Pelo desenho anacrónico da rua com um sossego quase aldeão e o prédio a querer trepar ao céu, escolho esta foto do Beira para ir lá, aos idos de 83, quando o Apicultor me levou a participar no meu primeiro movimento de azeitona que se reconhece enquanto tal, um movimento contra a destruição do núcleo antigo dos Olivais Velhos. Abaixo assinados, manifestações no Largo da Viscondessa, happenings no Coreto, um pouco de tudo. E foi por essa nobre causa que eu descobri o caminho para um não menos nobre ideário, o do movimento-de-saboreio-da-ginginha-e-do-queijo-de-ovelha, numa tasquinha ali no Largo da Viscondessa. Foi sobre esse tema aliás que eu comecei uma das minhas primeiras colaborações com o DN Jovem. Chamava-se A Destruição dos Olivais Velhos e falava das nossas tardes passadas ali a derretermos o tempo ouvindo aquelas conversas urbanas com travo rústico. Ou, quando o etílico da ginginha já subia até ao armazém das ideias, divertindo-nos com o vaivém naquele mictório público de ferro, a um canto da praça, que deixava ver, pelo saracoteio dos pés, as diferentes técnicas utilizadas. Mais tarde, já no decorrer do lastro deixado por alguns projectos de animação, entre os quais os Olivais Vivos, o largo foi utilizado para alguns concertos e propostas de agitação nocturna. Não vingaram entretanto. O betão é mais fértil. E é só juntar água. Há pouco tempo fui lá, ao velório de uma amiga, a dona da casa das paredes de nós. Há lá umas capelas mortuárias. Tristes, soturnas, lúgubres, como se julga que devem ser as coisas ligadas à evaporação da vida. E talvez por ser assim que a ele retornei, que me pareceram inexistentes os Olivais Velho que tanto me encantaram. Nem sei se ainda têm a ginginha, o queijo seco, as horas esquecidas no fim das tardes.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
A destruição dos Olivais Velhos
Pelo desenho anacrónico da rua com um sossego quase aldeão e o prédio a querer trepar ao céu, escolho esta foto do Beira para ir lá, aos idos de 83, quando o Apicultor me levou a participar no meu primeiro movimento de azeitona que se reconhece enquanto tal, um movimento contra a destruição do núcleo antigo dos Olivais Velhos. Abaixo assinados, manifestações no Largo da Viscondessa, happenings no Coreto, um pouco de tudo. E foi por essa nobre causa que eu descobri o caminho para um não menos nobre ideário, o do movimento-de-saboreio-da-ginginha-e-do-queijo-de-ovelha, numa tasquinha ali no Largo da Viscondessa. Foi sobre esse tema aliás que eu comecei uma das minhas primeiras colaborações com o DN Jovem. Chamava-se A Destruição dos Olivais Velhos e falava das nossas tardes passadas ali a derretermos o tempo ouvindo aquelas conversas urbanas com travo rústico. Ou, quando o etílico da ginginha já subia até ao armazém das ideias, divertindo-nos com o vaivém naquele mictório público de ferro, a um canto da praça, que deixava ver, pelo saracoteio dos pés, as diferentes técnicas utilizadas. Mais tarde, já no decorrer do lastro deixado por alguns projectos de animação, entre os quais os Olivais Vivos, o largo foi utilizado para alguns concertos e propostas de agitação nocturna. Não vingaram entretanto. O betão é mais fértil. E é só juntar água. Há pouco tempo fui lá, ao velório de uma amiga, a dona da casa das paredes de nós. Há lá umas capelas mortuárias. Tristes, soturnas, lúgubres, como se julga que devem ser as coisas ligadas à evaporação da vida. E talvez por ser assim que a ele retornei, que me pareceram inexistentes os Olivais Velho que tanto me encantaram. Nem sei se ainda têm a ginginha, o queijo seco, as horas esquecidas no fim das tardes.
2º Opíparo e 1/2 ... à volta de uma entremeada !!

Na presença de dois ilustres ( sói dizer-se !! ) membros da secreta Olivesaria, realizou-se o 2º repasto e 1/2. De inicio com a fraca aderência de dois personagens presentes na Roullote da Esquina, seguiu-se uma estrondosa comparência de Olivalistas, tresmalhados entre os mais de 50000 ( isso, são quatro zeros, cinquenta mil !! ) que se quiseram juntar ao evento ali para os lados da Catedral. Não podemos jurar que seriam todos Oliveiras, mas que haveria muiiiiitos, lá isso haveria !!
