terça-feira, 13 de novembro de 2007

Olivais Novos

Hoje que há um blogue sobre os Olivais e onde, como diz o Afonso, a Santa Maria dos ditos reconhece os seus frutos, apetece-me dizer a alegria que sinto por saber que a Alexandra Lucas Coelho (jornalista do Público, que recebeu recentemente o prémio Gazeta de Jornalismo, e aqui na posição que lhe é menos habitual, a de entrevistada) é moça criada nestas terras vastas do Olival. A Alexandra para além do seu trabalho na área cultural (leia-se esta conversa roubada a Sophia de Mello Breyner), tem sido também, com outra azeitona, o Pedro Caldeira Rodrigues, um dos mais interessantes jornalistas a trabalhar em zonas de conflito. É aliás daí, das longas temporadas em Israel e na Palestina durante o ano de 2002 e seguintes que retirou o material para o seu livro Oriente Próximo.

Grande prazer não escusa comer

2º GRANDE BANQUETE DO OLIVESARIA

Lisboa, dia 24 de Novembro no ano 2007
(Dia de St.ª Flora, Lua Cheia)





















Lista de comensais (Provisória)

  • Lobita
  • Vila Pery

  • Xai xai

  • Benguela

  • Fulacunda

  • Lobito

  • Moçâmedes

  • Bafatá (? por razões esvoaçantes)

  • Intrusa (? por razões familiares)

  • Inhambane (? só se for em Lisboa)

  • Pedro Venâncio (? no caso de se encontrar em Lisboa)
  • Bonanza (? caso passe por Lisboa)
  • Manafá
  • Dona Manafá
  • João Belo

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

24 de Novembro (sábado)

Aproveitando a frase do Benguela, botem lá os vossos nomes para a janta, cujo lugar não está ainda definido:

Lista de Comensais (por definir se vêm os apêndices...):
Lobita
Vila Pery
Xai xai
Benguela
Fulacunda
Lobito
Moçâmedes
Bafatá (?)
Intrusa (? por razões familiares)
Inhambane (? só se for em Lisboa)
Pedro venancio (? no caso de se encontrar em Lisboa)

Muitas das motas Olivalenses eram arranjadas no quintal deste menino...

domingo, 11 de novembro de 2007

Picasso ? ? ?


Picasso porque baseado na arte de Kiki Picasso, membro do Bazooka, grupo de acção artística gráfico-punk francês dos finais de 70.

(©1982, Pepe Picasso)
(d'après photo prise par Dguiól)

p' rá lagartada do burgo .... que lindos são sem riscas!!



- Alguém à frente ??
- Os do costume, porquitos dragões e ... a ÁGUIA
ALTANEIRA!!







© Vasco Croft
in Arquitectura e Humanismo - O papel do Arquitecto, hoje, em Portugal, 2001


um livro escrito por um dos arquitectos que participou na construção dos Olivais, onde, para além das imagens acima publicadas, é possível perceber o processo por detrás do desenho, das arquitecturas, das obras.

Por falar em livros...



... também tenho este cá em casa.

É de 2002 e foi o meu filho que o comprou, sem saber que o pai conhecia o autor.

Noites do Olival


Há dez minutos que estou a olhar esta janela.
Tenho este hábito. Sempre que quero ver para dentro aproximo-me de uma janela, de uma varanda e assim fico, a mirar aquilo que em mim subsiste como imagem. Esta é actual, tirada à dias de casa da minha mãe, mas é quase igual a uma com vinte anos. Era a minha janela preferida para esfumaçar. As milhares de coisas iguais que eu fiz durante, parece-me, milhares de anos. Estas tijoleiras de noite são mais bonitas, parecem até saídas de alguma cidade espanhola, há uma harmonia nelas que se enquadra no desenho da paisagem. No lado esquerdo a escola de Nampula. Como eu gostava de ficar doente e não ir à escola para, do alto do beliche, poder, na sorna, ver os vários jogos de futebol. As vozes no pátio. As vozes a correr no pátio. Eu já conhecia os craques, os pintas da bola. Os fussangas. Aqueles que não faziam nada mas que mandavam no jogo. Era divertido assistir a estes jogos sem árbitro. É falta, é falta!, ouvia-se desde o pátio até à minha janela. Também havia tareia por vezes. Ou, noutras, o filme do jogo parecia que parava, ficava muito silencioso, e eles faziam uma mini-roda onde discutiam um lance, uma jogada. Eu adorava quando alguma professora faltava e, depois de correrem ao som da campainha, retornavam em magote ao pátio para a jogatina.

