segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
O Dia do Senhor Cozinheiro
domingo, 16 de dezembro de 2007
sábado, 15 de dezembro de 2007
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
1 milhão...

...de beijos ( ou mais ) terão sido dados ( ou ficado por dar ) naquelas caves da Catió, ou noutras caves ( ou varandas, ou quintais, ou garagens... ) de outras ruas deste mesmo bairro...
domingo, 9 de dezembro de 2007
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Lá vai o Barco à Vela

No tempo em que a Fernando Pessoa ainda era entre a Bolama e a Praia, em que o Tosta ainda não existia, em que o Pinto ainda era mesmo um Mete Nojo, os nossos dias centravam-se na periferia da Lobito. Ainda não havia grande interacção cultural com o lado da Bolama, e as hortas eram a maneira mais rápida de descer do 21 e vir para casa, ou para atravessar até às vivendas da Margão.
Muito do nosso tempo era passado nas escadas dos prédios circundantes. Lembro-me quando o (mais tarde) ginásio, perto do Tosta, era um “supermercado” com quatro pisos desnivelados. No piso mais fundo eram as prateleiras dos chocolates, e tantas vezes lá fui fazer recados à minha mãe, que acabei por ser apanhado com uns chocolatitos nos bolsos. Tive de estar à espera, que ela viesse ver porque me demorava tanto, para me deixarem sair. Depois disso não voltei lá mais (feios…).
Mas não era esta história que queria contar. Outra grande parte do nosso tempo era passada a jogar à bola. Os dois para dois, os três para três até aos quatro para quatro eram jogados na relva pequena, atrás do Mete Nojo. Quando o número aumentava tínhamos de mudar de campo e passávamos para o campo ao lado que acabava em bico, junto ao Tó, com a rede do colégio a atazanar tudo o que era mãos, sapatos e até roupa.
Um dos nossos amigos de então era o P*inho, tinha um sentido de humor que não fazia rir muito, não tinha queda para desportos, não me lembro de o ver jogar à bola, mas fazia parte da malta. No entanto, já naquela altura revelava uma atracção por coisas um pouco mórbidas, e tudo indicava que iria ser médico, chegou a carregar a alcunha de “Esculápio” durante uns anos.
Desculpem esta introdução, mas a história que aconteceu, foi dentro do prédio onde ele vivia e estávamos só os dois, e eu não consigo vislumbrar que assunto poderíamos ter em comum para que essa situação ocorresse.
Uma das particularidades desta família era ter um animal de estimação que se chamava Dingo. Era um cão rafeiro e pequeno, mas era tão mau que era comparado, na altura ainda não havia os programas sobre a natureza que há hoje, ao famoso diabo da Tasmânia (afinal é bicho pequeno em vias de extinção que só come carne morta).
Mas este sacana era mesmo mau, mesmo quando arrastava o pai à volta dos canteiros de relva, de cachimbo e a cabeça de lado (tinha um problema numa vista), nunca nos chegávamos a ele. E as vezes que íamos a casa dele ainda era pior, era preciso fechar o animal e mesmo assim ficar em alerta, não fosse ele encontrar outra maneira de chegar até nós.
Como dizia mais atrás, aconteceu um dia, estarmos os dois juntos com a besta (a trela era posta ainda dentro de casa), no patamar do andar onde eles viviam e íamos descer no elevador para passear o cão. Entramos para o elevador e o P*inho lembra-se de qualquer assunto pendente, com outro morador do andar de cima, e carrega no botão para subir. Quase de seguida começa o cão a ganir e as patas a esgaravatar, olhamos para o chão e depois um para o outro (ele com uma das pontas da trela na mão), o cão tinha ficado do lado de fora do elevador.
Entretanto estávamos no andar de cima, carreguei para descer, e vimos do outro lado do vidro, o cão a descer também ao longo da porta, toda molhada, sempre a esgatanhar e a ganir.
Nessa altura a minha vontade de rir era tanta que já me custava a conter, mas quando saímos do elevador e percebemos que com o susto o animal tinha mijado a porta, o chão e pouco faltou para fazer o mesmo ao tecto, não me consegui conter.
O nosso amigo ficou de tal modo aflito que só pensava na sorte que tinha, porque só dentro do elevador é que se tinha lembrado de ir ao piso de cima. Como morava no 4º imaginam como teriam ficado as paredes nesse andar se tivéssemos ido directos ao r/c.
Confesso que, depois deste episódio, nunca mais consegui olhar para o cão sem sentir um misto de pena e de gozo, mas pelo menos grande parte do medo desapareceu.
A moral da história é que, chuvas em Setembro, Natal em Dezembro.
A dignidade da vizinha é muito pior caminha
Ou
Caminha com Ela
Maior dignidade tem aquele
Por talvez lhe parecer pouca
A usa como um sorriso na pele
E uma amável palavra rouca
Do que aquele outro ali
Por se inchar com pompa
Passe longe ou passe aqui
Em passando, nos afronta
Se hà moral, é em poder
Em dia de infelicidade
Qualquer um perder
Sobranceira dignidade
Se tivesse três pernas
E fosse um pouco tolo
Em dias de diarreia
Cagava um pé todo

