domingo, 13 de janeiro de 2008

Antipiréticos






Carnaval na Oura em 84. O Fula estava lá de férias e nós apanhamos boleia do Barão, que cravou o R5, à prima (que já apareceu neste blog e casou à pouco tempo), e arrancámos para o Sul.

O Barão tirou muitas fotos. Tirou umas espectaculares numa piscina que terminava sem borda, no lado virado para o mar. Tirada de um certo ângulo, parecia que estávamos a andar na água.

Eu estava completamente entupido com uma constipação, andava todo agasalhado e creio que tive alguma febre.
Sempre cheios de boas ideias, iniciamos o tratamento completo assim que a viagem começou. Tratamento com vapores e fumos exóticos, em ambientes fechados, para todos. Tentámos várias vezes, mesmo já no Algarve tentámos sítios diferentes, mesmo ao ar livre, inclusivamente o Fula juntou-se a nós para dar a sua contribuição.

A única conclusão a que chegámos foi que o tratamento melhorou, em larga escala, a nossa percepção em aspectos como os cheiros, as cores, o apetite, a própria percepção do tempo mas acima de tudo, a capacidade de um entendimento sem necessidade de muitas palavras. Mas não contribuiu em nada para melhorar a constipação.

Estes dias acabaram em beleza. Jantámos em casa do Fula com os pais e foi uma célebre e dramática noite em que consegui por ambos a chorar à mesa. Disse tanta parvoíce e fiz tantas palhaçadas, que o pai Fulacunda já não conseguia comer. Grande noite.

Eu gosto é do Verão...





Verão de 82 em Albufeira, naquela fase em que acordávamos na praia todos babados. Basta olhar para as nossas expressões para ver que estávamos em universos alternativos.
A fotografia foi tirada pela Lobita.

sábado, 12 de janeiro de 2008

... a um cão. (1994-2007)



Douro




sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Notas (fotográficas) sobre o povoamento dos Olivais


No outro dia fui ver um espectáculo ao teatro da Malaposta e encontrei lá esta exposição. O post tinha ficado adiado, como tantas outras coisas.
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Última Hora

Resolução nº 180/77, de 22 de Julho de 1977, transcrita no Diário da República, 22 Julho 1977 (núm. 168): Determina a cessação da intervenção do Estado na Draivimpe - Centro Técnico de Reparações, S. A. R. L.
Atendendo a esta recente disposição legal nada obsta, caro Draivimpe, a que encetes de imediato a tua participação, de pleno direito, nesta instituição colectiva de iniciativa privada sem fins lucrativos.

Os professores

Ao descer para o metro cruzo-me com um rosto que me parece familiar. Ele também me reconhece.

-Professor Roxo! Viva!

Está reformado, entregue à sua vidinha, que o relógio segue em frente. Trocamos duas ou três palavras, foi meu professor de latim, ubi societas ibi ius, onde está a sociedade aí está o direito, mala burra est, a maçã é vermelha, rosae, rosis, rosa, foi o que me ficou desse ano e meio às voltas com o latim, mais os atrasos na vida, mas isso quem sabe, se não vai por um lado encaminha-se por outro, o professor Roxo, sempre com um ascético casaco de napa preto, olhos cavados, presidente do conselho directivo, era o Roxo, o maestro dos nossos Viveiros.
Esqueço-me dele e começo a lembrar-me dos outros professores. Daquele professor de matemática que inventava jogos para que a ciência dos números se nos tornasse mais familiar, da professora Noémia, a professora de história, que era terna e meiga e paciente e doce, do Bacelar, o professor Bacelar, que ficou um amigo para a vida, ainda o encontrei por aí, o Gadoche, o Rui Dias José e o Afonso Praça, e muito especialmente aquele professor que já não me lembro do nome mas que nos colocou por dentro da febre de escrever. As suas propostas de redacções entusiasmavam-nos. Havia uma rapariga, a Luísa, a quem ele descobriu uma veia poética e que dizia, há-de ser escritora. Liamos os textos dela em voz alta, eram textos sensíveis, poéticos, falavam sobre a mulher, e a pouco e pouco todos nós alimentávamos a vontade de passarmos pelo quadro de honra daquele professor apaixonado pelas letras que nos lia o que diz molero?, como nos falava de Irene Lisboa, José Gomes Ferreira, Aquilino, Garret, e que principalmente, nos tornava nos personagens principais da nossa vida. Sorrio ao passar do tempo: comecei a escrever por inveja da Luísa. E às vezes quando por aqui alguém se detém no que eu escrevo, lembro-me do trabalhoso percurso que nesse ano fiz até merecer, numa redacção, um bom deste professor meio careca, baixinho, e que mudou tão radicalmente a minha relação com a vida.
Alguns anos depois os velhos deuses recuaram, refugiando-se em recônditos outros bairros, desiludidos de tanta aceitação daquela nova crença, a Adultez, que tão lesta se espalhava. Aqui e ali alguns templos iam subsistindo, cada vez mais vagos de fiéis. E mesmo estes, um a um, se iam, até envergonhadamente, rendendo ao novo Senhor.

