sexta-feira, 31 de julho de 2009

Não me ocorre grande prosa, para quê empacotar a evidência histórica?

Quantos olivalenses e adjacentes se adaptaram aos volantes nas mãos dos instrutores da Apolo, ali à Rua Cidade de Cabinda?


























By Bolama

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Venha de lá esse verão, veremos nele a nossa vida

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Olhar o rio

Sinto-me muitas vezes um privilegiado por viver numa cidade que tem, mesmo à mão de semear, um rio como o Tejo . Para mim um dia, mesmo o pior, reabilita-se com um passeio junto ao rio ou numa daquelas esplanadas que a cidade inventou para o admirar. O Adamastor, o Noobai, a Esplanada da Graça, as Docas, Belém, Terreiro do Paço, Jardins do Tabaco e das Descobertas, o terraço do Hotel do Bairro Alto, Cacilhas, são apenas alguns dos oráculos da minha devoção. Gosto também do passeio pela marginal até Cascais. Desde a adolescência, ainda no carro-família, com os meus irmãos, lembro-me da face ainda marcada pelo sal e o vento a bater, a refrescar-nos. É-me renovadamente estranha a imagem dos barcos a balouçarem na ondulação ténue. Parecem-me ilhas solitárias ali penduradas no território líquido. Imagino sempre, no instante em que este relance de paisagem se atravessa no olhar, que vou numa destas pequenas embarcações. Amo a noite sobre a água, o cheiro da maresia, o barulho das ondas. Não sei bem porquê. Nunca fui grande nadador, nunca velejei. Nem posso colocar na minha carta de navegação - por mais prazer que me tenham dado - as horas que gastei nas viagens diárias de cacilheiro que fazia quando morei do outro lado do rio,. Desde há uns anos que todas as casas onde moro têm, por mais pequeno que seja, um altar onde me entrego a esta sedução pelo Rio Tejo. O mais engraçado é que quase nunca dei pelo rio nos Olivais e também o tinha sempre na minha varanda, no lad0 esquerdo, ali para os lados do Ralis, no enfiamento da ponte Vasco da Gama. Nos Olivais vivi muito e durante bastante tempo. Não é dele no entanto este delírio pelo rio.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Grande Tuga das Neves


Quando eu era miúdo tinha muitas coisas como certas. Uma delas era a chegada no dia dos meus anos de um postal de Elvas, do avó Figueira, que começava invariávelmente por um Salvé, e acabava, nos primeiros anos, numa nota vermelha de cinquenta paus e depois, em anos mais avançados, numa azul, uma centenária, como lhe chamava. Devo confessar que sempre dei melhor serventia às notas do que àquele Salvé, que associava sempre a coisa antiga, adequada por isso ao que eu esperava do meu avô Francisco António. Há pouco no entanto, à procura de uma foto de um tuga célebre, grande mandarim das neves, descendo implacavelmente com a sua companheira e com o Barão a grande descida de la Sierra, percebi que estas palavras antigas ganharam algum significado com o peso do tempo. Salvar o dia, e assim, salvando cada dia, estaremos também mais próximos de salvar também a vida dos que queremos, dos que nos são queridos, dos nossos amigos. Não deixa de ser paradoxal que eu me predisponha a saudar um amigo com um salvé precisamente na altura em que a curva da idade me afastou totalmente da ideia de salvação. Que se lixe! O que nos salva, o que nos salva hoje, e já nos salvava à trinta e poucos anos quando nos conhecemos, é também a amizade, a presença, do outro lado da esquina, do outro lado do blogue, do facebok, do telefone, onde for. Muitas vezes quando olho para as páginas paradas deste blogue, vejo as rotativas da vida a andar de trás para a frente - que é para onde elas devem andar quando querem ser capazes de escrever sobre a nossa vida - e dou-me por muito feliz por poder ter o privilégio de brindar a um amigo, de brindar num amigo toda a festa que é viver, construir, reconstruir, fazer de novo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Facebroche


ESPIONAGEM


domingo, 12 de julho de 2009

FANTASMAS


este blog pode estar moribundo, mas...

terça-feira, 9 de junho de 2009



flores de oliveira, vindas daqui.


