domingo, 27 de janeiro de 2008

Torre do Tombo








Estava eu a vêr o tratado de tordesilhas na torre do tombo, quando me deparei com um conjunto de documentos que trazem uma nova leitura sobre a História do nosso Portugal mais recente.
Se é verdade que alguns pretensos "historiadores" ou talvez mesmo astrologos do pós Abrilada, tentam desesperadamente e despodoradamente refazer a história à sua medida, estes e outros documentos que por lá vi demonstram cabalmente que urge repor a verdade.

Eu, porque obviamente não possuo as capacidades técnicas (vulgo estudos) para o efeito (não sou historiador nem astrologo, nem mesmo designer), vou limitar-me a divulgar variadissimos documentos, que espero, sejam esclarecedores do que de facto se passou nesses idos de 1987.



sábado, 26 de janeiro de 2008

do alegre memorialismo ... ao cinzento urbanismo

o que vale é que vem aí alguém dentro em breve trazer de novo a esta ribalta a verdadeira e incontornável arqueologia dos olivais

(estão a ver b.b.b. e jb., é justamente para poder mandar assim umas fisgadas aos passarinhos e depois assobiar para o lado que a mim não me apanham mais como administrador deste blog; que um gajo assim na plebe, se não gosta queixa-se e pronto)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Abaixo um belo texto, em registo estruturado. Aqui, num registo leve, um mero contributo que se quer contestário da tese implícita, ainda que concordando com o sumo exposto (contradição? não tanto):
Junho, verão a começar. Chegam as férias e, como pai separado, aboleto-me em casa dos pais com a minha filha sob o alibi de que é preciso que eles convivam, criem laços. Os dias passam, cinema ali, teatro acolá, passeio, muita brincadeira com os avós - culinária e enologia (ginginha e tudo) iniciáticas - mas faltam-lhe as crianças, que isto de ter 5 anos sempre no nosso meio também cansa. Concordo, e de manhã avançamos ao (triste, diga-se) parque infantil do Largo das Mamas.
Abundam as crianças, para aí umas 25. Escoltadas pelas mães, algumas muito credoras de me deixar eu a imaginá-las também em condições de solidão conjugal, e um batalhão de avós - eu, claro, o único homem por ali. O tempo passa, a manhã vai escorrendo, os meus jornais abandonados, convocado pela C. (aqui não se podem dizer os nomes verdadeiros ...) para brincar no entre-baloiços e escorregas, no entre-escorregas e baloiços. Está feliz, mas não esfusiante - talvez pelo silêncio entre-miúdos, muito certinhos ali, imagino, sabendo-a nada tímida nestes meios. Corre por ali descalça, enceta brincadeiras com outros mas logo regressa ao apaixonado pai.
À certa altura uma das mães, simpatia no sorriso, avança para mim: "ali ao fundo estão umas sandálias, estive a ver de quem seriam e só podem ser as da sua filha". Adivinho-lhe alguma complacência diante deste pai ali de serviço, obviamente em férias, a esforçar-se ao máximo mas com as desatenções ou descuidos em que os homens sempre são pródigos, dirá ela. Agradeço-lhe a atenção, logo olho em volta e, claro, constato, a C. é a única das crianças que ali corre e brinca descalça na borracha.
Avanço para ela, não vá a prestável mãe pensar que a ignoro. Faço-lhe uma festa na cabeça. E, claro, deixo-a descalça. No meio dos calçadinhos.
Depois, já à tarde, a C. perguntar-me-á, como quem não quer a coisa e entre outras conversas: "papi, por que é que em Portugal os meninos não brincam?"
(rio-me, sai-me um "é tudo relativo, filha" que ela não compreende - mas, felizmente, não terei que explicar, pois ela já está a fazer outra coisa - dançar com o avô? lavar os móveis? pintar tudo? criar licores com a avó? ah, descalça, claro ...)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Ecossistema comunicacional

Foi no princípio da década de noventa que, na actividade de formação em animação sócio cultural, comecei a explorar este conceito, o de ecoterritório para tentar organizar as ideias sobre as possibilidades de intervenção num determinado contexto comunitário. Associado a este, surgiu-me um outro, o de ecossistema comunicacional, que me permitia propor aos meus alunos a ideia de que o animador sócio cultural mais não era do que alguém que, munido dos seus conhecimentos técnico-cientificos e face a uma comunidade, que enquanto sistema de comunicação apresentava alguns problemas de funcionamento, iria trabalhar para tentar restaurar os elos e as ligações quebradas, potenciando, valorizando e implicando os diferentes elementos da comunidade.