De súbito as coisas foram passando a memórias. Alguns andavam ufanos com isso. Ou se calhar em alguns dias andava-se ufano com isso. Tudo estava a ser possível. De quando em vez, por alturas do final do ano, em quase natal juntava-se a quase família, como se manos ou primos afastados, amantes ou cunhadas desavindas que fossem, simpatia ou (até) enfado mútuo. Era quase natal. E comia-se. O sempre anfitrião, gente de vespa verde, era ritualmente massacrado pela falta de qualidade das farófias, dos sonhos, do peru ou do bacalhau. Amuava - não percebia que na quase família se diz mal, sem cerimónia, ritualmente. Ou amuava - porque na quase família se amua, sem rebuço, ritualmente. Porque é direito.
Tenho saudades de uma noite de inverno lisboeta, fria, chuvosa, ventosa. E de nessas noites, dessas que parecem opressivas, ir comer mal à Rua João Pereira Rosa. De ser quase novo, com a quase família, já a trocar recordações.
O primeiro beijo
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
carro com raparigas




excerto encontrado em oliveira de natal !
A época. Alguns não gostam... outros adoram!
P’ra uns o Natal é…
presentes, papel de embrulho, fitas e fitinhas, o dourado, o prateado, o encarnado e o verde, a árvore artificial, as grinaldas, as meias na chaminé, as estrelas e as bolas, o frio, o gelo e os bonecos de neve, lareira, a lenha, as mantas, as camisolas, as golas brancas em vestidos… que picam, os sapatos novos, casacos, luvas, o cachecol, as pantufas e as peúgas o stress das compras, as lojas de trezentos, velas, laços e brinquedos, jantares, festas, os amigos secretos, comidas e bebidas, os doces e os amargos, as nozes e as avelãs, os figos, as amêndoas, os pinhões, as pinhas, o musgo, o azevinho, o bolo rei e rainha também, a fava, o brinde, os frutos secos, o açúcar em pó, a gila, o Kompensan e os sais de frutos também, o chá e o café, as filhós e as azevias, fritos, cozidos e assados, o bacalhau, as batatas, as couves, o azeite, o perú, os chocolates, os sonhos, a missa do galo, o padre, o coro, o presépio, os reis magos, a vaca, o burro e as ovelhas, o pastor, o anjo, o Menino Jesus, a Maria e o José, a cabana, a estrela guia, o ouro, o incenso e a mirra, o pai natal, a mãe natal, os duendes, o rudolfo e as outras renas também, o trenó, a lapónia, as barbies e os nenucos, o x-man e o homem-aranha, carros e carrinhas, as pistas, os triciclos e as playstations, computadores, agendas, o final do ano, as fotografias, a televisão, o natal dos hospitais, a “música no coração”, o “assalto ao arranha céus” e o “sozinho em casa” 1…2…3…4 e não dá mais porque não fizeram o 5, as luzes, os sinos, o jantar, o almoço, os biscoitos, as fériase os feriados, os desejos e pedidos, a consoada e a ceia, os postais, as cartas e encomendas, os selos, os atrasos do correio, as saudades, a alegria, felicidade, amor, surpresas, viagem, o ir à terra, passeio, as malas, os aeroportos e os aviões, a ansiedade, a meia-noite, os filhos, o marido, a mulher, a mãe, o pai, os irmãos, os avós, os primos e tios, o sogro e a sogra, cunhados e sobrinhos, os vizinhos, os amigos e as amigas, as decorações, as lembranças e as recordações, os reencontros e desencontros, a cozinha, a loiça e as travessas, tachos e panelas, as receitas da avó, o dia de reis, o dia 25 e o 24 também, roupa nova, chuva, vento e sol, a tia chata, as velhas histórias do avô e da avó, os olhos brilhantes e a alegria dos miúdos, o circo e as pipocas, as ruas iluminadas e a música na baixa…
Para mim, também. Não é confortável?
Lobita e Cia
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Outras visitas à esquadra
Outras visitas mais curtas tiveram lugar durante um período no Dom Dinis. Vinhamos todos à hora de almoço no autocarro 50 que ia para Algés. Autocarro apinhado, tudo na gritaria e havia por vezes alguém que acendia um cigarro ou uma ganza o que irritava de tal forma o condutor (seria sempre o mesmo?) que este fechava as portas e arrancava, só parando à porta da polícia onde desembarcávamos todos a rir. Era uma manobra de diversão jeitosa para o pessoal que morava nos Olivais, pois a esquadra era uma paragem muito mais central que a do 50.
Por vezes a esquadra ainda foi útil. Regressando de saídas à noite já tarde, por duas vezes fomos seguidas por outro carro e, não querendo arriscar parar à porta de casa nessas circunstâncias, lá fomos directas até à esquadra, que como ficava num largo sem saída não dava jeito a quem andava supostamente a perseguir um carro com raparigas.