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
o muro (1970)
Acho que foi o Miguel quem teve a ideia. Como é ele o mais velho está sempre a ter estas ideias que eu acho servirem para nos ir mostrando quem é o chefe do grupo. Nem hesitou. Num instantinho foi parar à relva, rebolando-se para amortecer a queda. No resto da tarde, um por um, desafiados, todos foram saltando o muro. O Paulo trincou o lábio e foi a correr para casa, em choro. Foi o herói da tarde. Olho para as gotas de sangue que ficaram na calçada e desejo que não seja nada de grave. Ele é o meu melhor amigo.
Já está quase na hora do lanche, e já saltaram quase todos. Só falto eu. Mas a altura assusta-me. Ao princípio ainda tinha deste ou daquele palavras de incitamento, mas agora começo já a sentir a troça deles. Já sei o que vai acontecer a seguir - que sou o bebé do grupo, que assim nem sequer devia poder fazer parte do bando, que sou sempre quem os deixa ficar mal. É quase verdade isso. Mas é porque sou o mais novo, muito mais novo. Tenho quase menos 2 anos que o que vem a seguir, o Tiago, que já vai já fazer 9 anos.
Estou inseguro, e magoado. Apetecia-me agora não estar ali. O meu irmão, o único que me podia ajudar, pôs-se do lado deles, também ele rindo de mim. Sinto-me muito sozinho. E com uma enorme raiva por não o ver tomar o meu partido. Bastava-lhe que contasse como ontem eu tinha feito frente à malta do Lote C, e talvez eles reconsiderassem. Mas ele nada disse, juntou-se a eles. Estou furioso com ele. Isso nota-se e serve para ele cochichar qualquer coisa, lá no meio do grupo. Sei que é sobre mim – oiço os risos - mas não sei o que ele disse. Estou afastado uns dois metros deles, uma distância agora intransponível, por isso, o que eles falam, torna-se ininteligível para mim. Sinto-me mesmo muito sozinho.
Chegou a hora do lanche. É a minha última oportunidade, mas mais uma vez não consigo. Aquilo é muito alto, é alto demais para mim. Começamos a destroçar. Eu retorno para casa sob um insinuante coro de troça. Estou envergonhado e sinto-me frágil. Mordo o lábio para não chorar, que isso ainda agravará mais a chacota que já sinto sobre mim. Agora o alívio de chegar a casa. A Srª Bia pergunta-me porque choro enquanto me dá o lanche. Mas eu estou chateado, não respondo. Não respondo a ninguém. E está-me a custar imenso estar ali, a tomar o lanche com o meu irmão. É dele que esperava auxílio. Eu ainda sou muito pequeno, e ele já é grande. Devia estar do meu lado.
...
A minha mãe está enfurecida. Nem repara a força com que carrega no algodão. Ardem-me imenso os joelhos, e assim ela não está a ajudar nada, mas nem me atrevo a queixar. Pergunta-me insistentemente sobre o que me passou pela cabeça para ir lá abaixo já ao cair da noite e atirar-me daquele muro altíssimo. E que se me tivesse aleijado a sério? Assim, sozinho, quem haveria de dar comigo? Eu ainda tento explicar que era uma aposta, nada mais me ocorre para explicar a importância que aquilo tinha cá dentro de mim. Mas ela não percebe as minhas palavras, não percebe como aquilo foi importante para mim, nem tem orgulho em mim. E ver-me assim tão insuflado ainda a encoleriza mais. Dobra-me o castigo. Sorrio indisfarçavelmente - àquele castigo sinto-o como o reconhecimento da minha façanha. Está furiosa. E eu não lhe consigo explicar que gosto muito dela, que me sabe muito bem tê-la ali a tratar de mim. Que nestas alturas ainda gosto mais dela.
O meu irmão está lá ao fundo, a ver televisão. Mas sei que olha pelo canto do olho. Também agora ele finge que não é nada com ele. Que nada sabe do assunto. Sei que ele agora me admira um pouco, mas também sei que nunca mo dirá. Eu não vou dizer aos nossos amigos que saltei, estou chateado com eles, mas queria imenso que ele lhes contasse isso. Mas sei que ele não o vai dizer. Agora que já me sinto melhor (e não precisei dele para nada), já só me falta acertar contas com ele, ele vai ver. E não lhe vou falar pelos menos durante 2 dias.