Folhetim de feição epistolográfica

Black Bombaim V Boi Vermelho


Eu cá concordo mais com uns do que com outros, mas o que não quer dizer que não concorde menos com os outros do que com os uns. Há coisas em os outros que têm o meu acordo, também e naqueles com quem mais concordo estão coisas com as quais menos concordo. Rasurando daqui e dali e colando acoli, era bem capaz de arranjar uma carta com a qual concordaria na totalidade!

Que bela horta...


... ou o Maracangalha actualizado.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Parabéns Rosita

Epílogo para um bairro?

Epílogo do texto É para os Putos que não querem comer a Sopa, criado a partir de histórias dos Olivais.

Ler mais aqui.

IDEIAS PARA A ZONA CENTRAL DOS OLIVAIS, LISBOA

TRABALHOS DE ALUNOS DA ESCOLA DE BELAS-ARTES DE LISBOA NO ANO LECTIVO 1966-67

Docentes: Arq. Nuno Portas, Arq. Carlos M. Ramos


(o resto tá aqui...)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A olhar para uma mescla de posts e comentários, e um pouco a sério:

1. A Rapariga Que Vinha da Província continua, como é natural face à sua origem, a desconhecer a Cidade - aquilo que está aqui a ser discutido é a cidade. O que poderemos discutir é se deve ser ou não deve ser a cidade: uma discussão ética, com conteúdos técnicos (e mesmo científicos). Mas nunca poderá negar o real - a cidade é aquilo, as cidades são aquilo, o país proliferou naquilo.

2. Não desmereço as questões éticas. Mas não me posso surpreender com o real quando ele é omnipresente. Nem tampouco zangar-me quando intervém nas minhas memórias (paisagísticas e lúdicas) privadas e achar normal quando o resto involui assim.

3. Há questões éticas (até meta-deontológicas). Os arquitectos são profundamente responsáveis do que se tem passado no Portugal do poder local. Há sobre eles um discurso que sempre os desculpabiliza (são os desenhadores, são os engenheiros, são os empreiteiros - que projectam; são os donos - que obrigam). É uma classe que mantém status social - não tanto como nas gerações anteriores quando secundavam o juiz, engenheiro, médico e coronel, mas isso porque a sociedade mudou e as outras profissões de toga (e farda) perderam estatuto e distinção. É uma classe que mantém status social e alguns recursos - muitos estão proletarizados, os jovens parecem caídos nas guildas medievais. Mas não é só com essa corporação que isso acontece.