Todas as casas onde morei, quase todas as casas onde morei, ficavam próximas de um pátio de uma escola. É isso que persiste em mim como imagem. Também nós, no tempo em que os portões ainda não estavam fechados, e se podia franquear com alguma facilidade o muro, passávamos tardes inteiras a jogar à bola no pátio da escola. E por vezes aparecia a ciganada, para acabar com o divertimento. Já aqui se falou nisso.
O ser de noite torna tudo mais claro para mim. As noites de insónia. O levantar-me da cama para escrever. Eu naquela altura levava-me muito a sério. Um dia, tinha uns quinze anos, resolvi escrever a história de um tipo que, tal como eu, tinha vindo da província para a cidade. Peguei no mapa, baixei o dedo, cai numa terra chamada Arneiros, perto de Freixianda. Um rio, o Nabão, ligava estes dois continentes anões. Eu nunca tinha visto o lugar. Que importava? Misturei a aldeia da minha infância com todos os lugares e memórias campestres que conhecia. Era a história de um tipo que vinha para Lisboa com o sonho de se tornar escritor. Em menos de um ano o romance chegou às quatrocentas e quarenta páginas, altura em que uma palavra, fim, pôs termo à saga. A certa altura, talvez por achar muito interessante a vida que eu vivia, repito, eu na altura levava-me muito a sério, o romance tornou-se numa espécie de diário, se fosse hoje, blogue. Depurava o que me acontecia no dia a dia e colocava lá os temas de discussão, a agenda do que nos ocupava. Já não me lembro dos pormenores mas creio que Lisboa não era Lisboa. À imagem dos romances de Somerset Maughan que tanto me empolgavam, Lisboa era Paris. O Martim Moniz uma espécie de Quartier Latin, meio chula, meio operário, meio boémio. Era a súmula dos lugares inexistentes com os lugares feitos de ilusão. Era uma pepineira desgraçada, escrita a tinta permanente, em cadernos escolares de capa azul, meio cartonada, com linhas vermelhas e margem definida. Houve aliás apenas uma pessoa que o leu, o apicultor, aquele que o vazio ilustra. Ele era da minha turma, da do Fula, e com outros dois dedicava-se a uma estranha prática: observação de pássaros. E morava nuns prédios duplex, mesmo atrás da minha casa, pelo que se tornou uma companhia quando vinhamos dos Viveiros. E ganhei-lhe confiança para lhe contar os meus delírios de escrita (eu já disse que naquela altura me levava muito a sério?). Um dia começámos a falar, ele disse-me que escrevia, eu também, decidimos que cada um leria, em frente um do outro, online diríamos hoje, as coisas um do outro. Eu safei-me com quinze páginas de um conto de Natal que depois até reescrevemos a meias, o tipo lá teve de engolir quatrocentas e quarenta páginas comigo a controlar-lhe todas as reacções, todos os trejeitos, gostaste? Entretanto o livro não resistiu aos meus dezoito anos, nessa altura fiz uma fogueira com todas as minhas histórias e deixei que o silêncio tomasse um pouco conta de mim. Ficou-me a imagem. De uma noite, de uma janela aberta, de um apanhar um pouco de ar fresco enquanto a história não avança. De um escrevinhar que, curiosamente, é o que hoje me volta a ligar a esta janela, a este bairro, a este oliversejar.



2ª Imagem roubada no post acima com imagens sobre a génese dos Olivais

sábado, 10 de novembro de 2007

Janela virada para a pista






Chego-me à beira desta janela com vista para o aeroporto e de repente é ela que se aproxima de mim como imagem de dentro, como se me quisesse contar uma história.
Eu trabalhava nos Correios do Aeroporto, estariamos em 1982. João Cabral, era caboverdiano, negro retinto e, como eu, carteiro assalariado. Havia uma diferença entre nós, que tinhamos alguma formação, e aqueles carteiros tradicionais, pelo que nos eram dadas outras tarefas, como dividir o correio. E o João era um dos mais ágeis na divisão do correio internacional e por isso quase nunca tinha de ir para a mesa onde se abriam os sacos, se desatavam os maços e se enfiavam as cartas nas paletes.
Mas às vezes também nos calhava, claro. E quando assim era os carteiros mais antigos aproveitavam para lhe azucrinar o juízo. Nharro, escarumba, queimado, macaco, eram alguns dos mimos. Ele aguentava-se como podia e isolava-se. Encontrava-o muitas vezes a olhar a janela para a pista, vendo os aviões pousarem ou descolarem. Naquele dia tinha sido demais. Senti necessidade de lhe ir dar um apoio. Aproximei-me da janela:
- Então, estás a pensar que te apetecia pegar num desses e fugir desta terra?
Olhou-me com cara serena:
- Não, estava a pensar que queria ir para casa brincar com a minha mulher.
Abaixo há um comentário perguntando pelo Afonso de Melo, um tipo que andou nos Viveiros e do qual a primeira memória que tenho é a de que jogava Subbuteo com o Facadas, andava eu no 9º ano, e que depois fui encontrando muito episodicamente por quase todos os recantos lisboetas que cruzei, e até no mesmo "Calhau" saloio arranjámos histórias ainda que não exactamente contemporâneas.

[como é sabido agora há um "livro de estilo" no Olivesaria, apenso à coluna da esquerda. Mas o homem está na internet pelo que lhe posso dar nome. E quanto ao Facadas não aparece mais na história, não virá grande mal ao mundo (olivalense) que aqui lhe some o sufixo "acadas" ao F. que me estava permitido]

Enfim, ao Afonso de Melo fui-o lendo, apesar das profundas divergências de fé cromática. E é caso para dizer que a azeitona brotou, é ir-lhe à página. Vem escrevendo coisas lá do trabalho dele, e ainda mais contos e romances. Ficam aqui algumas capas, que não esgotam a estante que o homem já enche.

Viagem em Redor do Planeta Eusébio (Primebooks).

A Pátria Fomos Nós (2006) (Primebooks).

Uma Sombra Laranja-Tigre (D. Quixote, 2005)

Não Morrerei em Buenos Aires (D. Quixote, 2006)
BEFORE/AFTER


Como todos se desvendam eis o Manafá, no tempo dos Viveiros.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Manolo B.












Olivabita 38 , Olivapery 36, Olivimor s/n, Olivapariga s/n, Olianónimo s/n:

é só escolher...