que grande parte do sucesso que eles tiveram se ficou a dever ao facto das suas piadas poderem ser repetidas por qualquer um. Como não eram actores, eram essencialmente autores, cada um de nós podia no meio das suas pequenas plateias arrancar umas gargalhadas valentes com as anedotas dos gatos sem correr o risco da plateia insensível o obrigar a confessar que, isto pelos Gatos é que tem piada. Ou seja, não dava trabalho e cada um de nós, cúmplice, se ria.
Isso faz-me lembrar os grandes cómicos de rua com os quais, nos Olivais, cresci. O pessoal juntava-se todos em volta do oráculo, um eleito, um mais versado na arte de contar as histórias. Não era para qualquer um. Era o tempo em que a malta partia o coco a rir. Na minha rua um dos melhores contadores de histórias que por lá passou foi o Bafatá. Anedotas, histórias, situações sem piada nenhuma, tudo o que passasse por ele adquiria graça. Depois havia os que repetiam as mesmas histórias mas a função narrativa era singular e de natureza excepcional. E o pessoal quase sempre jubilava o oráculo com a sentença, este gajo devia era mesmo ir para o teatro. Andei por várias ruas e em cada um delas encontrei o gajo que tinha mais piada do que todos os outros juntos. Que contava as anedotas ou que fazia da vida - tal como o Raul Solnado naquela situação que contei - uma anedota. Lembro-me do nosso riso. Era bonito, caramba.
O que me parece é que a forma como atribuimos a função do humor a estes subprodutos que para muitos de nós, criados noutro tipo de referências humorísticas, não têm piada nenhuma, tem a ver com a forma com que, neste momento da nossa vida social, nos conseguimos relacionar com o humor. E eu não me parece que estejamos num momento em que tenhamos grande disponibilidade para rir de nós próprios. Porque também perdemos o jogo de nos pormos em causa. Não se trata tanto de nos levarmos muito a sério. Levamos, claro que levamos, como bons (e maus) filhos de uma (pequena, média ou alta, que importa?!) burguesia somos fiéis aos nossos genes auto-contemplativos. Mas é mais do que isso. Não sei o que é, não percebo o que é, nem me vou agora pôr-me aqui a dizer coisas só para disfarçar a minha incapacidade de perceber o que se passa.