Esta é uma lengalenga para insistir num ponto: que eu saiba não há nem houve um único movimento corporativo para combater estas tropelias. Se tal existe não passa à opinião pública medianamente informada. É, sistematicamente, uma classe que se quer escapar ao escrutínio público na mistura de duas reclamações: a auto-desculpabilização referida; a tecnicidade do seu ofício, nada atreita a leigos (argumento repetido que deixa entrever a sua superioridade sobre todos os outros ofícios, claro está). Mais, assume as mais execráveis posições e afirmações públicas sem qualquer pudor ou crítica corporativa - abaixo, em registo corrido falei do Siza sobre Alcântara: têm que me dar muitos pormenores do contexto para que eu aceite a sempre presente desculpa da descontextualização. Na realidade o que se passou foi que o guru (e também guru ético, tamanho o mito do Arquitecto e da Personagem que vão alimentando) referiu que se não fosse ele a fazer uma torre outro o faria - e nenhum colega berrou indignação com tamanha miséria moral.
Não há planos, não há leis, não intenções, não há ideais que valham por si mesmo. Valem executados e imaginados por pessoas. Portugal formou gerações de técnicos desta actividade que se portam no seu próprio país como criados de bárbaros. Alguns, quando ganham peso, são bárbaros. Confesso que prefiro os bárbaros aos lacaios. E se vamos discutir o que se passa não vale a pena agarrarmo-nos a hipotéticos velhos planos ou a ideais cristalizados. Apontar causas muito gerais também serve de nada (alguém se lembra de uma crónica do MEC sobre o "eles"? aqui "eles" como políticos, como pato-bravos, aqueles que são culpados, mas que são uma mole mais ou menos indistinta e, portanto, indemonstrável).
4. Isto não tem preto e branco nenhum. O preto e branco é apontar as desgraças e não encontrar os contextos em que brotam - ou então apontá-los amputados, denunciando almas tenebrosas em busca do dinheiro à custa de toneladas de betão. Claro que sim, que as há. E dão os restos aos técnicos para que eles idealizem este Portimão de norte a sul.A primeira barreira, com saber específico e tudo, é essa gente. Que não cumpre...
5. OK estou fora dos Olivais, já. Mas como no blog já se falou, e ainda bem, do esforço arquitectónico do bairro aqui fica a minha opinião - mamarracho a mais ou a menos (vide por exemplo a magnífica Pantera Cor-de-Rosa, que era um exemplo e se tornou um demónio) essa geração de arquitectos (das quais a elite vai papando prémios, reconhecimento, vénias e, até, trabalho no estrangeiro, para orgulho e espanto do portuguesito, sempre atreito aos cristianos ronaldos e figos) formou uma escória. Esta mudou o país. Essa é a grande obra que fizeram - podem encher livros e mais livros com o fruto da sua obra geracional. Mas não o farão, ficaremos apenas com albuns das obras-primas de cada um - perdidos no meio da tralha que fizeram medrar.
6. Depois o pessoal irrita-se e lamenta que não haja parques. Eu aí retrocedo - é claro que é melhor que não haja prédios e que haja parques, em especial se silvestres. Pelo menos haveria menos dinheiro para pagar a estes de quem tenho vindo a falar.
7. Um remoque à Lobita - ninguém saiu dos Olivais porque não tinha trabalho ou condições, etc. Não estamos a falar da desertificação do interior de Bragança ou do Alentejo. O pessoal saíu dos Olivais para ir para a Almada, Telheiras ou Castelo. Tem a ver com casas disponíveis e seu preço. E uma minoria saíu quando viu instalar os primeiros semáforos, ali pela Lourenço Marques. Percebeu que chegado o arame farpado tinha chegado a altura de ir para oeste. Ou, até, para sul.

De fundamentalismo em fundamentalismo…

Esta história do tabaco dá-me cabo do sistema.

Mandam o pessoal deixar de fumar em sitio fechados, mas as infra-estruturas pró pessoal se auto-mutilar nem sinal delas. O que eu quero dizer com isto é que é igualzinho ao que se passa quando se fazem grandes centros urbanos no meio da cidade e se esquecem de criar suporte logístico que os apoie.

Ora bem, vamos a ver se é desta que eu consigo explicar a minha revolta. Há duas vigas mestras a suportar a minha esta minha raiva e são elas:

Saio de casa e os passeios estão cobertos de uma nova matéria. Em vez da pedra da calçada há agora um mar de beatas (bia, grita alguém) que a cobre na sua quase totalidade.

É impressionante…

Com certeza que tudo isto foi largamente pensado e já há uma máquina qualquer que, enquanto dormimos, silenciosamente vai apanhar este novo resíduo e aproveitá-lo para um novo e nada poluente combustível.

Digam-me, por favor, que isto é assim…


Passear já não é a mesma coisa. Há, neste campo, também um novo conceito no que toca ao vulgar passeio. Fazer uns meros 500m, por exemplo na Av. 5 de Outubro, (que é com certeza um espelho do que se passa por toda esta nossa terra à beira-mar plantada) é sermos bafejados (e o termo é realmente este) de 3 em 3m por uma nuvem branca/cinza e morna acabadinha de sair do pulmão de alguém que está a morrer de frio e a fumar à porta do seu escritório, em vez de estar a dar cabo das facturas que estão em cima da sua mesa (ia dizer secretária, mas pode sempre dar origem a más interpretações). Podemos sempre ir para o meio da estrada e então sim, as vítimas mortais causadas pelo tabaco iriam aumentar consideravelmente.