Aqui fica a homenagem ao último dos sacerdotes pagãos, guardião de velhas crenças, até oráculo de quem ainda acorria aos velhos chamamentos dos pomares divinos:


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Tertulia ...... Fábrica Braço de Prata

Oliveiras:

Tenho vindo a organizar, junto com um grupo de quatro amigos, umas tertulias, coisa informal sem rigores académicos e, no entanto, com um interesse que tem cativado mais e mais pessoas, onde se apresentam e debatem obras literárias. Temos conseguido ter a presença de vários autores, que se dispõe a falar e debater a obra em análise, bem como qualquer outro assunto relacionado com a sua escrita. Há sempre espaço também para todos aqueles que entendam intervir e falar em torno ... desta paixão que é ler e escrever.
O tema ' blogs ' será, por exemplo, um deste dias agendado também.

Porque no Olivesaria já vi pessoas a escrever de um modo interessantissimo e cativante, acho que seria uma mais valia ter na Tertulia a presença das Oliveiras, intrusos e outros Oliveseiros, que tenham um tempinho e gosto pela coisa de conviver na boa e à volta das letras.
O espaço em questão surgiu na sequência de um comentário que por aqui vi, tendo investigado e achado que é um sitio de eleição.

A obra e autor para este domingo, dia 13 às 15 horas, estão acima em fotografia. Será na Fábrica Braço de Prata , Sala Nietzsche .
Sei que para muitos será impossivel lê-la até lá ( à venda no Bulhosa do Oeiras Park, no El Corte Inglês ), o que não inviabiliza que possam comparecer e ouvir o José Ceitil ( autor ) e o Arnaldo Mesquita, que garanto valer bem a pena. Até lá. poderão conhecer um pouco do autor dando um salto ao seu blog, com o mesmo nome do livro....

Um abraço ...

Bafatá

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Eis memórias visuais enviadas pelo Mamadu Sisse, dois excelsos conjuntos de azeitonas. Eis a sua legenda:

"São fotografias tiradas em 1978, quando tinha 16 anos, e nelas estão alguns azeitonas, com um grupo de miúdas do Padre António Vieira, mas que identificavamos com a Av. D. Rodrigo da Cunha.

Havia dois grupos de azeitonas que se davam com essas miúdas, e que namoraram com algumas. Pertenci a um desses grupos, e eramos quatro, um deles infelizmente já desaparecido, o Chico Belchior, de quem me lembro muitas vezes, o outro era o Aneki e por fim o Zápio. O outro grupo de azeitonas era maior e continha Bolamas, Vilas Fontes, das moradias perto da Vila Catió (não me lembro o nome), da João Belo, etc.

Foi o ano das festas ao fim de semana, em casas particulares, na Casa de Tomar, no Yes, etc. Ainda não havia drogas nem se apanhavam bebedeiras, afinal andavamos com miúdas.

Foi um ano bestial e representou para mim o fim da IDADE DA INOCÊNCIA."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008



Sem comentários.