(rascunho do Fula escrito nos tempos em que connosco partilhava a casa das máquinas... agora, de perdido lá nos confins do blogue vem a lume publicado por Benguela)
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
OLIVAIS-SUL EM DISCUSSÃO
Contudo, como antes acontecera com Alvalade, nenhum esforço crítico sistemático se verificou (para lá de alguns esforços de promoção pessoal, de que Olivais-Sul foi pretexto), para entender os resultados obtidos e situá-los na linha de uma evolução possível. Dir-se-ia que é nossa vocação começar eternamente a partir do zero.
Por nosso lado, devemos confessar que tivemos muitas dúvidas em iniciar esta discussão e talvez até - honestamente o reconhecemos - tenhamos perdido a melhor oportunidade para nela interessar os nossos leitores. E isto porque, nesta altura, Olivais-Sul constitui um projecto referenciável no tempo, e, naturalmente, «datado».
A própria evolução da construção daquela unidade contribuiu também para isso. Realizada a parte habitacional, as infra-estruturas e em parte o equipamento escolar, muita coisa resta ainda fazer para que Olivais-Sul seja aquilo que o plano inicial previu. Falta, principalmente, dar forma ao centro cívico-comercial principal, coração de todo o conjunto e elemento motor da vida social.
Seja como for, tardiamente embora, daremos início, já no próximo número, (assim o esperamos), à publicação do uma série de depoimentos sobre Olivais-Sul, de acordo com um questionário entretanto elaborado, que abrangerá uma vasta gama de problemas. Terminaremos com a publicação de uma mesa-redonda para a qual serão convidados alguns dos responsáveis pela realização do plano.
Entretanto, e para documentação prévia dos nossos leitores, que a ele não tenham tido acesso, publicamos neste número os elementos do plano de urbanização original, tal como constam de uma publicação do Gabinete Técnico do Habitação da C. M. L., editada em 1964.
CONTINUE A LER O ARTIGO . . .
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o outro jantar...
Este ano não contou com a presença de ninguém dos Olivais.
Excepto eu, claro!
(por isso não coloco outras fotos...)
Só depois do último conviva se retirar é que pude ir até ao jardim e fotografar à luz da lua cheia a oliveira que lá se encontra.

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Quantos de vós podem dizer que têm uma oliveira no jardim?
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domingo, 25 de novembro de 2007
em agonia ...
Excelentissimo Novo Membro do Conselho de Admnistração do Olivesaria :
É na mais pura agonia que me encontro neste momento, vivido por força de uma emigração, de curta mas penosa duração, a alguns milhares de quilómetros de distância. E a que se deve tal facto ? - perguntar-me-á ! Pois bem, passadas que estão longas horas do final do Repasto Opíparo, ainda que tal pelo tempo e outras actividades se tenha espraiado, é com pesar e perplexidade que deparo com o esmagador vazio no que à reportagem fotográfica do evento concerne !
Tendo tido o cuidado de adaptar o fuso horário, marquei e degluti às pressas um pequeno almoço que a custo me entrou em virtude da ânsia pelo momento que meu corpo invadira, sem respeito que fosse pelas mais básicas necessidades alimentares. Finda que estava a coisa, em estugado passo me dirigi à escadaria que me levaria ao 11º andar com que me brindaram, não fosse o falível mecanismo elevatório deitar a perder o deleite oftalmológico que se avizinhava. Eis senão quando, e após as demoradas démarches de entrar numa wireless insensível que os nervos fazia questão de me arrasar, eis senão quando dizia, entro no Olivesaria e ..... PAS VOILÁ !!
Cristo !!!!!!!! Mas o que teria acontecido? Rápida passagem numa net sempre actual, tomo conhecimento de que tragédia alguma acontecera com bando Olivalista por terras de Lisboa. Refeito do susto, logo a apreensão me toma de assalto !! Não teria havido momento captador de imagens ? Não quis crer, no meio de tanto e prevenido repastante ! Dando desconto ao ressacador acordar matinal, sequência lógica de mesa farta e abundante em licores e espirituosos, ainda assim colado me mantive ao écran, num frenesim de refreshments que chegou a dar dó..