Ideia brilhante em jeito de conclusão, arranjem-se uns cinzeiros grandes e coloquem-nos dentro dumas redomas de vidro – tipo tubo com cerca de 1,5m de diâmetro e 3m de altura, haverá uns um bocadinho maiores para os mais gordos ou para os que gostam de ir aos pares, onde o pessoal vá, à vez, fumar - deixam de haver beatas no chão, o fumo é canalizado para cima em vez de ser na cara dos transeuntes (sempre gostei desta palavra) e os fumadores não terão tanto frio… quando chover é que vai ser um problema… chamem lá um engº para resolver isto, s.f.f.

Ufa!

todos os carreiros iam dar ao Cheira

Aquelas terras tiveram vários carreiros, todos plantados até sobrar um único. Balizado pelas amanhadas cercas das hortas que não davam gozo nenhum trespassá-las, o carreiro só servia para nos passar de um lado para o outro e para os “proprietários” obrarem as couves que ali plantavam. Bastante puto atravessei aquilo todos os dias, morava do lado de cá, frequentava do lado de lá um colégio/apartamento no prédio do canguru... (Também lembro em dias de chuva dar a volta por baixo)

Brincadeira ali, lembro de quando aquilo ainda não estava minado de hortaliças inventarmos pista de ciclocross, de pouca dura. Não era território para grandes brincadeiras, mesmo para pedalar a bicla havia outros que davam muito mais gozo. Lembro também o recreio da escola barracão eternamente provisória.

(isto dos links é giro... não vos quero é chatear muito se não, punha o mesmo link em todas as palavras)

Enquetafula:

Se a horta pariu um monstro? O monstro cresceu-se Portugal? E Portugal defecou na horta?

e eu acho que ...

... isto já merecia um enquete
lenha para a fogueira
(ou de comment a post)

ó meus caros amigos a quem nunca faltou educação nem sustento
(nem umas viagenzitas pelos trópicos ou pela neve, se calhar, eh, eh)

tudo é MELHOR do que o que lá está neste momento.

a arquitectura é

a densidade urbana TENEBROSA

o nível de impermeabilização do solo é de 100%!

o espaço público AUSENTE

a especulação deu MUITO LUCRO

aquilo NÃO É CIDADE

pelo menos, nas hortas, havia alguma biodiversidade!

e, desculpem lá, permito-me duvidar que os vossos filhos prefiram o shopingue a umas corridas no meio das ervas daninhas e das couves, à falta de um parque ou de um outro lugar decente para brincar.

um dia (até a nós) isto teria de acontecer

Enfim, reconheçamos que até um inocente tópico, vestido de fotografias aéreas, pode ele também espoletar a cisão num grupo tão unido quanto esta olivalesca tribo. Sejamos agora corajosos e frontais, antes que tudo isto se transforme numa batalha campal (bem à moda dos olivais) de onde voarão as palavras aguçadas e as inconfidências desagradáveis, e assumamos que estamos perante duas facções que no âmago do projecto do nosso bairro jamais verão os seus pontos de vista conciliados.

Aqueles que pretendem habitar um passado ermitão que insiste em empurrar a sua contrariada descendência para a horta do sô manel, que se quedem por aqui, já que afinal - e reconheçamos o direito dessa propriedade - tal perspectiva arrola o romantismo que esteve na fundação deste blog. Já essoutros que como eu preferem a lycra esbranquiçada e brilhante dos fatos-de-treino da adidas para as suas caminhadas culturais pelas galerias do centro comercial, que sigais comigo então. Abriremos um outro blog, mais urbano, mais sofisticado, um reticulado rigoroso que reclamará da modernização que os nossos filhos merecem, talvez até decorado nas suas margens com anúncios da macdonalds, e preenchidos aqui e ali com post's úteis sobre as dicas para a playsation3 e ofertas de bilhetes para estacionamento gratuito, mas sem que os obriguemos a serem empurrados para os espaços esconsos, sombrios e desabitados das nossas memórias hortícolas.