Reunião do Conselho de Administração do blog Olivesaria

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Do dia para a noite


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As Arcadas




Dia 24 de Dezembro, ao fim da tarde. O Benguela já não estava. Nem a Lobita. Na hora de ir para a terra, para a consolada, tempo ainda para servir os clientes fiéis com o tradicional copo de plástico.
Para o joão verde que estava lá e, claro, não percebeu nada
Já nem música, eis o fim da noite meu amigo, meu caro amigo, meu querido amigo, meu frágil amigo, meu gordo amigo, aprende comigo, eu já veterano apesar de assim, de afinal tão novo … , direi daqui a esses todos anos que passarão, aprende comigo apesar de tão aqui oscilando neste banco alto, tudo isso amigo aprende comigo exactamente por tão navegando neste banco alto, aprende comigo companheiro mano – como agora não se diz, só noutro futuro noutros sítios o faremos – aprende comigo enquanto olhamos bem nos olhos estes últimos dos muitos whiskies de hoje, meu caro amigo, meu querido amigo, meu frágil amigo, meu gordo amigo, aprende comigo o que acabo de descobrir aqui mesmo e te partilho tão sentido o é, tão fundo me está a ser, este “foda-se não há nada, nada mesmo, no fundo das garrafas!!!!”, e bem que a isto podes sorrir, rir, abanar-me e até abraçar-me que sei agora de toda a certeza tida que nada há mesmo no fim dessas todas e tantas garrafas que vamos despejando. Certo é que me podes abandonar assim, eu por aqui de minha cabeça no meu ombro, tu aí baloiçando nestes corredores tentando provar-me outros fins, que me ficarei, olhando, se calhar até desvanecido, esta nova realidade da desesperança, sei desde hoje ter idade para tal, apesar de afinal tão novo …, di-lo-ei daqui a esses anos todos que passarão. Deixas-me tu e

ela, ali tão perto, avança para mim, sorriso holofote, encadeando-me o mundo como sempre o faz desde há tantos anos (sabê-lo-á?) (sabê-lo-ei?), se calhar até desde a primeira vez que a vi, ou talvez nem tanto, mas sinto-o tão bem dizê-lo assim, senti-lo senti-la tanto assim, todos os dias e todas as outras e todo o resto esmagando desde que do seu perfil em vermelho me enchi, e é ele um aroma liceu algo nada roxanne, apenas e tudo ela mesmo, enchendo-me desse tudo, o mundo rodando quando ela, e tão tanto que ainda depois, acolá de madrugada nas teclas, ele girará quando eu e ela,

e então o sorriso até sol avançando para mim e mais uma vez o de sempre “agora vamos para onde?” – coisa normal de dizer ao dono do (sempre me minto) único nosso carro ali, lenda fiat que estou fazendo – e eu, tentando regressar de onde nem sei bem, “não faço a mínima ideia” mas nos laivos de jovem cavalheiro que me imagino “onde queres ir?” e ela num, súbito, e enquanto oscila ombros, entre-riso, coisa do dizer-me do óbvio que afinal tudo isto já deverá ser, mas ainda assim sublinhando-o “não sei ..., contigo vou até ao fim do mundo!...”

e eu, aqui inundado pelo tudo naquilo que me chega abrupto, nunca o imaginando como afinal possível, recebendo assim um verdadeiro fundo de garrafa, todo ele, nem só encadeado mas mesmo vivendo-o, encantamento encantando-me … Mas logo resistindo, regressando-me ao que julgo ser, mas alguém mo terá dito?, ao que julgo dever ser o meu assim, saberei logo depois que é só aterrorizado, resmungá-lo-ei já a seguir mas ainda não, deixo-me ser um outro eu mesmo, mero tétrico, embrulhando medos nos sorrisos de um que se quer cínico: “ouve, não tenho gasolina para isso!”, cruzamento devastador do tudo que o que virá a seguir, e já o sei agora mesmo que falei, logo logo antes de lhe ouvir o de volta meneado bem silabado “és um filho da puta …”, esse mesmo que desde hoje, e tantos hojes depois continuará, sempre anda comigo, assim eu um menos eu. Um pouco-pouco eu.
(mpt, Agosto 2007)