DESISTI pois e passo à fase da indignação. Por isso a si me dirijo caro Johny Beauty, cuidando que o pouco tempo no cargo não lhe tenha ainda amaciado a acção que se lhe requer e exige na identificação da gigantesca falta de prontidão, para não lhe chamar outra coisa, com que os Olivalistas Voyeurs se depararam na exibição em chapa cibernauta dos melhores momentos do Opíparo.
Certo de que esta lhe merecerá a melhor atenção, certo ainda de o sentimento de contida revolta ser extensivel a outros conterrâneos, grato pelo tempo que lhe tomei,
Atentamente
Bafatá ( esperando que a presença ameaçadora do ' b ' agilize a sua resposta )
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
O "falhanço" dos Olivais
Neste post, cuja ligação já aqui foi feita, começa a discutir-se o falhanço dos Olivais. A discussão segue, de forma aprofundada, pelos comentários que são, na sua maioria, suculentos. E a certa altura alguém diz, "Sem pôr em causa o facto de não se ter atingido o sucesso urbanístico, tal como o definiram os urbanistas dos e para os Olivais, parecer-me-ia mais interessante questionar os seus habitantes sobre a forma como vêem o seu bairro e como o comparam com outros de Lisboa."
Xaidivinha e o eclipse lobital...
{ Xobita }
E foi assim:
DESCOBRI
Ora bem, cá vai a brilhante dedução:
Botelho - Botelha
Botelha - Garrafa
Garrafa - Vinho
Vinho - Vinagre
Vinagre - Azeite
Azeite - Azeitona
Azeitona - Olivais
Boa?????
Olé olé olé
JÁ À VENDA
Menção honrosa especial para o Fula a quem bastava apenas + 1 botelho para…vender o sofá que está por baixo do “pintor de Lisboa”.
Não interessa nada, mas a resposta certa era:
GTH: José Rafael Botelho e Carlos Duarte"
(...) surge na sequência da zona norte como uma operação mais vasta destinada a 186 hectares e a uma população de quarenta mil habitantes, igualmente promovida pelo Município. Para o efeito foi criado o Gabinete Técnico de Habitação (GTH), onde José Rafael Botelho, depois com a colaboração de Carlos Duarte, desenvolveu um plano na linha das experiências inglesas das new-towns, organizando o espaço em unidades de vizinhança e valorizando o espaço livre verde. (...)"
in " Arquitectura do Século XX: Portugal", 1998
Retirado da mensagem Publicada por "a rapariga que vinha da província" em 7/10/07
Carlos Botelho “Pintor de Lisboa” é pai de...
Obs. O prémio será entregue no decurso do 2º Opíparo, onde será obviamente assinado por todos os presentes
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
a + b = c & d
2º GRANDE OPÍPARO JANTAR DO OLIVESARIA

Vila Pery
Vilo P.
Xai xai
Fulacunda
Dona Fulacunda
Moçâmedes
Inhambane
João Belo
J. Bela
Bonanza
Bonanzo
Comunicado
Farol Museu de Santa Marta inaugura amanhã

Uma das obras de promoção pública mais destacada no núcleo Cascais XXI no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o Farol Museu de Santa Marta, vai finalmente transformar-se num equipamento de referência no perímetro cultural da Vila de Cascais.
Situado junto à Casa de Santa Maria, projectada por Raul Lino no início do séc.. XX, o Farol Museu de Santa Marta integra-se no perímetro constituído pela Cidadela, Museu Castro Guimarães, Centro Cultural de Cascais, Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, Museu do Mar e Casa Henrique Sommer (futuro Arquivo Histórico Municipal).
Com projecto da autoria de Francisco Aires Mateus e Manuel Aires Mateus, o Farol Museu de Santa Marta nasce a partir de uma parceria entre a Câmara Municipal de Cascais e o Estado Maior da Armada Portuguesa. As obras de recuperação e adaptação às novas funções tiveram início em 2006, promovendo a adaptação do Forte e Farol de Santa Marta a espaço de cultura e lazer, mas mantendo as suas funções de sinalização costeira.
Adivinha...
Ramalhete de Lisboa, Carlos Botelho, 1935
o primeiro(a) comentador(a) a adivinhar receberá o prémio
(apenas serão admitidos comentários de postadores com nick começado por X)
Prémio
Exemplar de "Para Além dos Olivais"
Data limite de participação: Sábado 24 Novembro 2007 - 18:00H.
Este concurso realiza-se sob supervisão e controlo do Governador Civil de Xai Xai