© nuno fonseca

as maquetas...
... que um olivalense encontrou!!!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

as maquetas ...

... que um olivalense encontrou

domingo, 10 de maio de 2009

uma exposição na Biblioteca








quarta-feira, 6 de maio de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

por Jacinto Lucas Pires


“Morreu o coronel Aventino Teixeira.” “Morreu o Aventino.” Lê-se e não se percebe, claro. Frases absurdas, onde sujeito e predicado não batem certo. E, não, não é só por nos parecer sempre injusta a morte de um amigo. É que o Aventino era mesmo diferente. Vejo-o na sua magreza de décadas, com aquele bigode mítico, o copo de uísque, e as palavras saindo, velozes, ferozes (e no entanto estranhamente calmas), de uma boca escondida; ideias, personagens, anedotas, citações, tudo baralhado num caldeirão genial. O Aventino seria o “militar do 25 de Abril e do PREC” de que os jornais falaram no dia da sua morte, mas era também, para lá disso, o caso raro de uma pessoa que morava no presente do indicativo. Alguém que, desconfiando das posteridades, apostava tudo no aqui-e-agora, sempre sem cobrar favores ao tempo que passou, sempre com o humor de quem ama a vida a todo o momento. Por isso, pensá-lo assim em modo pretérito surge, mais do que como uma violência, como um erro, um terrível erro de concordância. “Morreu o Aventino.” Que frase mais sem nexo, caramba.Um homem que não era dos dias de hoje, é certo; exactamente o oposto do formatado-engravatado da nossa indiferença, ele que terá sido um dos fundadores do “politicamente incorrecto” português. E, também, é verdade, alguém a quem não era indiferente a memória, na qualidade dupla de personagem e de narrador. Pelo contrário, trata-se do exemplo refrescante de um pensador sem cátedra nem sistema que “fazia História” pela via pacífica de um “fazer histórias”.Conheci-o como amigo dos meus pais, enquanto visita lá de casa, a visita dos jantares mais tardios e sonoros. Para a criança que eu era, o Aventino era todo um espectáculo. Uma linguagem fascinante, que misturava gíria proibida e culta invenção, uns olhos de brilho malandro, e um tu-cá-tu-lá comigo que eu recebia como uma honra. Desde então me habituei a admirar as tiradas fantásticas daquele espírito inédito e inimitável. Descrevê-lo é, pois, um exercício de literatura dos mais utópicos. A frase conhecida afirma que era o “mais civil dos militares”, mas a verdade é que ele era também o “mais à paisana dos civis”. Uma espécie única de subversivo sentimental, conspirador transparentíssimo, revolucionário sem nostalgia, manso boémio, conversador de horas extraordinárias. Às vezes, para o provocar, eu pegava na personagem de uma canção do Vitorino e chamava-lhe Coronel Sensível. Mas, coisa rara, ele aí levava a sério e dizia que não, não, ele não era esse. E depois ria-se, “Coronel Sensível...”Fará muita falta a sua alegria crítica, a sua alfinetada permanente, a sua graça. Lembrando isso, tentemos sorrir, apesar de tudo. Se houver céu, o nosso coronel já arrastou o São Pedro para um Procópio improvisado numa qualquer nuvem mais escondida, tenho a certeza. E, se não houver nada, o Aventino já tratou de inventar alguma coisa, não haja dúvidas.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

ASSÉDIO


Aurindo nas fuças o vento frio
Sacudi, brusco, do hirsuto pêlo
Geadas matinais à beira rio
Vê Fauno a Ninfa que antes de sê-lo
Era sua amante: Mitologia.


O Sátiro persegue, pertinaz
A donzela ao léu e fugidia,
“Anda, corre, apanha-me se és capaz!...”

Assim nasce o mito do assédio
Do pobre Pé-de-Cabro à moçoila
Homem velho ou novo não tem remédio:
É franco, vai em frente, não espera
Que a Ninfa seja filha da papoila.



Coronel Aventino Teixeira, 1932-2009